quarta-feira, 10 de abril de 2013

Quero a unimultiplicidade

Há tempos eu vinha pensando sobre espiritualidade, a pouca idade me privou durante muito tempo de entrar em contato com certos aspectos dela. O desconhecido era maior do que a curiosidade, em certos casos não tive mesmo o interesse devido, ou até eu não tenha tido opções e pronto, como a maioria das pessoas não têm. Elas passam uma vida inteira recebendo conceitos intolerantes e nem desconfiam que o mundo é um tanto mais diversificado. Vamos dizer que eu tive sorte. Se eu acreditasse em coincidência, diria que tive mais ventura ainda, porque a vida me colocou em situações em que eu tive que ficar escancarada com o místico. Sempre oscilei em acreditar ou não em Deus, na verdade, eu nunca me peguei duvidando de sua existência, nunca soube direito é como deveria falar com ele, estar mais próxima. Em todo esse tempo, só conseguia entrar em contato, o mínimo que fosse, quando as tristezas eram maiores. Era como se o estado de espírito de alegria não fosse o suficiente para me aproximar de nenhuma divindade, e mesmo assim eram sempre conversas unilaterais, eu não queria conversar sozinha. A forma como esse contato era desenhada não me fazia o menor sentido.  Mais velha, eu tive conhecimento de tantas outras doutrinas religiosas, que talvez a minha confusão tenha aumentado, mas de uma forma positiva, se é que isso pode existir. Toda essa miscelânea pode confundir alguns do ponto de vista de que precisam escolher algo para acreditar, e passar a considerar todas as outras como inverdades. Eu não escolhi nada para acreditar, nada para recriminar, preferi sentir as boas vibrações que viessem pelo caminho, e isso aconteceu. Curiosa, sempre conversava com uma amiga que sabia bastante sobre espiritismo, tinha as minhas dúvidas e parecia uma criança, que sabe tudo e nada ao mesmo tempo, e pergunta, pergunta bastante. Eu perguntava tanto e questões tão ordinárias que às vezes eu ainda pensava em parar, mas elas continuavam surgindo. Então eu perguntava, muito e sem restrições, e era respondida com toda a paciência. Gostei bastante de tudo o que ouvi, tive medo, era como se um novo mundo se apresentasse a mim, através dessa minha amiga. Nunca me aprofundei na doutrina, aliás, esse texto não é exatamente sobre religião, é só sobre sentimento. Vez ou outra eu me deparo com essas vontades de ir além, mas o sobrenatural dá medo, e essas questões sensitivas sempre foram perturbadoras, pelo menos para mim. O momento atual é de conflito, desejo que alguma coisa se mostre presente, que o universo se revele ao menos um tanto, de alguma forma, e ao mesmo tempo que se cale, não me amedronte. Essa sensação eu até já tive, poucas vezes em que eu me senti perto de algo que representasse além de mim, em matéria e espírito, algo que calasse vozes altas e bagunçadas que se embaralhavam dentro da minha cabeça e do meu coração, e invadisse tudo com muita paz, uma paz que eu nunca havia sentido antes, uma paz que eu venho tentado sentir novamente muitas e muitas vezes, mas sem sucesso. Talvez seja por essa paz que as pessoas abdiquem um pouco da suas vidas e dediquem tempo ao que muitos de nós consideramos desnecessário. Ainda lembro da primeira vez em que eu pedi durante muitos minutos, com tanta força, que eu parasse de me sentir vulnerável ao desespero que sentia, e de alguma forma me senti ouvida. Esse tipo de coisa não é algo que se explica, e sim que se vivencia, senão não teria o nome de experiência, ou conhecimento adquirido pela prática. Como se eu tivesse apertado um interruptor, exatamente como aqueles que apagam e acendem luzes, eu estive em paz, e tive essa consciência. Naquele momento, eu sei que estive em contato com o que quer que isso possa ser nomeado: universo, mestre espiritual, amigo de luz, Deus. Eu não ouvi nada, eu não vi nada, eu só sabia que me sentia diferente, de uma forma tão abrupta que não era natural, havia algo mais ali, e eu me senti bem para descansar, adormeci. Do que isso pode ser chamado pouco importa, para mim, o real sentido disso tudo é que daquela vez eu obtive reciprocidade, e esse tipo de coisa não pode ser alcançado sempre e em qualquer momento, em qualquer crise. Eu só posso ser grata por respeitar o próximo no que ele acredita, inclusive no que ele deixa de acreditar. Aquela sensação eu não consigo mais esquecer, então, eu agradeço, digo obrigada, me sinto menos pó. 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A seta e o alvo que me espera

foto retirada do site: http://society6.com/

Então, você leva um homérico pé na bunda. Sabe? Daqueles que você se pergunta, no espaço entre os dias, quando finalmente aquela dor chata vai parar de incomodar. Foram dias difíceis, se você me entende. Dias que viraram semanas, que viraram mais semanas, que se tornaram meses e mais meses. Dez, se você é uma pessoa que gosta de números.

Eu sou o tipo de pessoa impaciente, então imagine você como eu passei dias e dias me perguntando quando eu finalmente me libertaria de tantos fantasmas. Quando nem eu me aguentava mais há algum tempo, percebi que o meu pensamento havia se acalmado. Isso era bom, mas não era tudo. Ao menor sinal de quebra do meu regime romântico, as coisas não ficavam assim tão bem.

Na verdade, eu não tenho muito para falar. Hoje, 31 de agosto, eu derramei uma pequena lágrima que era mais de alívio do que qualquer coisa. Pessoa nada sentimental que sou, escutava uma música de uma linda criatura. O meu ser melancólico percebeu que, enfim, havia deixado aquilo ir. Hoje, percebi que deixei um amor muito importante ir embora, e o melhor de tudo é que eu o quero muito feliz.

Veja que lindo, não desejar nada de ruim pra alguém que não tem culpa de nada. Ainda melhor, perceber que está tudo limpo aqui dentro. Não existem coisas mal resolvidas, não existe mais o desejo de diferença. Existe apenas a lembrança de algo tão necessário, tão edificante e tão querido. Ainda existe um cuidado ao longe, que eu nunca vou abandonar de vez.

Existe em mim uma vontade de escrever que eu não só te deixei ir, eu me permiti te deixar, e isso não foi fácil. Foi tão longo o caminho, mas agora eu pretendo ser feliz, e leve como coisa leve. Se a cada mil lágrimas, sai um milagre, isso acaba de me alcançar, mostrando novas diretrizes e novos sentimentos, que são muito mais do que bem vindos, são de casa. Podem chegar, mas não reparem na bagunça, tudo ainda se ajeita aqui por dentro.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Divã


'Nós ainda nos amávamos, apenas não nos queríamos mais...', disse Lilia Cabral, por Martha Medeiros, frase que vim a ouvir de uma amiga e que vim a soltar em uma mesa de bar, anos depois. As amigas presentes se olham e sorriem com o olhar. Mas o que foi que eu acabei de dizer? Até as vozes de dentro da minha cabeça gargalham com a frase, que agora me parece ridícula. Lógico que não nos amávamos mais, ou será que só podemos chamar de amor o que vem junto do desejo de estar junto? Não sei, não me cabe agora qualquer definição de amor. Justo agora. Amar se aprende amando, já dizia o café filosófico.
Eu demorei tempo demais pra perceber que nem eu era mais aquela pessoa. Que eu e você viramos pó, poeira, que o vento levou. Eu tento lembrar da sua voz, mas só escuto a minha, falando pra esquecer de vez de lembrar de lembrar. Deixa que se vá...precisamos ir. O seu rosto ainda me julga, quando eu me vejo fazendo coisas que não deveria. Prefiro não pensar demais, não preciso me perder. Não mais do que já fiz em todos esses meses.
É quase como se eu tivesse inventado um cara, tivesse dito pro vento contar que eu o amava muito, então alguém falasse: 'Tá maluca? isso não existe'... Então, tá certo. Eu só sinto muito por sentir tanto, por ter feito do que sobrou uma coisa tão ruim, por ter afastado de vez, inclusive meu melhor amigo. Sinto muito por me trair. É tudo o que meus dois olhos negros podem dizer, e eles dizem...

sábado, 30 de outubro de 2010

A suprema felicidade - sim, ela existe.

Eu não costumo falar de filmes aqui, mas hoje eu fui ao cinema sozinha assistir 'A suprema felicidade' e eu fiquei tão confusa, com uns sentimentos meio que gritando...preciso externar. Eu fui arrebatada pelo título. Pensei: suprema felicidade. Isso só pode ser o que eu preciso ver. Na verdade eu queria ver só por ser do Arnaldo Jabor - sim, eu gosto dele. No início do filme, é tudo tão lindo, uma família feliz, amor, sexo. O filme começa com gemidos da mãe de Paulo, começa com seios à mostra - filme brasileiro. Do meio pro fim, tanta coisa muda. Então, o fim é lindo e triste ao mesmo tempo. É a reviravolta. Há frases maravilhosas durante o filme. Eu sempre sou atraída por essas coisas, como se na minha cabeça existisse um marca texto pra falas lindas de filmes. Meu personagem favorito foi, com certeza, o Avô boêmio de Paulinho. Marco Nanine, que figura, que vontade dele ter sido meu avô. A maioria de todas as frases sensacionais do filme pertencem a ele. É ele quem solta um 'O amor é foda', já no clímax do Alzheimer. Na verdade, em um momento breve de lucidez, logo após mais uma alucinação, mas veja só se isso não é a mais pura verdade. Uma coisa me deixou um tanto angustiada, ao mesmo tempo percebendo a verdade triste naquilo, é quando o pai do Paulinho fala pra ele que não gostava da felicidade da esposa dele: 'quanto mais triste ela ficava, mais eu me apaixonava por ela, porque ela era mais minha'. Vê que egoísmo, ele destruiu tudo. O filme mostra, em si, beleza, e existe beleza em tudo. 'Nem tudo é só bom. nem tudo é só ruim' como disse o avô sábio de Paulinho. Há beleza na tristeza, A suprema felicidade é assim, um monte de personagens vivendo vidas de verdade. 'A vida gosta de quem gosta dela'. Ah...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Deixa

Então me diga, isso ainda pode ser especial de alguma forma? Eu não sei direito como agir. Eu fico querendo que esse sentimento nos redima de alguma forma, fico tentando pensar que o simples fato de um sorriso comedor de lábios despertar memórias afetivas que trarão de volta momentos belos e simples acima dos ruins e tristes. Eu penso que tudo se esvai, diante dos meus olhos, penso que você não quer mais, mas de alguma forma, não consegue dizer. Penso que eu me sinto tão triste pelo fato de não conseguir fazer você me amar como antes, mesmo eu sendo uma pessoa maleável agora, com todos os meus esforços. Acho que esperarei, mas penso que ando desistindo, e tentando aceitar o pior que possa vir. Já não sei, eu deixo...queria você de volta, queria ser sua.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Era como se eu fosse morrer.

Meus olhos doiam como se facas fossem enfiadas neles durante todo o momento, e eles cuspiam um certo líquido que meu coração enviava fora de mim. Era simplesmente minha alma pedindo para que eu finalmente fosse enviada ao lugar de onde vim...Não, era só tristeza, mas eu tinha a mania de querer morrer por coisas inimagináveis. E se fosse só sentir saudade, mas vem sempre algo mais. Eu te perguntei como você conseguia me deixar sozinha, quando eu mais precisava de você, quando eu não sabia nem qual era o meu nome, e o que eu queria da minha vida, e você disse que talvez você não me quisesse mais, então eu quis morrer. Você disse 'vai passar' e eu só quis que passasse com você...Eu não sei mais o que dizer, mas às vezes a única coisa que eu quero é o silêncio do telefone, eu não me sinto mal, não tenho agonia alguma...eu me sinto menos só, menos pozinho. Só isso...Você se foi e agora eu choro só, sem ter você aqui. Eu e bethânea, e roberto....todos na minha cabeça, chorando canções que sangram e que me dizem 'já é hora de crescer e aprender a amar'. Eu deito na cama, molho o rosto com outra leva de lágrimas salgadas como o mar, e penso que talvez eu ainda pudesse salvar os atuns. Um amigo me diz: 'eu te amo, fique bem'. Deito e olho para a única fresta de luz a entrar no quarto...ela vai sumindo e eu durmo, sem querer que o dia amanheça. Eu vou ficar bem.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Não fode.

Eu vou ser o mais sincera que eu puder ser, e breve: A primeiridade me fodeu. Talvez eu tenha fodido a mim mesma, mas PORRA PRIMEIRIDADE. Prefiro culpar você. Ela sempre me engana, me faz esquecer das coisas que eu devo fazer comigo, e me faz ser descontrolada. Isso me leva a outro patamar: PORRA SEGUNDIDADE...mas calma, isso não é culpa só dela.Você tá achando que eu tô falando de mim, né? jamais, eu sou uma completa vítima dos signos. A culpa é todinha da terceiridade, que de airbag não tá servindo de nada. O problema é: Onde diabos eu quero estar? Eu quero que a terceiridade funcione direito, e administre os conflitos com as informações descritivas presentes na minha cabeça. Ei...eu quero preservar o meu amor. Parem de estragar tudo, seus signos maléficos, eu quero ser uma menina boa. Vou começar tudo de novo...primeiridade, segundidade, terceiridade. Ô santaella...

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Olá

Hoje eu me senti tão sozinha. Era como se eu não conhecesse ninguém, não tivesse mais ninguém com quem contar. Nenhum rosto na rua conhecido. Sentei no ônibus, e coloquei o fone de ouvido, e desatei a chorar. No celular tocava 'case of you' da joni mitchell. Nem me importei se estavam me olhando, o fato é que eu não queria nunca mais sair daquele ônibus, sabe? Eu ando me perguntando o que faço de errado, por que eu estrago sempre as coisas. Acho que eu sou fraca, e vou acabar sozinha, gorda, vendo um filme sobre gatos na tv, descabelada, tomando sorvete, e de melão. Acho que eu não sirvo nem pra mim, e faz tempo que não escrevo coisas assim...falando EU, e falando com alguém que venha a ler isso...e ao mesmo tempo é completamente ridículo, porque ninguém tem que vir aqui ler as minhas coisas, né?
É como eu disse...ando me sentindo sozinha, e tudo parece o fim do mundo. A minha tpm nunca vai embora? Será que um dia eu vou me sentir melhor? Eu não espero que a resposta venha aqui, nesse post. Estou só desabafando mesmo. Ah, eu sempre fico revoltada com uma coisa. Todo mundo briga, todo mundo se odeia, todo mundo trai, e essas pessoas sempre ficam juntas pra sempre. Por que?
vai saber... não quero nunca ser assim.
Boa noite, não queria acordar mais...dormir parece ser a melhor solução, as coisas que eu sinto são sempre grandes demais, intensas demais. E sim, eu vou morrer se meu coração se quebrar novamente. E sim, vou morrer, nem que seja por muito tempo. Pra mim isso é morrer, e eu acho que nunca vou ficar bem, sim.
Vai saber, ser eu é uma coisa que eu não desejo a ninguém, sinceramente...essa dependência pelas coisas, essa falta de coerência eterna.
Eu sou uma hipérbole, prazer.

sábado, 24 de abril de 2010

Nem uma carta, nem um bilhete.

Eu fiquei imaginando que ele fosse aquele violão estranho, que eu demoro a me acostumar, mas que depois eu amo...e só consigo querer chegar em casa e colocar pra tocar. Então o que aconteceu foi que eu quis com toda a verdade me entregar às palavras e esperava delas a gratidão com que sempre as tratei. Os meus sonhos não existem, você sabe. Eu não sei...continuo me sentindo tão ridícula só em ser eu, então eu penso em ser diferente, mas isso acusa em vários canais...você sabe que eu não quero ser assim, não é? Aos poucos, eu vou me acostumando com a ideia de aceitação, e eu não gosto disso. À noite, quando vou dormir, eu e a minha cabeça estamos sempre em conversações incessantes, às vezes eu desejo que ela exploda. Cansei de estar cansada, e cansei de várias outras coisas. Dá muito trabalho tudo isso. Hoje é dia 24 de abril, as coisas não podem continuar como estão. Queria ir te visitar, talvez...eu só queria dizer que a partir de hoje, eu vou fazer só uma coisa ser diferente. Tenho certeza que não vou conseguir, porque o coração sempre aperta, mas logo terei novidades. Quando essa tela encharcar, você me entenderá melhor...
um beijo e me escute sempre.

P.S: queria só dizer que ando escutando loucamente "The shins". 'Australia' é a minha favorita.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Até pensei.

- Todos têm, todos têm suas próprias razões.
- Verdade.
*o que mais foi dito?*
-sinto falta. demais.
-eu também.
-O que isso quer dizer?
-Você já esteve aqui antes.
-Outra verdade.

segunda-feira, 29 de março de 2010

A ficção que me permite

Ele disse que era nosso último adeus. 'Odeio sentir o amor entre nós morrer', foi o que ele falou, com olhos distantes como só os de quem já não te ama mais podem ser. Ele levantou a hipótese de já não nos conhecermos mais, só que não posso concordar com isso, não posso me conformar nem com as minhas conformações. Melhor não achar nada.
Eu penso comigo, como ele pode dizer com tanta firmeza que acabou? 'Não brinque com fogo', foi o que eu lembro de ter pensado no momento, mas fiquei calada, não disse nada. Ele me disse que eu 'nunca saberia o quanto tinha sido importante pra ele'.
Por que essas coisas doem tanto? em caso de dor, chore. Eu te amo, você me ama também?
A esse ponto, o random passou para 'forget her', e eu desejei não ser esquecida. São corações magoados, eu sei. Experimente amar, não há como sair ileso. As músicas são lindas, eu sei. Sempre serão. E com semiótica linda, agoniante e apaixonante, eu me permito essa convenção que a palavra é, por si só. Lógica propriamente dita. A nível de terceiridade, um símbolo.



*escutem 'Last goodbye, de Jeff Bucley.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Isn't it a pity?

Harrison me disse que isso era uma pena, eu concordo plenamenta.
Isn't it a pity? _____________ ( espaço para a sua resposta)
Por que eu me sinto assim, agora, nessa sexta à noite, quando nem é meia noite? Eu te digo. Daqui a pouco ele vai se despedir, e eu vou me sentir mal. Tudo isso porque na minha cabeça, isso é se importar. Eu nunca me dei muito bem com medição de sentimentos. Eu deveria me importar mais comigo, e estragar menos o que sinto em mim. Algumas vezes eu só queria dormir como alguém normal, e amar, como alguém normal...
Eu amo demais, sou até egoísta demais. Isso ainda vai me fazer sofrer (mais).

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Mais estranho que a ficção

Ele diz: forget her.
Tivesse olhos, pupilas dilatadas, bocas secas, eu diria para isso não ser tão idiota. O músculo, digo. Se é que se pode chamar uma parte de você, língua portuguesa, tanto faz. se eu amo desempedida, se eu sou corajosa e devoro tudo, engulo, e sempre quero mais...o que acontece?
Eu não sei comer pouco quando eu tenho fome, eu não sei comer devagar...que partes de você ficam em mim, que parte eu mantenho se você nem meu é...se eu te quero tanto sempre e mais, com tanta força?
Sabe...tenho eternas agonias, pensando na minha necessidade de você. 'Meu bem você me dá água na boca...' já dizia a moça linda dos cabelos de fogo. Isso se aplica a você também. Paciência me falta, algumas vezes, de viver o hoje, e o amanhã, e o depois de amanhã. Fico na 'seologia' eterna de tantas noites, e elas são tão inúteis...Espera, não és meu, embora seja completamente romântico e belamente mentiroso afirmar com qualquer ênfase aquele : 'você é meu e eu sou sua!' Naaaaaada. Ninguém é de ninguém, na verdade, alguns são de todos, mas esse não é o nosso caso. Eu só acho tão estranhamente charmosos todos os clichês de um coração apaixonado...e se eu quiser dizer que eu sou sua, eu não posso? Claro que sim, mas eu acabei de dizer que essas coisas são mentirosas. Droga, eu não penso mais assim...eu sou sua.
Sabe de uma coisa...eu sinto uma coisa...já sei! Já andou de montanha russa? Eu fui uma vez, e disse pra mim mesma que jamais voltaria lá. Meu estômago ia saindo pela boca, um meeeeeeedo enorme, a pressão na minha cabeça era enorme em cada descida, parecia que eu iria cair da cadeira, mas na hora H, eu via que estava bem presa. Amor é mais ou menos assim. Eu fui uma vez, e disse que nunca mais voltaria lá. Mas não é que eu voltei? Parquinho...fica na minha cidade, não vai embora! É isso o que eu penso sempre.
O meu coração é meu, mas abrir os olhos a cada dia fica diferente por você, então...o bater alegre e o significante novo que nunca vão embora, por mais que passe o tempo, eu devo a você. Eu sinto o vento no rosto, mais uma volta, a cadeira me segura, o estômago congela, e eu amo muito tudo isso.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

buh!

Estava escuro e, fosse dia, fosse noite, ainda se fazia breu. Do fundo de mim, pensei junto da voz que fala mais alto que qualquer pensamento: 'Dói'... e então, eu só pude chorar, como no despertar de um sonho ruim.

domingo, 25 de outubro de 2009

Língua e Juízo.

Eu não gostava do gosto do gelo. Ele mordia sem cessar, lambia, se lambuzava com a água lhe escorrendo pelo pescoço, peito, umbigo, virilha, coxa, perna, calcanhar, chão. Era uma delícia, ou pelo menos parecia. A gota era sacanagem pura. Não sei, simplesmente nunca gostei do gosto que o gelo tinha. Mas o jeito que ele lambia o cubo translúcido...hum...me fazia querer gostar de gelo também. Então eu fantasiava. Por noites e noites, imaginei como seria ter o gelo à boca, a sensação gelada, disparando meus nervos, fazendo-me perceber que aquilo era gelo, os dedos já dormentes e molhados, maldita temperatura ambiente. Fantasia não tem gosto, só vontade, isso eu tinha, e muita. Ele lambia o gelo como ninguém, acredite...que vontade me dá, assim, de repente, de lamber todo esse gelo, e me lambuzar na poça transparente e quente que a minha língua vermelho fogo pode fazer.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Comentários sobre John

- John, como tu és idiota. Repara nas cenas da tua vida. Abril se despedaça na tua frente, não farás nada?, disse eu.

Ele tinha certa quantidade de luz cor de barro no canto esquerdo do rosto. Parecia suado, sujo, cara de cachorro moribundo. Cara de quem acha de menos, pra quem o fita, por sua vez, achando demais.


- Você sempre vê bobagem, não acredita nas verdades, e é o perfeito retrato da autodestruição. Tem medo de ter medo, de ter medo, de ter medo; fuma seu cigarro; toma seu café. John, você não sabe amar.


John levantou-se da cadeira, acendeu seu cigarro, bebeu seu café, e arrastou a sandália pelo piso cinza até a janela lateral. A meia lua refletia nos dois olhos negros, e john disparou:


- Espero que você lembre, o mais depressa possível, de quem você é, ou costumava ser. Seu coração costumava ser maior que sua boca.

-John, você não sabe amar.

-Um dia, você ainda morre sem saber. Sem saber que gosto a chuva tem; sem pensar que cheiro a grama tem; sem saber como voar deve dar medo.


-John, você não sabe amar.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Superlativo Absoluto Sintético


Alguma velha conversa ao fundo da minha cabeça cantarolante sobre algo escapar de mim, esse algo sobre você, de tempos em tempos. Eu diria de menos tempos em menos tempos ainda. Não se contam nem cinco minutos sem que me escape essa inflamada vontade de te mostrar o que eu vejo. Mas são as coisas que te dedico, algumas delas mais seguras, outras menos, que me encharcam a alma. Algo como amor, ou talvez seja simplesmente erro colocar nome em todos esses sentimentos, mas eu coloco, eu erro também. Eu falo, eu te deixo saber. É um prazer. São as mais variadas formas desse seu ser apaixonante que me formigam os dedos das mãos, despertam as borboletas na barriga, me estampam esse sorriso envergonhado. Não me iludo, ou qualquer coisa do tipo, sei que temos nossos defeitos, e todo o pacote. Mas há tempos eu te chamava...pelos textos, pelos ares, pelos meus mais sinceros desejos, naqueles lugares onde você nunca estava. Você veio, e algumas vezes eu me pergunto se te inventei. Por favor, não seja coisa da minha cabeça, nem desista de mim. Embora o tráfego estivesse um completo inferno, a demora e tudo mais tenham me causado tantas coisas ruins, esse amor chegou ao seu lugar de agora, e eu não quero que você se vá, quero que fique, fique, fique, fique, e continue tirando meu fôlego, apesar do ar. Muito talvez eu apenas seja assim, tenha medo, tenha sentimentos... mas eu estou tão melhor em relação a todas essas coisas, em relação a tudo o que está por trás das palavras e vontades. Quero te escrever cartas de amor, talvez até tricotar um suéter. Não... Tudo o que eu quero mesmo, são as coisas mais simples. Ouvir seu coração batendo, num fim de noite, ao assistir um filme; olhar pra você quando você não estiver olhando pra mim, e pensar como você apareceu do nada, mexendo tanto comigo; Olhar pra você quando estiver escurinho, e ver o brilhinho do seu olhar; Ser surpreendida pela sua capacidade de me fazer sentir esse encantamento por você; Olhar o teu sorriso, daqueles que é a alma quem sorri, daqueles que vem de dentro, de tão lindos...seus sorrisos; conversar com você no meio de tanta gente, e simplesmente esquecer que todos estão ao redor...quero sentir teu beijo macio, teu coração macio, teu tocar macio, teu cheiro inebriante, de VOCÊ. Sabe...eu tenho mania de destruir as coisas que eu sinto, dentro de mim, aos poucos, por duvidar sempre de mim por fazer sentido. Mas você...você me faz ter vontade de rimar romã com travesseiro. Você me dá vontade de não questionar o tempo, a vergonha, tudo o que atrapalha o que de verdadeiramente eu tenho de feliz. Pelo simples fato de te amar, muito, muitíssimo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mar castanho


Eu e meus olhos
Inclusive os que estão nos outros
Eles são meus, mas eu nunca sou deles.
Eu e minha boca
Inclusive a sua
Algumas vezes a minha é sua, outras, a sua é minha
Geralmente termina tudo assim, no céu delas, no mar deles.
A boca, alguns já me levaram
Mas os olhos, eles são sempre meus, não se atreva.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

No hay banda


Ele disse algo em um espanhol baixo, de conteúdo privado, só da sua boca aos meus ouvidos. Aquele sorriso na face, um assanhamento característico. Lembrei da frase da Ana c. do dia anterior, malditas lembranças que não me deixam saber se sou eu ou se são os outros. Era apenas eu, eu, eu, eu, aquele velho ego a me sufocar, mas eu tento chegar ao outro, mesmo depois de desistir algumas vezes, não diria ser completamente. Você, você, você, você, esse maldito novo mundo a me desesperar. Sentou-se na mesinha ao lado, café preto pelando, imaginei figuras se formando no contraste da espuma, e perguntei a razão daquilo... pude perceber sua busca por Neruda, mas nenhuma resposta vinha. Sabes que eu pergunto coisas das quais já sei as respostas, mas eu não me canso. Imaginar as suas respostas, sendo eu quem as realiza, é meu maior prazer. Vai, responde o que eu penso. Até cogitei ser algo baseado em suas possibilidades, ledo engano. É tudo sobre o ‘você’ que eu invento. A minha invenção me deixa a cada cinco minutos, numa tentativa de proteção dessa tal felicidade e barquinhos a navegar, numa tal de paquetá. Acredito que essa tara de escrever em guardanapos e papéis de pão seja apenas para dominar as situações, colocar essas palavras nessa tua boca, sentindo esse coração de papel. O que você realmente pensa? Fala pra mim, minha cabeça é uma guerra de você. Tenho vontades de desistir, eu te falo. Digo ainda que você mudará essas teses, desistirá de mim, assim como eu quero agora. Esse grito intalado no peito, a minha eterna prostituição de cada espera...me diz algo inútil e totalmente metafórico, do tipo se a vida é uma estrada. Eu te pergunto tudo e sempre, mas você não responde, pelo simples fato de você não ser eu, de você não estar aqui, dentro de mim, essa sou eu. Em alguma língua desconhecida, já dentro de si, ele lambeu algumas palavras ao meu pescoço, acariciou meus braços desnudos e apenas me surpreendeu com algo de conteúdo privado, de sua boca para a minha.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Fura o dedo, faz um pacto comigo.

- Você quer bancar a forte.
- Eu quero, eu banco.
- Você só esquece de todo o resto.
- A única coisa que ninguém pode me acusar é de esquecer coisas. Infelizmente, eu nunca esqueço absolutamente nada, de nenhum detalhe estúpido.
- Eu vou amar você, ou qualquer outro nome que você queira dar a esse sentimento, até o dia em que eu não te amar mais.
- Lembra daquele dia em que o sol refletindo no seu cabelo cegou meus olhos e me fez perceber o quanto sua voz é linda, além de todo o resto?
-huumm, sim.
- Então, são momentos assim que me fazem não pensar no fim. Eu não me importo, meu bem.