Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Outra vez

Foto de Renata Baracho

Vê só como agora que eu tirei os óculos você parece tão mais bonito?
Os seus olhos parecem meio perdidos e eu quis pegar em você
Mas em qual lugar você realmente está?
Eu fiquei ali, com a minha mão estendida, pro nada.
O cara do filme virou pra mim e disse: Você dormiu com ele?
Eu apenas fiquei imaginando...e se fosse verdade?
Se eu realmente lembrasse de todas essas datas
08,22,03,07,16...
Eu quero dizer que eu sou assim como você.
Como um ratinho pelado, cheio de ar.
Eu tenho vontades, desejos.
Um dia, vou te mostrar.
Amanhã é dia 8, são 23 dias para o fim do mês.
Faz muito tempo, eu não quero nem ver.
É apenas sobre mim, meu amor.
Meu livro, minhas águas e meus sons.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Jump in

Foto de: poly annenberg

Olha aqui, eu quero que você saiba.
Antes disso, olha aqui.
Viu que tem uma lagoa dentro desses olhos?
Saiba que eles são para você nadar.
Eu tenho a mais séria das instruções quando eu digo: 'pule com raiva neles'.
À noite, o sol queima por aqui.
Arde, mas queimar é preciso.
Fique bem sujo, venha se limpar aqui.
Olha, você nunca vê o que está bem na frente do seu nariz.
Você nem gasta a compreensão.
Sabe de uma coisa? Eu já acertei tudo para você.
Olha aqui...
Só veja, você vai gostar, não desvie.
Algo me diz que viver é bem mais que esquecer.




Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Enquanto isso


No seu país, da sua língua, eu me perdi.
Ela já não me guiava pelas tuas pernas e aquelas costas eu já amaciara.
São tantas ruas abissais, eu não ousaria mergulhá-las.
Nem em tua cara lisa, nem no teu peito peludo. Vem e eu te faço uma trança.
Fingindo ser doloroso, eu esperava que chovesse.
Em mim, em você, por uns 2, 3, 4, 5 minutos.
São pretas e brancas as nossas listras.
São pesadas as nossas pedras, esses nossos ombros.
É o que temos de nosso.
Serpentinas e saias, pelando seu corpo.
Você lambe cada passo, pesa cada acento.
Não adianta, eu não aprendo...eu bem que tento.
Eu até juro, perjuro e, então, realizo.
É tanta falta do que eu... esqueço, você sabe.
Vem cá, me desenha as bordas, me deixa te amar.
Eu gosto do seu traço. Só dessa vez.
Me exagera.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

A língua, a saliva, os dentes

Foto de Luiza Padilha - http://www.flickr.com/photos/luly_fun/


- Eu não lembro o nosso último beijo.
-[...]
-[...]
- Últimos beijos não se avisam, não se pedem, são apenas beijos que de alguma forma, significam tanto e tão pouco. O seu cabelo não parecia ter destino, evitando alguma visão certa
à frente,pelo menos era o que parecia. Depois de ajeitá-lo incontáveis vezes, você desistiu. Fez aquela velha cara de abuso completamente linda e aceitou o que ele trouxesse. Aquele vento nunca nos perdoava. A sua blusa era azul e combinava com seus sapatos. O anel rodopiava entre seus dedos, mania. Você cheirava tão bem. Por esses dias, andando na praia, senti aquele aroma. Olhei ao redor, talvez você estivesse pensando em mim. As pessoas alimentam essas teorias de que se você olha no relógio e os números são iguais, alguém pensa em você naquele exato momento, coisa e tal. Talvez, você pensasse em mim e eu em você nos mesmo momentos. Talvez não. O seu pescoço guardava uma mordida da noite anterior, eu era guloso. Esperei você dormir e fotografei você na minha mente. Eu não sei, pra todas as coisas na minha vida, eu sempre tive sensações. Não digo que eu sabia que aquele seria o último. Eu lhe digo que o meu sentir vai além...
-Sabe de uma coisa...você beija com olhos, isso eu nunca vi.
-Eu sei que não.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Por todo o whisky que eu tomei

De May Leao - http://www.flickr.com/photos/mayleao/

A primeira vez que eu te vi, eu pensei: "não!". Não era mais uma questão de raciocínio, eu já formava mil frases bregas e impronunciáveis, até mesmo para mim. A segunda vez que eu te vi, tentava fugir de qualquer forma. Eu tinha medo de acordar pela manhã pensando em você, mas eu nunca consegui controlar o desejo de te ver. Às vezes, o que você me falava me fazia optar sempre pelo outro caminho. Na terceira vez que te vi você estava segurando aquela vodka, eu quis parecer melhor. Pensei se meu perfume chegava em você e fui dormir pensando em como rir de você na segunda com meu jeito descolado falso e aquele sorriso idiota que é impossível não soltar quando eu estou no seu raio de visão. Queria não ter olhado fundo nos seus olhos. A quarta vez em que te vi foi como morrer um pouco. Eu era tão cheia de besteiras e achava que ficar chateada com você iria resolver as coisas. Eu digo morrer porque, vez ou outra, você me dói. Na quinta vez em que eu te vi, você tinha outra garota, e ela me parecia tão bonita...tão mais que eu algum dia possa ter me achado. Parecia ser natural para ela ser tão linda. Imediatamente, imaginei o que você falaria pra ela, numa noite, passeando pela praia. Algo como "eu te amo". Talvez soasse sincero. Doeu respirar nesse momento. Você estava mudando e eu me sentia tão só, com meus discos. Na sexta vez que eu te vi, eu ainda pensava tantas idiotices, como quando eu quis casar com você no meio do avião e como eu queria ter escrito aquela música pra você. Você me parecia tão abatido, mas eu não me sentia mais a vontade para perguntar. Na sétima vez em que te vi, eu não soube o que fazer...então lembrei que era sempre assim. Perguntei pela sua namorada e você deu de ombros. Não era o que eu queria ouvir. O fato dela não mais assegurar o extravasar dos meus sentimentos me perturbou. Na oitava vez que eu te vi, quis te chamar de idiota. Eu fiz parecer que você não era nada pra mim, até imaginei vários diálogos destruindo sua auto-estima, que diga-se de passagem, é bem alta. Eu entrei pra aula de violão e quis te falar, mas eu me calei e esperei ficar cega com a sua presença. Se você tivesse ficado comigo, o atum nunca teria entrado em extinção; aquela guerra nunca teria acontecido; aquele presidente seria diferente. Eu lembro de cada beijo que eu te dei. A última vez em que te vi...você me avistou passando na rua, puxou forte pelo meu braço, segurou meus cabelos assanhando o penteado que eu demorei horas pra fazer, me beijou, e eu nem me importei com aqueles fios no meu rosto. Foi como eu tinha imaginado algumas vezes atrás. Então eu pensei que viver dói, continuei meu caminho enquanto você esperava alguma reação, e eu simplesmente achei que eu e você não nos pertencíamos mais.


*Texto inspirado na música do vanguart: the last time i saw you.
o texto não é inspirado também em nenhum ex namorado meu, antes que alguém ache isso.

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Ninguém morre de amor...

video

O título do texto foi o que minha mãe me disse no fim do meu primeiro namoro e a vida tratou de me ensinar a duras penas. Antes morresse. Dor de amor chega a ser física. Um amigo disse que a dor é psicológica e nós a colocamos onde queremos, e nesses momentos, nós queremos que doa no peito, até o que nos entala sair. Eis que não é tão fácil assim. Ela pode até ensaiar sair, mas a princípio, ela faz você se arrepender, nem que seja por algum tempo. Talvez seja um castigo por achar que pode tudo ao amar. Deve ser um castigo.
Ouvindo a conversa de algumas amigas no dia do fim do meu último namoro, uma delas falou algo que me fez pensar bastante. Ela disse que tinha grande carinho pelo ex e ele por ela e que ao acabarem, eles ainda se amavam, mas apenas não se queriam mais. Eu acho essa minha amiga tão forte e apesar dela não ser propriamente minha amiga íntima, é alguém por quem eu tenho carinho. Ela me faz ter vergonha de falar mal do amor. Só quem sabe dizer adeus ao bendito, mesmo que seja difícil, na hora certa, e está aberto a dizer um "Olá" quando ele resolve voltar, entende o que é isso de verdade, sente e percebe o que é amar. A verdade, por mais piegas e tediosa que seja, é que nós aprendemos com tudo. Eu, rumo aos meus vinte anos, carrego dois ex namoros na minha memória afetiva.
Da primeira vez, eu achei que fosse morrer, com toda certeza. Inclusive, parecia que eu iria morrer, por isso a frase da minha mãe. Eu me esgoelei na madrugada, perturbei amigos, estourei a conta de telefone, tudo em busca de conforto. Tudo porque eu não sabia dizer adeus ao amor. Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece e eu tenho vários motivos pra nunca esquecer o meu. Ele foi meu céu e meu inferno. Me fez amar e me sentir amada. Me deu o primeiro prazer de palavras lindas e todas as outras coisas lindas que o sentimento traz. Tudo bem que depois me deu bastante dor de cabeça, me ensinou a não abrir a boca para quem diz ser seu amigo e me ajudou a entender que num ex namoro, menos é mais. Um ano depois de muitos acontecimentos e desentendimentos nunca resolvidos, esse relacionamento veio me mostrar que tudo passa, de verdade, e um dia, a gente quer, com mais verdade ainda, que pare de doer. Eu, amargurada, achando que a partir daí, seria dona do meu coração, caí novamente nessa conversa de amor. Eu me apaixonei de novo e, de certa forma, pude ver que há recomeço em tudo. No meu segundo namoro, eu aprendi que eu não posso nunca ter medo de ficar só. Aprendi que namoro é paciência, mas é tão bom olhar pro outro com carinho, sem que ele esteja olhando, apenas para contemplar. Aprendi que amor é só uma palavra, e mesmo que ela nunca tenha sido falada, não quer dizer que ela não tenha sido sentida. Esse é o importante, certo? sentir as coisas. A prendi que é preciso reconhecer o fim, que tudo resume-se ao gostar e a sua insustentável leveza foi demais pra mim. Aprendi que eu estou pronta para um amor lindo e já nem me importo que ele venha a terminar. Aprendi que tudo o que eu faço é na vontade de ter um amor de verdade, pois é, daqueles recíprocos. Pra ser bem sincera, com esse segundo, ainda estou aprendendo.
Sabe, foram namoros curtos, e por algum tempo, vão me fazer querer ficar só, pela problemática vir-a-ser, mas eu espero que eu não consiga. Semana passada, li numa coluna uma citação de Neruda: "Para que nada nos separe, que nada nos una" Ahhh...mas o melhor de tudo é ficar unidinho, mesmo que acabe, mesmo que mude.

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

A espuma.


Era noite e era frio, não era apenas a minha doença que me torturava. O clima único para os habitantes da cidade os torturava por si só. Sabe que se você sente muita dor, chega um momento em que é tudo dor. É como cortar a perna para aliviar uma dor de cabeça. Tudo uma dor só. Eu já nao sabia se era o clima ou se era eu. Não me importava mais se a sua cadeira estava vazia ou se o café estava quente. Tudo uma dor só. Mas quanta culpa idiota, você se permitindo sentir esse vazio que te dou, essa lambuzada amarga de fel. Você gosta. Não gostasse vinha aqui e me estapeava a cara. Eu gostaria. És cavalheiro, isso te dá um cheiro particular. Nada animal, pura colônia de macho exemplar. Música calma e alguém de voz rouca de quem nao consigo recordar, você nao troca de canal...eu espero e meu corpo já atravessa a cama, o pescoço caído pela beira do móvel praticamente te implora que me use, mas eu estou sempre aqui. Você deixa para mais tarde. Tomou chuva lá fora, a camisa te cola o corpo, eu arranco com os dentes, então eu percebo que são minhas mãos apenas, eu não ouso. Apenas me ocorre a dúvida de quem despreza quem. Você é puro defeito, e isso, só eu vejo. Você é puro encantamento e eu, ao som da mesma música por 4 horas, tomo um banho para me livrar do teu cheiro que insiste em não me largar. Somos apenas nós dois, perdidos, nessa noite suja. Então me sujas, com nossas "mentiras adocicadas", para eu me lavar, e assim por diante...



Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Diga uma cor...

[LEIA OUVINDO A MÚSICA DO VÍDEO ABAIXO]
-Eu quero que você me diga: O que é amor? O que é amar? Você sabe?
-Eu acredito que o sentimento é sempre certo, sempre. 
-Mas como? Como saber que ele é o que se acha? 
-Eu mudo tanto de idéia, o tempo todo. Se você achar, é porque ele é.
-Não é tão simples assim. Eu já mudei antes, você nao veio comigo, ou talvez tenha vindo. Existe um pouco de você em mim, um pedaço podre, um pedaço doce. Um meio inteiro que eu nao gosto quando provo. Eu tenho medo e, às vezes, eu nao quero mais ter você. Eu fico pensando que amanhã você acorda e nao quer mais isso. Eu não suportaria. Todos os dias eu acabo e volto, sem você suspeitar. Todos os dias eu abro mão de você.
-Absurdo isso, você sabe! Abrir mão de mim pelos 50% de chance do que existe em mim acabar.
-Não é um absurdo! Eu costumo sofrer, sou eu. Eu acho que é meu jeito de nao voar. Meu jeito disso nao ser amor. Meu jeito. OK, é um absurdo.
- Teu jeito é injusto com a gente.
-Meu jeito me faz perder você em mim a cada dia. O "você" dentro de mim me dói.
-É o que você quer? criar um novo "eu" que te faz mal, me tendo aqui, ao teu lado?
-Não, eu nao quero. Eu não me encontro apaixonada por alguém. Eu preciso disso, mas eu me sinto idiota falando algo idiota como "eu te amo". 
-Meu bem, eu estou aqui. Eu gostaria que vc me visse. Eu gostaria que você me sentisse. Me veja, eu não sou uma criação sua. Me aceite.
- É que eu percebo que pensar em nao dizer já é pensar e é só um jeito de você não saber, porque eu não quero que você diga. Eu não quero que você minta e isso vire uma mentira. É o que a gente faz, nao é? Quando acaba, a gente finge que nunca existiu.
-Não coloque nomes, se não quiser. 

O meu coração doeu, eu achei que fosse morrer, mas dores no peito nao se relacionam ao coração, não fisicamente. A minha dor era diferente. Era...era uma resposta. Uma resposta pro que ele disse segundos depois...

-É que você fica linda nua, mas seus olhos negros brilhando nessa meia luz me engolem o mundo. Se isso for amar...

Um dia isso acaba, mas palavras certas em momentos certos são o tipo de coisa que fazem dos sentimentos certezas nas dúvidas. Eu precisava entender...mais que isso, eu queria.

Domingo, 22 de Março de 2009

Morte e vida, severina...


[Para ler escutando a música do vídeo acima]

Música é vida, mas às vezes, ela também é morte. Pode ser, certo? Eu ficava ali, pensando que o meu coração iria parar de bater a qualquer momento, mas cara, eu só queria ser grande. O óleo quente desfigurando todo o meu rosto, eu só queria ser grande. Só eu ficava deitada na cama horas seguidas, procurando sombras no escuro, achando que eram meus fantasmas e com medo de dormir, por pensar que a morte estaria no sonho? eu já disse, grande. Eu nao tinha cinco ou sete anos, eu tinha lá pelos 19 quando eu reparei que eu morreria e que as pessoas que eu gosto também subiriam no telhado. Eu passei a evitar, nao que eu andasse muito em telhados, mas nunca se sabe, eu nao quis correr riscos, por isso, digo desde já, não é seguro subir em telhados. Evite-os.
Eu já tentei dormir em momentos de muita angústia, quando essa roupa nao sai e o coração teima em avisar que estás mais vivo do que gostaria; ele te sobe pela garganta e você segura, ainda nao é hora. Será que morrer é assim? Pra que colocar a mão no peito para sentir, dá pra escutar o tuntun-tuntun daqui, mas como eu disse, é estar vivo demais para se dormir. Tentar contar para deixar de pensar é uma tentativa, mas esse conjunto coração-cabeça te domina. Acho que quando eu morrer, nao vai passar filme nenhum na minha cabeça, isso é conversa de gente viva. Pra mim, morrer, é escutar fake plastic trees eternamente, porque morrer nao é feliz, mas é também descansar e eu me desligo em cada frase. você sabe...eu me acho pequena, e essa é uma morte grande.

Domingo, 15 de Março de 2009

Interlúdio.


Há coisas que não se explicam, saiba que eu tenho medo delas. Eu não quero ser assim, nunca quis. Eu poderia usar aquelas frases do tipo: "se você soubesse...", mas na verdade, se você soubesse a quantidade de absurdos que eu penso. Se...Eu guardo as coisas em mim e eu alimento qualquer tipo de coisa ruim. Eu sou um jardim de improdutividade. Nunca vou achar que elogios são verdadeiros e, mesmo que eu queira que sejam por alguns segundos, vai sempre soar como se fossem para outra pessoa. Eu estaria ao lado, ouvindo...se você soubesse. Eu preciso te falar que eu nao sei lidar com certas situações e dizem que isso me qualifica como humana, acontece que meus olhos me traem. Eles são uma ponte direta com meu coração. Essa respiração me toma qualquer fluxo de normalidade e eu fico assim...com isso, chamado amor. Essa coisa que toma as melhores partes de mim. Eu nao sei fingir e tudo me traz. Eu vou. 
Dizem que amor dura certo tempo, coisa e tal. Dizem que amor muda uma vida. Eu nao sei...eu tenho mania de dizer, se as coisas acabam, que elas nao foram verdadeiras e eu preciso parar com isso. Eu preciso aceitar melhor os fins, nao só nos textos. Eu sinto saudade das coisas, mas eu nunca sei o momento exato em que elas deixaram de ser. O momento exato em que a minha vida mudou. Ela já mudou tanto e eu sou tão jovem, mas em inglês, essas palavras soam mais bonitas. Eu queria ser mais segura e aceitar o que for para ser aceito nos momentos certos e viver normalmente. Eu gostaria de uma perfeita simetria. Sabe que as conveniências sempre me assustaram e mesmo que eu minta para mim, eu sempre reconheço essa verdade. Eu só queria poder dizer, nessas linhas, esse meu sentimento que dias como esse causam em mim. Eu esqueço e lembro...esqueço e lembro...esqueço...lembro. Se apenas você soubesse...
o que eu acho que sinto. O que eu tenho certeza. Diga que quer saber. Queira saber.

Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Os outros.

- Baby, fecha a cortina. Eu cansei deles.








-Eu fecho.

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Agora vem...


Era apenas aquela mão que te descia o controle. Sobe e passeia nas esquinas escuras que eu não permiti. Eu não falei nada, nem que sim, nem que não. Você sabe que eu não resisto. O meu rosto ia esquentando, e parecia ser a última coisa a acompanhar essa leva. Sussurra alguma coisa ao meu ouvido, beija a minha boxexa, e se alguém nos vê? Não importa, agora. Segura meu tronco e me puxa devagar, expira na minha boca o hálito quente, lambe o lábio dormente e faminto. Sabe que ele te come. Já chega. Já chega? nao...no meio do beijo eu pensava como era absurdo alguém conseguir pensar em mais alguma coisa além do movimento daquela língua e se eu fazia aquilo bem. Eu não perguntaria, talvez fosse tão bom pra você quanto era pra mim. E se vira a cabeça de um lado, te beijo o pescoço e subo até a orelha...mordo. Faz um nó com as minhas pernas e divide esse suor, eu arrisco te dizer que é até doce; se você não prova, eu não perderei meu tempo com o suco quando eu tenho a carne. Sobe esse banco e pesa em mim. Movimenta e exercita esses músculos nesse reflexo, permanece hermético, suspira, linger. Que cheiro bom você tem, e que coração grande, chega a doer o bater do teu junto ao meu. Sabe que eu fico com vergonha desses momentos, mas é bonito se eu te olho e te sinto como o prazer do prazer que é ter você.




foto: http://www.flickr.com/liviavasconcelos/

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Me and You are we


Eu imaginava  mil coisas que podem dar errado para cada nenhuma que poderia dar certo. Sabe como é, a carência me leva a achar que morrendo, eu jogaria dor nos outros. Não dá pra viver e morrer ao mesmo tempo e é tanto desperdício morrer podendo viver a ouvir essa música do cara dos olhos claros. Essa que me faz ter vontade de querer. Olha só, quanta beleza que você tinha, aquela voz no meu ouvido dizendo aquelas coisas que te arrepiam, mas eu sou idiota e tenho vergonha. Lambida de orelha em praça pública. para. Eu gosto de ver essa cara no seu rosto vermelho. Eu nunca mais a vi em rosto nenhum de corpo certo. Eu pensei em tantas coisas, ninguém pode imaginar. Eu gritei e escorri tanta coisa de mim, ninguém pode imaginar. Eu ando vivendo mesmo, encarando outras vezes traços meus, que me perseguem e me forçam a ser isso. Essa coisa que sente, e eu digo mais, não quero mais que você exista e quero sim que você diga sempre, mesmo que não fale. Escuta, eu quero que você diga o que eu quero ouvir e quero que você diga o que quer dizer. Uma perfeita simetria onde, depois, essas coisas não terminem e a minha certeza bata na minha cara lavada. Eu acordo descabelada. Eu sinto cheiro de cada dia, eu gosto de ser assim. Eu gosto de ser quando eu estou assim. Eu só não consigo acreditar, acredita em mim? Eu só quero me poupar, mas escuta... eu sou diferente.

Domingo, 14 de Dezembro de 2008

Cartas a você


Maceió, 14 de Dezembro de 2008

Querido Você,
diferente das outras vezes, resolvi te mostrar as linhas destinadas a ti. Eu gasto muito mais tempo tentando começar as coisas do que de fato, desenvolvendo-as. Acho que quando se começa, vai mais fácil, não? Você não anda respondendo meus chamados, por onde andas? Algumas vezes me abate uma tristeza por só conseguir escrever cartas, as narrações não me vem muito à mente. Acho mesmo que temos fases, mas me alcança o medo de ser uma fase permanente. Minhas pretenções literárias não poderão se resumir à cartas. Quem as lê tirando eu, não? Cartas servem para nos remeter ao passado, quando estamos muito avançados. Causam certa dor de ter uma saudade do que já não se é. Terça eu li algumas cartas nossas. Sempre, sempre as leio. Mas antes, espero esquecer de alguns detalhes, para me surpreender, sabe? Hoje eu peguei um ônibus e pra passar o tempo da viagem, eu me imaginei conversando com os estranhos. Eles me parecem interessantes. Vi uma criança perto de mim e seus pés estavam sujos de areia. Era o ônibus vindo da praia e, sabe de uma coisa, crianças são as únicas criaturas a quem tolero o cheiro de protetor solar. Acho particular esse cheiro nos pequenos. Uma delas estava a dormir e me deu até vontade de ter filhos quando eu vi aqueles olhos pequenos fechados  e aquela boca miúda, mas são apenas vontades que passam e voltam no outro dia. Acho que filhos, mais que de sexo, deveriam ser feitos de amor, e eu não consigo acreditar em amor que dure; talvez seja por isso que eu não tenho tanta vontade de ter filhos quanto deveria. Esse tipo de coisa faz arrepender quando se está velho e sem ter de que se orgulhar ou reclamar. É triste achar que as pessoas tem filhos para não ficarem sozinhas. Mas não são todos, só alguns. 
Como vai a sua mãe, teus irmãos e a operação da tua tia? lembro que tinha ficado pro mês passado, mas não me dá notícias tem tanto tempo. Talvez eu me mude e semana passada eu até fiz umas malas, numa daquelas vontades de sumir como fogem os pais que vão comprar cigarro, mas eu nem fumo. Queria ir embora e ficar até longe dos amigos e não avisar de mim never more; seria como se eu tivesse morrido. Daí eu nasceria em outro lugar e eu seria meu Deus. Seria tudo tão diferente, mas eu fiquei. Tá tudo igual, mas eu tô aguentando. Eu ando cansada e aquela foto que eu mandei da última vez eu pareço cansada de verdade, não é? Como diz o cara de barba: quando acho que estou quase chegando, tenho que dobrar mais uma esquina. Ando mesmo de saco cheio de esquinas. Tava aqui pensando e eu começei a escrever essa carta tem umas 3 horas, eu faço mil coisas ao mesmo tempo, você sabe, enfim...hoje no almoço, percebi que ano novo tem gosto de uva passa. Ei, talvez eu coloque em prática meus planos que eu disse antes. Tenho que ir, porque ninguém gosta de cartas enormes, é bom saber a hora de parar. Eu vou continuar escrevendo, responde logo, porque talvez eu me mude e quando a gente demora muito a perceber os outros, a gente se magoa e nunca é a mesma coisa. Mesmo que eu mude, não esqueça que eu não quero que você esqueça, e se for seguro, te mando algo lá do fim do mundo.

Com carinho grande de quem se perde.
Lívia.


Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

meu.


                          Olha, o que acontece é que às vezes eu tenho saudade. Eu fiquei pensando ontem em como eu queria que você me conhecesse, mas ninguém me conhece, sabe? Acho que eu prefiro manter segredo. Anda tudo tão frio, não se trata nem do morno. A temperatura pré-aquecida anda me causando sensações indesejadas. Falando desse jeito parece até que eu sou meio louca, mas talvez eu seja ou esteja ficando. A gente morre a cada dia, né? Tem gente que nasce morta, morre no meio do caminho, mas eu não quero falar sobre isso. Queria ser mais específica. Dia desses eu tomei um susto que me fez lembrar que aquela sensação de medo e alívio ainda existe. Sabe quando você abraça uma pessoa e isso dói? Porque parece que se você soltar e dexar ela se afastar dois centímetros, ela vai acabar se afastando 5 e mais 10, até que você nem consegue mais vê-la? E quando você não consegue mais vê-la, parece que o amor acaba, cada segundo longe é um segundo sem o amor, é desperdício. Eu não sei porque eu comecei a falar de amor, deve ser por causa do filme que eu vi hoje a tarde. Eu fico abaladíssima com os filmes logo depois que os assisto; dia desses eu quis até me mudar pra um. Eu gosto de pensar que eu escrevo como se você não soubesse disso. Acima de todas as coisas agora eu fico pensando no fim de ano, porque eu adoro fim de ano. Aquelas festas com um monte de gente e roupa nova e bebida e comida.Parece que no fim de ano todo mundo é feliz, mas eu não sei porque, eu fico triste. Negócio mais chato fim de ano. O que eu mais gosto em você é sentir essa dor e saber que me olharás igual e certamente entendes o porque de eu querer morrer às vezes sem motivo aparente. Gosto também de saber que você vai entender o que de fato foi verdade em tudo o que eu escrevi. Queria só lembrar que eu não gosto de mentiras sinceras, nunca as entendi bem e devo dizer que se eu morrer amanhã, indo à praia, pensei em coisas novas pro ano novo. Se nada disso acontecer, pensei em realizá-las, mas isso vai ser trabalhoso. cumprir minhas promessas. Amanhã eu começo a pensar num jeito de você viver mais. Sabe de uma coisa? Eu gosto de ver filme velho sozinha. Talvez, realmente, isso esteja me afetando além do momento seguinte. Sabe, eu tive um gato uma vez...

Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Isso é uma música



Trilha(1)


De vez em quando aqueles lapsos acontecem mesmo e gente que tem coração batendo no peito faz a conexão muito perigosa entre músculo que pulsa e sente, e massa que faz pensar. Daquele momento em diante, eu juro que nem me importava mais. Já fazia a seleção naturalmente, entre os idiotas de festa e os ex.

-O que eu gosto na gente é não precisar começar uma conversa idiota com papo idiota. Nós vamos logo pra idiotice que interessa.
-Que lindo isso!
-hahahahaha
Eu deitada no colo dele, agora sentava no sofá e colocava o cotovelo apoiado nas coxas e pressionava um dos meus olhos com a mão direita. Eu gostava disso.
- O que foi? tá pensando em que?
-Em como eu acho você doida mesmo. Louca de pedra. E em como a gente viveu tanta coisa.
-Ihhh...
-Eu não tô querendo ter nenhum discussão de relação com você, relaxe. Mas eu te conheço hoje como a mim mesmo, eu sei exatamente aonde você vai complicar as coisas. Meio suicida, né?
-Esse momento ex casal? ahaha acho muito. Inclusive eu fico sim pensando, não acho que você me conheça tanto assim, até porque eu mudei tanto, você mudou tanto.
- Mesmo assim, as tuas mudanças são previsíveis pra mim e eu não acho que isso seja uma coisa ruim. Acho a coisa mais linda da amizade, quando você sabe , ou pelo menos acha que sabe tudo.
- Eu acho perigoso. Saber tudo é perigoso, ser amigo é perigoso.
- Ih, eu vou voltar a falar de coisas idiotas pra complementar conversas, faculdade e namorados, então...
- Não...vamos falar mal de você, então...muito melhor ahaha

- Isso é injusto, nós passamos metade dos nossos anos juntos falando mal de mim.
- E porque você acha que eu fiquei tanto tempo com você? Você é o meu boato confirmado preferido. Eu sempre inventei todos difamadores.ahaha

- Acontece que um boato confirmado deixa de ser boato.
- Só se eu quiser. No meu mundo, os boatos são sempre boatos, mesmo os confirmados.
- Me conta...
-Contar o que?
- Porque tantas coisas ruins com a gente?
- Ah, eu não sei, você sabe como eu sou. Você sempre foi tão tudo e eu sempre a metade das coisas. Eu não queria ser metade, eu queria ser tudo. Mas a minha visão de amor sempre foi errada. Eu ficava querendo que você fosse minha música preferida, mas às vezes você era meu sertanejo. Eu odiava isso. Não conseguir criar um você pra mim, e quando a gente se separava, eu ficava esperando que você fosse minha canção preferida de novo, e você até conseguia por uns tempos, mas você sabe como eu sou. Eu vicio numa música e depois eu não aguento mais ouvi-la.
- Eu odiava quando você sumia
- E eu odiava estar ao seu lado às vezes. Precisava de uma música nova. Mas eu tinha saudades, passado um tempo, a música velha preferida me doía o coração e eu voltava.
- Eu passei o nosso tempo todo juntos querendo ser razão.
- E você nunca conseguiria, nem eu era razão, eu sempre voltava. É que também teve uma época em que eu te via menos como amor, você ainda era o meu amor, aquilo com sexo, sabe? momentos em que você era só o sexo, eu me sentia confusa às vezes.
- Complicada você. Eu não vou  mentir que eu adorava isso, continuo adorando, mas o nosso nós agora é um nós diferente. Eu sei que você precisa do mundo. 
- Eu adorava andar de ônibus à noite com um fone no ouvido, escutando uma música que falasse de amor e alternasse ritmos tristes aos alegres sem meus óculos, olhando as lâmpadas que minha retina podre transformava em grandes bolas de fogo. É sério, é tão lindo. Eu me sentia num filme, mas normalmente as músicas são curtas, né?...


Ele ficou me olhando e eu fiquei pensando. Nós nunca seríamos o meu filme preferido, com minhas bolas de fogo ao som de uma música que eu estava viciada. Era tão injusto com ele. Já estávamos diferentes, mas as nossas mudanças nos levavam um ao outro. Eu sentia. Isso era tão injusto comigo.

Domingo, 19 de Outubro de 2008

. A mesma palavra .




O produto da chuva ontem veio me dizer umas coisas. Ela falava em línguas que eu não conhecia, pelo menos não até ontem. Eu ouvi do peito de alguns que eram apenas sonhos, mas eu acho que o sonho por si só já se basta, como paixões que dão certo. Voltando às gotas de chuva, cada gota que caía, me falava uma verdade e no fim da chuva, eu me despia de mim, quase sem querer. Cheia de verdades que agora eram minhas e mentiras completamente prontas para desmenti-las. Eu ficava esperta ao meu redor e já me dizia para continuar me despindo, me vestindo, sonhando e me molhando...Imaginava agora se caísse uma tempestade, do que eu seria capaz...
Isso já me bastava, assim como ser criança.

Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

O outono é aqui .




- Você não se importa com tantos sonhos impossíveis?
- Você não se importa de ser tão amarga?
- Eu perguntei primeiro!
-Isso não é um jogo.
-Você sempre foge.
-Assim como você. A diferença é que eu sonho, e não, não me importo com impossibilidades.
- Eu me importo.
- Eu sei, você se importa com tudo.
- Isso não é verdade. Eu não me importo com você.
-Você é quem pensa.
-Eu acho que você acha demais
-Vê?  
-Eu só queria saber porque diabos isso significa tanto pra você
- É por isso que eu não me importo com o fato de sonhar impossibilidades.

Lado a lado, o  ar sujo da cidade percorreu o interior dos dois corpos distintos. E se libertou.





Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

FrenéticaS

Lado a lado em cada cavidade, o coração resolvia que passear agora era sua nova onda, uma dessas de sangue, pelo sistema cheio de nervos, resolveu que assim iria passear e, sem mais, me para pelo pescoço, antes que pela boca.
Antes que eu pudesse assimilar, eu só ouvia o tun-tun me impedindo de falar. Um puro egoísmo onde eu sentia o meu, só o meu total despudor diante daquele novo. Daí em diante, me veio o medo, característico, de quem teme nunca mais voltar ao normal.
Quando eu me dei conta, o coração me invadia a traquéia sempre que podia; aliás, minto, ele se atrevia dessa forma quando um ser de patas duplas e ereto passava no mínimo a um raio de alguns metros. Eu sentia sempre o cheiro. Eu já não era a mesma.
Mas isso não ficaria assim de jeito nenhum...pela décima invasão coracional, eu resolvi vingar-me; o ser que me causa isso também precisa sentir todas essas pertinentes intervenções, eu sentei e planejei.



foto por mim : http://flickr.com/liviavasconcelos

Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

. Amar, verbo intransitivo .




Ouvindo só mais uma música depressiva, num estado não muito agradável, eu pensei no caminho pra casa sobre todas as coisas que se pode sentir de uma vez. Assim, somos, então, essa bolha cheia de sentimentos, tão frágeis e tão cheias, outras nem tanto. Tirando tudo isso por mim, eu hoje, essa pesoa tão mais livre de besteiras que me afligiam antes, tenho medo de que as besteiras apenas nos abandonem para voltarem renomeadas. Existe coisa mais complicada que relacionamentos?
Eu não me refiro apenas à "homem e mulher", refiro-me a todos os tipos. Até mesmo do relacionamento que temos com nós mesmos. Já se pegou com aquelas dores que ninguém vai entender a não ser você naquele exato momento? Elas sempre voltam, eu sei, ou melhor, você sabe. O que eu digo é que esses momentos são impossíveis de se descrever e só eu sei as esquinas que atravessei, já diz a música.
O que eu venho tentando falar é de todas essas coisas que chegam sem pedir licença, nos arrasam tudo por dentro e nos tiram o sono; eu me pergunto se tem como evitar que elas entrem, mas a resposta que vem à minha cabeça é que as coisas simplesmente são assim. Talvez se eu lembrasse dos meus sonhos durante a "noite"; talvez eu soubesse o que me aflige hoje; talvez eu não queira dizer nem em voz alta, muito menos em comic sans negrito, e nem mesmo sentir.
O que sobra desse liquidificador de mim geralmente são coisas ruins e eu continuo com aquela abominável mania de não conseguir olhar nos olhos dos outros; mas eu respiro, os radicais livres rasgam uma nova ruga de 1 segundo a mais de vida bem no meio da testa e eu repito, na voz alta do meu pensamento, com a esperança que ninguém ouça:
Amar, verbo intransitivo!
...nunca fui muito boa em portugês, vai entender!

 

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