quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

.HalL.


A dor é psicológica...

Pegou uma caixa de lenços de papel em cima do armário e sentou com suas meias e com seus conceitos.Logo ficaram vazios.A caixa e suas certezas.Coisas que vagueiam pela nossa memória e que de repente, não mais que de repente, deixam de nos fazer sentido.Pensou por que fez tantas coisas...por que não as fez e desejou que alguém resolvesse por ela.Desejou que não existissem problemas.

As runas diziam mais que o necessário.O que ela queria ouvir, ou simplesmente um especial de fim de ano. A correria, o descaso e a sorte...todos corriam para um mesmo lugar: Desespero!

Quando o tempo corre e você sabe que ele vai chegar...e mesmo assim apenas espera o que tiver que acontecer...era assim agora.Esperava o que aconteceria.De que adianta tentar resolver algo que nem se tem idéia? É como um problema de matemática...binômio de newton.

Um professor particular? aaahh, quem dera a vida fosse simples como 2 e 2 são 4!

Vermelho, verde e branco.Fazia frio, fazia sol e com todo clima ela ainda engolia seco e segurava a língua. A raiva explodia dentro do coração e ela jogava o catalizador no quintal do vizinho.

Sede quando a água não resolve.Sede quando falta a saliva.Desidratada, ela assistiu a geladeira.

-Você é o meu catalizador! Pensou ela, trocando de canal.

domingo, 9 de dezembro de 2007

.BlisS.


Momentos,minutos, segundos, frações...
O pijama já não saia mais do corpo e a pilha de jornais agora era peso de papel e nada mais. 1 semana, pensou ela assim, como quem suspira, ou deixa de respirar!
Como quem não pensa em nada.Como quem deixou de pensar em si há muito tempo!
Ele fazia mal...mal com L ou mau com U?
fazia diferença? Ela desejou com o que podia e quando se tornou perigoso já se atirava nos campos de morango. Eram dois corações...eram um coração. Promoção de varejo,paixão com desejo.Eram um só quando lhes convinha ser. Eram dois na medida do prazer.
Mal com L.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

.The enD.



O dia nascia de uma forma plena pelos cílios penetrantes.Colados de todo líquido ela passou a mão pelo rosto e apenas isso não bastava, não era sujeira.Era tatuagem!Camada por camada, zumbido após zumbido ela sabia que o pior estava por vir. A futilidade bastarda dentro de si e a angústia paralisante bifurcando o coração perdido. Quando o tapa na cara foi dado ela respirou...respirou fundo até sentir cada folículo de impureza entrar pelo seu corpo.Quando a vergonha abateu, ela sentou e esperou o ar chegar.

Ruim quando se respira o ar mais sujo que já fora respirado.Assim como quando você quer acordar e não consegue.Quando a piada não se segue e quando ainda mais fria é a água no seu corpo. Ela olhou a cena de cinema e quis adiantar o play.Nessa hora em que os créditos aparecem e tudo passou como uma fita presa ao aparelho projetor.


Você quer esperar,talvez seja um sonho ruim e o músculo acelera. Os olhos fecham e o grito preso na garganta corre entre as cordas vocais.Ele tem vida própria.Invade cada tímpano e estimula cada glândula sensível.Nada mais a obedecia.Turvo era o muro de lamúrias ao qual ninguém parecia sair.Não relutar é o primeiro passo.
-Você viu?
-Vi!
Dor fundindo cada lasca de si e pior que isso só a mente humana buscar o que não pode ser encontrado.Consequência atrelada à vida,sofrimento inesquecível embolado de impotência, entre tantos nomes:Morte.No fim de tudo as palavras são apenas palavras e os atos não se justificam como deveriam.Se para toda ação há uma reação, aqui está a dela:
-Enxugo as lágrimas desse luto que me cerca e vejo que a vida lá fora ainda corre.Eu caminho passos largos.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

.GrãO.


Eu serei a pessoa que irá partir meu coração.Ela pensou e achou ridículo o pretérito imperfeito.Soltou os cabelos e achou que eles ficariam melhor assim.Ajeitou os pronomes e deixou que a vida corresse do jeito dela.Algumas vezes apenas cansa correr atrás da escada.Se ela nunca chega, você espera que um dia ela role até você.Vida urbana? Talvez, mas de fato ela queria sentar um pouco.

Pensar errado,pensar certo,pensar! Ela achou que era difícil chegar a uma conclusão perto de tanto porém e quis realmente falar, mas nesse momento ficou paralisada.Há um limite para o seu amor.Ela sabia, não era inocente mas as entrelinhas são para serem lidas e exatamente por isso ela o olhou com os olhos quase fechados.Não era cinismo, ela apenas o enxergava direito!

Quando a testa começou a doer ela parou.Lamentou haver tanto passado nesse presente e lamentou ainda mais estar ali.Não há porque arrepender-se do que viveu e mesmo assim ela quis controlar o guidom arrasador.

Esperou as reações para ver como seu coração se comportava e o tom oblíquo e pertinente ainda latejava suas artérias! Uma mão encosta seu braço e os outros aparecem...Passou uma borracha no conceito e firmou: Eu serei a pessoa que irá NOS magoar!
Em pele pálida sua língua é barreira.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

.Assassina de fisheS.


As cartas de setembro ficavam expostas...Ainda!

Depois de tanto julho as coisas ainda pareciam pouco sólidas!Ela esperou,esperou,esperou e sentou.

Era um parto, era um esforço, era amor.

De tanto que se faz pra que tudo permaneça exatamente como está...quando se liga a seta pra esquerda e vai direto, quando se espera do outro o que não se faz!
As pedras do aquário pareciam mais adaptadas e era como se estivessem ali sempre.Não tinha almoço, não tinha mesa, não tinha fome. A tv ligada, o computador ligado, o celular esperando...uma sucessão de gastos pelo medo do não ruído.
A bagunça espelho, o descaso condenado e a cama sobrando espaço lembravam o som do ventilador.

Secou o cabelo e pensou porque fazia isso.

-"Não podia dormir com o cabelo molhado!!"
-"Quem falou??"
-"Aaaaaaahhh, sei láá...eles falaram!"
-"Eles quem????"
-"Cala a boca e seca o cabelo"
¬¬
Qual o motivo de continuar fazendo as coisas? Ela se deu conta de quem estava se tornado dia após dia, conta após conta,lágrima após lágrima!
Lavar os pratos, passar as roupas, secar o cabelo, lavar bem atrás das orelhas...pensou que faltava o jantar sempre pronto e a camisa engomada...faltava quem quisesse comer, faltava quem quisesse amassar a roupa.
A comida do peixe, a comida do peixe, a comida do peixe, a comida do peixe...
...depois...
Em algum lugar da sua imaginação ela levantou, colocou a comida e deitou novamente.Os olhos foram pesando e se virar para o lado acabou sendo o maior prazer do dia...a dor nas costas, o vento no rosto, o mosquito nas pernas.
A música estava diferente e a hora parecia a mesma, depois de tanto embolar e cogitar levantou-se e o peixe estava morto...

-"Ahhh, que meeeeerda! eu botei a comida ontem??? botei...acho que botei...deve ter sido essa porcaria dessa água...amanhã eu compro outro peixe!"


Ela não era tão pefeita assim...alguém caçava por ela

.

.

.

diga isso ao juiz!


quarta-feira, 7 de novembro de 2007

.CherrY. .Gosto dE. .It taste likE.


[...]

-Mais uma dose?

Ela sorriu de lado e não falou nada...

-Vai escrever hoje? [Disse ele fitando o copo que agora estava da cor da bebida.Virou a garrafa inteira e ao terminar enfim deu atenção à sua resposta!]

-Ainda não sei...inspiração!...nunca se sabe quando ela vem! [encarou-o bem no fundo com um olhar cético de quem sabe que mente de um jeito suspeito!]

-Escrever sobre você? [Disse ele provocando e perguntando sabendo a resposta e sabendo que ela não seria a verdadeira.]
-NÃO! Eu nunca escrevo sobre mim... [Ela imaginou que mais cínica, impossível!]
...{São todos sobre você!}...
-Tudo bem, vou fingir que acredito, senhorita imparcial!! [Perguntar tudo bem , mas exigir sempre a verdade já é demais. Algumas vezes é importante saber que a verdade está suspensa no ar!]
-Não, eu não sou imparcial!
...{Sou mentirosa!}...
Ele trocou duas palavras com o amigo sentado ao lado e ela se deu conta de que haviam olhos demais naquela mesa...mais do que ela esperava, ou pelo menos, mais do que ela queria!Começou a reparar na toalha da mesa e as vozes foram ficando em outras frequências...eram menos importantes e de um jeito inesperado não se importou com isso. Quis se levantar, ser mais bonita ou mais inteligente, quis apenas atenção e devoção, mas dentre todas as coisas possíveis, ela foi apenas ao banheiro...
Ao virar as costas, ele sentiu uma vontade imensa de olhar de relance, mas não olhou.Virou o copo e apertou o play.
O espelho era côncavo ou era convexo? a imagem era dela ou era da outra? Da bolsa, vestiu o batom e montou no poder.Não iria mais esperar o aleatório...caminhou por entre as cadeiras e chegou até a porta. Ele estava do lado do bar, sozinho.Ela cuspiu cada sílaba:
-Não escrevo sobre mim, eles são todos sobre você!
Empurrou a porta e levou a mão à boca para parar a chuva!

domingo, 4 de novembro de 2007

.CinzA.


Não era couro, talvez fosse...a pele precisava de algo mais!A resistência do abraço deveria deixá-la segura.[Que capacidade é essa?!] O pensamento falava alto demais...certas coisas são difíceis de entender e simplesmente não fazem sentido e se fizessem,apenas não fariam! A questão de tudo é como alguém pode sentir e sentir e sentir...


A rua estava indecifrável.A neblina tomava conta dela.Era a primeira vez que isso acontecia pelo menos ela não lembrava de ter visto todo aquele branco antes.Fechou o portão e entrou, estava cansada de tanta cegueira.talvez aquele fosse um ensaio e ela pensou estar ensaiada demais.Era hora da estréia!
Dentro de casa havia tanto a fazer, mas ela apenas trocou a água dos peixes, colocou as cadeiras em seus lugares e desligou a tv.Pensou em outro animal e sorriu depois de uma certa amargura!Pra esse mal não haveria antídoto, era um suicidio de dois tiros.

Cada palavra era um martelo no músculo...mas em algum momento ela sabia que iria mudar...não se pode ter o gosto de flor na boca para sempre, as palavras começam a cortar e o sangue a jorrar pinta o luto da memória.Ela encostou-se na pia e lavou as mãos.


No fundo tudo o que ela sempre quis dizer:

- [...]e a gente sempre pode ser feliz.

domingo, 28 de outubro de 2007

.Contra- indicadO.


Sempre quando chovia ela esperava o cheiro de terra invadir a sala. Era lindo e ela morria de medo! Medo de tanta perfeição. Como é possível enxergar um futuro quando nem se tem o presente? Era assim... Cheio de rimas e cheio de fúrias... Mas também eram felizes e até poderia dançar se quisesse... Dançar sobre as mesas e fazer a festa de sempre. Ou fazer diferente e esperar a rosa daquela semana!


Quando viria a vontade de chorar? Quando viria a angústia? Ela tinha medo de si! Não era da mágoa... Também era essa mágoa, mas o que provocava a sensação lancinante era ela! Conhecer-se a si mesmo era um fardo e uma pontuação. Sabia do que era capaz e era como ter uma doença incurável! Esperar algo que vai acontecer sem impedir, ou sem querer!


Algumas vezes na vida de todo mundo as pessoas fazem coisas erradas e talvez se arrependam disso. Talvez tenham orgulho disso. Talvez chorem ao lembrar e até quem sabe façam de novo sempre que podem! Ela se perguntou mais uma vez o que era certo!
A chuva trazia a noite e com ela um filme velho no DVD com um edredom e muita meia. O banho chamava, mas a pressa de chegar trazia o perfume perdido...


Era uma vez...

...Um mundo cheio de bocas e de mãos... Cheio de nomes e de atos vãos... Era dele e dela num abraço fechando os portões!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

.ManivA.


Era noite e era também dia de caça. Os cheiros e os tons eram ainda sedutores. Era festa e era uma trapaça. Elas estavam à sua espera! Para uma novela era uma boa trama. Ele realmente acreditava em cada palavra que dizia? Ficava difícil assimilar tanta coisa, tanta informação se a bagagem dele era maior, se a vontade dela era ainda menor!


Na mesa estavam dispostos os argumentos e os cigarros. Não tão ingênua, não tão safo! Ela procurava nele cada palavra, cada verdade. Era difícil! Era como se ele mentisse a cada suspiro que desse. Entendia que parcelas faziam parte da indução! Óbvio que nem tudo era mentira. Se ele amava alguém? Se ele sentia solidão de noite?Se ele sofria? Isso apenas ELE sabia. De certo, a gente sofre por querer de algumas 99% das vezes, mas ele não parecia iludir. Não criar expectativas, como dizia!
De todos os erros que se comete, esse parece ser sempre o pior! Esperar mais do que se pode ter. Esperar algo que você não pode controlar.


Ele parecia ser um tanto excêntrico para suportar as reações, mas de certo, a noite sempre vem e as fêmeas também, mas desse mesmo jeito elas podem ir embora e algumas não voltam mais. Algumas aprendem que o egoísmo impede tantas coisas! E elas devem mesmo ser impedidas!


A noite sempre vem e com ela o dia ofuscando seus olhos e clareando os dela!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

.21 GramaS.




Algumas vezes a cortina abria pequenos espaços e dava pra ver um lado de fora diferente!Tinha preguiça de levantar e enquanto esperava a coragem chegar ficava ali...olhando os espaços de mundo pela janela! De todas as 24 horas, essas manhãs eram momentos que não dava para fingir. Era um descabelo, uma pouca roupa e muita entrelinha exposta.

Dizem que pode-se enganar o mundo, mas a si próprio , é impossível!! Será? Algumas pessoas mentem pra si uma vida inteira, mas isso não quer dizer que não existam seus lapsos, isso não quer dizer que sejam mentirosas.São apenas infelizes! Ela pouco se importava para o que diziam! Para o que achavam! Apenas um pouco de luz no quarto era suficiente nessas horas. Sozinha? não, ela estava acompanhada de si e algumas vezes isso basta. Quando só você entende a raiva súbita de qualquer coisa. Quando nem você sabe o porquê das coisas.

A dormência ainda permanecia no corpo e ela continuava a fitar o que os olhos alcançavam. Era melhor mesmo que a cama não pudesse falar! os fatos tinham boca e ela cansara de falar, sentia pena de quem havia desistido de pensar e quis que a preguiça fosse pra sempre!Os diálogos eram demasiado antecipados e decidiu deixar cada um acontecer no seu momento, sem criar as falas dos outros.Sem atropelar o que não era seu.

O vento derrubou a cortina e fez do quarto a rua...
ela levantou-se e disse em voz alta:
-21 gramas...

Tirou a roupa e lavou a alma!


21 gramas...Dizem que esse é o peso da alma...às vezes ela achava tão mais pesado!

sábado, 13 de outubro de 2007

.MemoirS.


Aquele parecia ser um daqueles momentos que aparecem nos filmes em que a personagem olha pro nada e parece entender os meios e os fins... ela toma uma decisão e a música entra no meio de tudo pra disparar seu coração!!

É...o vazio estava lá, mas ela esperou que a música tocasse.Ela não veio e pensou que talvez fosse melhor...talvez ela fosse péssima atriz. O que se pode evitar é de bom grado!Talvez a presunção a incomodasse mais. Se ver nas coisas que a constrangiam! Era como se ela fosse o que convinha ser!Fosse o momento de resolvida, fosse o momento de inocente, fosse o de verdade! Se assustava? Talvez esse fosse o seu normal e ela tinha medo apenas do futuro. Apenas das coisas que ela viria a ser.
Deitou-se no sofá e procurou o vento.Abriu a janela e desejou realmente que alguém perguntasse o que ela sempre quis dizer em voz alta...quem sabe para acreditar...não se volta atrás na palavra dita.Não quando realmente se quis dizer isso.
-O que você espera de si?
-Eu quero uma vida que seja minha...talvez eu seja ela...eu poderia ser ela...somos tão diferentes!
Seu coração bateu forte e ela pôde enfim ouvir a música...
ela teve medo...
e era bom!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

.A Inve(r)sãO.

[...] [ela]O que seria um jogo? Ela quis saber e não se pergunta o que não pode ouvir.Pois bem, pergunta-se , porém a dor é de cada um e o peito que se sente também.[ela]E quando vc descobre-se dentro de um?Ela quis saber e pior que tudo era ter a certeza que uma vírgula se punha entre os dois.[ela]Vamos, fale-me!!
Ele era cauto e sabia usar as palavras , mas não há maquiagem para um sofrimento que dure para sempre.[ele]O que desatina um suposto? Ele não entendia porque ela pensava nisso agora...depois de tantas linhas ela queria saber detalhes!
Eles haviam ficado no passado, esqueça!
Ela sabia exatamente onde as coisas encaixavam e mesmo quando se diz que não, cada um sabe o que está fazendo, pra onde está olhando, porque está sofrendo! O jogo era o dele, o dela era dela.
Pensou rápido para desvendá- lo... para não virar o alvo. olhou dentro dos olhos e perguntou outra vez:
-Conte-me...o que vc fez de mim?[ela]
.
.
.
E quando vc disse não cada lágrima de sangue invadiu meu pensamento!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

.A OndA.



Escutou o som do portão se fechando e um vaso pulsou no pescoço.A respiração dele estava ofegante e o coração parecia um tambor.Deduziu que deveria estar correndo.Ela ouvia cada batida e quis equalizar com o seu.Não pôde! O seu quase parava e ela respirou fundo.Sentiu cada partícula que passava pelo nariz e viu o vulto passar pela sua frente. Do banheiro, ele gritava algo que ela não prestava muita atenção.Estava lavando as mãos. Ouviu quando ele falou de germes ou algo do tipo.Tinha mania de limpeza.Seus pensamentos eram altos demais! O jeito que ele agitava o ar ao passar...O cheiro que permanecia...O tom da voz.Como seria o corte de cabelo novo dele?Quis tocá-lo.
E se pintasse o cabelo de roxo e usasse saia?Ainda assim seria a voz que flutuava nela.A voz proibida.Ela queria poder tanger aqueles sentidos, mas eles não eram moscas e ela logo percebeu isso.Como deter o que não se pode tocar...O que não se pode ver?! Ele continuava a falar e eram apenas anagramas que não faziam sentido nenhum.Ela começou a se preocupar.E se ele a fizesse alguma pergunta? O que ela iria responder??Tentou concentrar-se e quando ouviu algo foi:
-"A consulta já está marcada?"
-Sim...claro!
Ela mentiu...Adiou aquilo o quanto pôde, não poderia mais fugir. Ela era puro ceticismo e ele pura aventura. Falou que iria sozinha e sentiu um golpe nas costas...seus olhos agora pareciam com o céu estrelado.Holofotes que deveriam iluminar... uma dor instalou-se no peito e o lugar continuava o vão solitário.Ele disse:
-Você é como uma irmã pra mim...Eu quero estar com você.
Ela ficou muda e pensou se poderia ficar pior...
fosse melhor não falar...fosse melhor enxergar!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

.VerticaL.



[...] e os carros passando já não pareciam mais tão distantes.Pra onde eles iam?Ela parou um pouco e resolveu sentar no banco.Da sombra que estava avistava de longe uma fresta de luz que destacava a poeira brilhando como estrelas em plena luz do dia.Era uma cidade grande e de que adiantava tanta coisa pra se ver e olhos tão pequenos pra se esconder?Ainda pensou em se perder mas ela sabia aonde daria cada caminho...eles iam todos pra um mesmo lugar.Ela preferiu não se mexer.Teve medo. Do seu lado sentou-se um homen.Talvez ele fosse conhecido.
Ela não se deu ao trabalho de olhar para o lado.Como instinto, esperou ouvir a voz e reconhecer.Apesar da luz estava frio, mas ela não vestiu o casaco e mesmo com o vento jogando o cabelo sobre o rosto ela simplesmente não se importou.Quis ficar estática.Quis permanecer.
- O que você tanto olha?[Indagou ele tentando entender o que tinha demais naquela rua cheia de carros e suja com gente embrutecida, gente alegre...]
-Pra mim.E voce?[Ela ainda olhava para a rua]
-Pra vc! [Ele estava olhando para ela e esta respirou mais forte!]
-Então porque você não olha pra lá? [Falou a guria apontando a rua]
-Porque eu prefiro esse horizonte. [Disse estático]
Ela escolheu ignorar aquele lapso.Por um momento torturou-se procurando qualquer palavra que fosse pra falar.[Vamos..pense em alguma coisa..qualquer coisa!!! aaaaaahhhhhh!]
-E o que vc faz por aqui?[Enfim algo!]
-Me perdi!
Levantou-se e os lados já não importavam...ela seguiu qualquer rua, olhou para trás e falou:
-Se quiser pode me acompanhar.
Ele sorriu e esperou que aquele caminho levasse a algum lugar.Ambos caminhavam para si!

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

.BoatoS.

Ela quis mudar,ser diferente! Não sabia ela que as coisas se encarregam de mudarem por si só!Todo aquele desespero era no fim, só desespero. Gostava de calma, de noite e de gente. Gostava até demais. Sentou-se na escrivaninha do quarto e pegou papel e caneta... Escreveu como estavam as coisas e de seus sentimentos mais ferozes. Contou da saudade, das risadas que gostava de dar sozinha depois de tanto tempo quando lembrava de algo bom. Quis que visse o quanto havia se transformado. Lembrou uma última vez do que já não era e despediu-se.


Fechou-a num envelope branco e abriu uma gaveta do lado. Despejou o envelope em cima de várias outras cartas. Olhou os papéis amontoados na gaveta e se perguntou se o conteúdo era o mesmo. Fechou a gaveta e pensou que talvez nunca as enviasse ao destinatário. Eram todas para a mesma pessoa, eram todas de pessoas diferentes sobre o mesmo assunto. Era tudo sobre ela!
Foi até a cozinha e fez um café. Queria sair, conhecer gente nova! Falar com quem não falava, rir de quem merecia. Sentiu pena do entregador dos correios e colocou um CD conhecido. Dançou sozinha e esperou a noite passar.
Ela olhou para o redemoinho de idéias diante de si e quis se atirar... Mas era cedo demais, ou tarde. Nem ela sabia! Eram apenas boatos!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

.Castelo de cartaS.


Estava cansada demais para perceber que os segundos passavam e as chances iam ficando para trás.Deitou e resolveu que não sentiria culpa por não estar fazendo o que deveria, recolheu a fronha madrigal e não recorda o momento em que adormeceu.Onde ficava o início do sonho, onde ficava o desejo daquilo.Também sonhava acordada,mas dormindo parecia escancarado.Dormindo não era escolha.Acordou subitamente pensando que estava na hora da aula de manhã.Pensou estar atrasada e correu pra ver o relógio da cozinha.Era de tarde.Sentiu um alívio por estar enganada e voltou a dormir.A cena iria se repetir por mais três vezes quando o calor a despertou de vez.Tomou um banho para se refrescar e caminhando pela sala, viu pela brecha da porta o preto azulado e foi até a área.Acendeu um cigarro e pensou sobre o sonho!Sentada numa cadeira sob o sereno, se confundiu! Afinal, qual era o real ensejo?O subconsciente despertava algo que a mente fugia há meses. Ela desistiu de si e resolveu não intervir em nada.Quis ligar o piloto automático e deixar tudo tomar seu devido lugar.O cigarro acabou e ela entrou! Na TV, escândalos "renando" seus sentidos e no peito a certeza que dias melhores virão.

domingo, 23 de setembro de 2007

.TraçãO.


Os olhos queriam permanecer fechados. Ela começou a pensar e desejou esperar que tudo se acalmasse, mas o peito era um turbilhão que não parecia ter jeito. Quis ligar, mas teve medo da voz. O tom da chamada era como um tambor aos ouvidos. Desligou!A angústia permaneceria. Não havia nada a fazer, ela continuava a vagar entre as soluções e quanto mais pensava não conseguia concluir nenhum raciocínio. Eles intervinham uns no meio dos outros e não havia nada mais irritante do que tentar concentrar-se e não conseguir. Era como ler alguma coisa e ter que refazê-lo 11 vezes pra pensar que havia entendido. Mas na verdade perceber depois que era só pra não ter que ler 12 vezes.
Ela tomou um banho e deu tempo ao tempo. Teve algum consolo e ele bem sabia como ela era. Muita gente não conseguia entender, mas ele conhecia cada ligação dentro daquela mente. Olhou pra ela e estava tudo escrito lá. Não eram lágrimas, não era nada disso. Era algo mais... Era sintonia!
Ele quis tirar o peso de suas costas e perguntou:
-Você sempre se tortura assim?
-Sempre e você? [Assim que fechou a boca,ela arrependeu-se da pergunta e temeu a resposta!]
-Eu penso em ti!
Ela cogitou sorrir, mas apertou sua mão num gesto de carinho e levantou-se... Ela tinha medo, mas estava dando um tempo... Tempo pra si... Tempo pro mundo se resolver. De longe sabia estar sendo observada e aquilo lhe dava segurança. Olhou pra trás e ele havia se levantado. Quando se virou novamente ele estava em sua frente. Aqueles olhos mexeram com ela e ela pôde apenas dizer:
-Não se torture assim!

sábado, 22 de setembro de 2007

.ShhhhhhhhH.


Ele perguntou e ela disse que não!Teve medo mas era isso que a fazia continuar.Não pensou duas vezes.Não contaria a verdade.Ele não compreenderia!Não havia espaços para descobertas e ela não pensou em consequência nenhuma.Estava tão cheia de mentiras que já acreditava em si.Pra ela todas realmente aconteceram.Talvez sonhasse com elas.Fosse dormindo, fosse acordada, ela só queria melhorar as coisas.Talvez não fizesse por mal, era a saída mais fácil.Em casa, sozinha com as verdades, sentia pena de si.Não tinha certeza se era tarde demais para voltar atrás e desejou que nunca tivesse começado aquilo.O telefone que não tocava e ela agradeceu.Não queria continuar e falar era um começo perigoso!Todos os dias dizia que não faria mais e a campainha tocou...
-Você jura que fala a verdade?
-Juro!
abraçaram-se e nele o alívio! Nela a vantagem!
Era tão convincente que decidiu continuar mais um pouco.Ninguém descobriria, ela era boa demais.Talvez isso também fosse mentira, mas ela sempre acreditava primeiro!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

.InstituiçãO.


Ainda estava tudo escuro e o edredon a cobria.Sentiu uma mão roçar pela perna e amolecida, retorceu-se e abriu os olhos...estava ao seu colo um café da manhã.Ele tinha o hábito de fazer isso...sentiu um apontada no coração e pensou como ele podia ser tão perfeito!O frio do quarto estava glacial e enquanto tomava coragem para se levantar fitou-o. Ele fazia tudo sozinho e mesmo depois de alguns anos parecia não dar trabalho.Foi tomar banho e ela o seguiu...Eles conversaram um pouco sobre os afazeres diários e ele prometeu chegar mais cedo para passar mais tempo com ela...sentia falta dos tempos mais calmos, mesmo que fossem mais econômicos!Ela fez que sim com a cabeça e disse que prepararia algo para os dois!Despediram-se e ele foi trabalhar como em todos os dias.Ela estava de folga, mas já tinha compromisso para aquele dia.Ele não sabia!
Passou o dia pensando em quando chegasse em casa e em como apreciava o cheiro, a beleza, até as piores coisas naquela mulher.Ela tirou o carro da garagem e seguiu seu destino. O perfume e o vestido eram novos. Ela bateu em um apartamento longe do centro e um homem de barba discreta a recepcionou.Olhou-a de cima a baixo e no segundo seguinte ela pulou em seus braços e num vulto estavam deitados na cama envoltos num lençol branco de seda.Ela gostava daquele cheiro...ele era errado, na hora certa!pensou que era loucura e mesmo assim desejou estar ali sempre...sempre que quisesse!Ele perguntou do marido e ela disse que estava trabalhando! odiava quando ele perguntava coisas do mundo lá fora...coisas que não pertenciam aqueles momentos.Aquelas quatro paredes eram doses de alívio pra ela...era profano e ainda assim,sagrado!
No caminho de volta ela chorou...por não entender nem a si!Tomou um banho como se aquilo a livrasse de todos os pensamentos e sentiu-se nova e limpa! Preparou o jantar e perfumou-se.Quando ele chegou,como prometido mais cedo,ela estava esperando por ele.Um beijo a sua espera e uma rosa na mão...ela perguntou-se outra vez qual era o seu problema e uma voz em sua cabeça não parava de repetir "SAFADA!"
Colocou o avental e perguntou como tinha sido seu dia no trabalho...ele disse que triste sem ela...serviu o jantar e comentou sobre seu dia sem ele! Apenas desejou que os pratos não quebrassem!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

.2+2=5.




Ela procurava uma pasta no velho guarda-roupa e um movimento errado fez tudo cair sobre si. Vários lençóis, caixas velhas... Coisas que ela nem lembrava que existiam! Seus olhos petrificaram ao encarar uma caixa antiga e cheia de poeira largada no fundo... As coisas no chão de repente pareciam não existir e ela fitava sem acreditar a caixa púrpura.
Era como se um turbilhão invadisse sua cabeça e ela não conseguia fazer mais nada além de erguer os braços em direção ao objeto e de fato ele tinha um ímã chamado lembrança. Pegou a caixa e a levou para cima da cama... Ficou olhando para tal esperando que algo como uma bomba-relógio fosse explodir em suas mãos, mas nada aconteceu e ela pensou que não poderia ser mais perigoso que isso... Ela sabia que isso era mentira, mas seguiu em frente mesmo assim e jogou tudo em cima da cama.
Fotos, cartas, folhetos, ingressos, uma vida de memórias permaneciam ali, Intactas depois de anos! Era como assistir a um filme... Ver a vida de outrem!Leu as cartas que recebeu e perguntou-se pra onde todas aquelas pessoas tinham ido!Pra onde ela havia ido! No fundo da caixa achou um velho diário e não pôde conter-se... Começou a ler e riu bastante ao se deparar consigo tão boba e ingênua... Por quantas coisas ela havia passado depois de escrever aquelas linhas... Se os amores deram certo, se os filmes foram bons,se os anos foram serenos... Ela sabia de algumas respostas e sentiu uma dor que só se sente quando se depara com verdades... Perguntou-se se faria tudo igual, mas quem sabe dessas coisas? Provavelmente sim e mesmo que quisesse fugir antes do final alguma coisa a impedia. Se era a propensão pro desespero ou o que quer que seja, ela não sabia! Apenas guardava o passado numa caixa ao seu alcance, sempre num lugar diferente. Surpreendia-se com tanta mudança e sabia que sempre voltaria ao ponto de partida.

domingo, 16 de setembro de 2007

...




A chave rodou mais uma vez em ambos os apartamentos.As maletas ficaram pelo caminho no sofá da sala e numa baforada, a cadeira serviu de consolo! Quando a coragem deu brecha levantou-se e foi na cozinha, ela abriu a geladeira e achou que seria melhor pedir uma pizza!Ele continuava na cadeira e quando levantou-se abriu uma cerveja e os dois estavam olhando para a porta como se alguém fosse abrir e entrar reclamando que o sindico reclama demais e que foi fechado no estacionamento de novo por algum motorista idiota e que não aguentava o clima daquela cidade e estava pensando numa viagem pro feriado que se aproximava!!O vento bateu no mobile em frente a porta e ele olhou pela janela os prédios cheios de gente...gente que ele não conhecia! Ela foi para a sua janela e pensou o mesmo! Ninguém entraria em seus apartamentos. Depois do banho ela ligou o computador e feitas algumas correções, um pop-up apareceu na janela do pc e ela achou que não faria mal pelo menos entrar numa sala de bate-papo! Sentiu-se
ridícula por estar fazendo isso e era como se estivesse sendo vigiada , cobriu a tela com o corpo, escolheu um nome qualquer e disse pra si que seria bem rápido, só por curiosidade! Ele pensou que seria engraçado fazer isso aquela noite, pelo menos não pensou em nada melhor pra fazer e estava determinado a não mentir...não dessa vez!
E o que era para matar a curiosidade rendeu uma boa parte da noite e num dado momento depois de algumas risadas que fariam diferença no dia seguinte a pergunta veio:
Ele:-"Vc está fazendo o que?"
Ela:-"Eu to comendo pizza e vc?"
Ele:-"Tomando uma cerveja!"
Nos rostos sorrisos que não podiam ser vistos e a certeza que o barulho da chave estava perto!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

.SiM.


Ele entrou como uma furacão arrastando tudo o que podia pela frente! Passou pela porta do quarto e num giro de raiva bateu a porta na falta de um grito!! Olhou pra porta e sentiu uma vontade avassaladora de quebra-la em mil pedaços com murros mas o que fez foi encostar a cabeça e segurou os cabelos e os puxou com tanta força que quase pôde sentir o couro cabeludo deslocar-se.

Deu pra sentir uma gota quente escorrer pelo rosto e quando ele virou-se viu tudo cinza e uma onda de ódio varreu tudo em sua frente...não era mais cinza...era nada!

ele quis gritar , mas quem iria ouvir??...pensou :"foda-se!! eu vou ouvir e eu vou sentir"

E gritou...até deixar de ouvir! A garganta agora estava rouca, mas ele não precisava falar....ouvia os pensamentos e já não sabia se era o certo!Ele pensou em parar de pensar! Daria menos trabalho, mas pelo visto, o plano não era esse!

Ele fitou a parede e antes que pudesse abortar o movimento, acertou em cheio os azulejos que eram brancos...e agora eles tinham um pouco de vermelho e tinham um pouco de dor também...

Olhou pra mão quebrada e para o sangue escorrendo.Lavou-a e pensou que estava muito cansado...quis dormir...e no fundo, um bom conselho latejava...mas apagou a luz e as estrelas de neon no teto pareciam reais demais para se acreditar nos outros!! Fechou os olhos e desejou que o amanha fosse realmente um outro dia!!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

.RotinA.




Enxugou a última gota de água que escorria pelo seu corpo e desejou que a sensação persistisse! ela olhou pra mesa onde ficava o computador e realmente desejou que ele fizesse tudo sozinho..queria um piloto automático para acordar com todos os relatórios prontos! [Será que isso é possível?? Se alguém inventar, eu compro!!!!] Tirou os nós dos cabelos e apesar de ser uma tarefa chata, ela gostava daquele tempo pra ela depois de um dia de cão! Cada ritual era como se fosse sagrado e mesmo não tendo ninguém pra sentir o novo óleo de maracujá que ela comprara, gostava mesmo assim....estava sempre preparada!! Decidiu que então se daria um presente!! [Nada de trabalhos por hoje!! só por hoje!] Como ela quis uma massagem naquele momento...olhou pra cama e estava uma bagunça! Ela realmente gostava de dormir no meio daquilo tudo quando estava muito cansada!! gostava de dormir já quando estava desmaiando.... da dor nas costas quando finalmente se esticava na cama!
Ela arrumou tudo e deitou-se e quando sua cabeça encostou o travesseiro, sentiu o alívio e pensou ter acabado! Foi quando ela começou a pensar em tudo, menos no sono!Já estava ficando perturbada quando pensou [E se eu visse algo agora??! E se eu abrisse o olho e tivesse alguém olhando pra mim agora??] Abriu só um olho e fechou-o como que instantaneamente! [Eu vou fingir que durmo!! será que isso engana as almas??!] Pensou que não! Mas a última coisa que queria era abrir os olhos! Então continuou a farsa!
Quando não aguentava mais, quando tudo o que queria era dormir, ela sentiu um grande medo! Medo de dormir e não acordar mais! Apertou ainda mais os olhos e sentiu-se num encruzilhada! Pelo menos se morresse seria dormindo..mas pensou ser nova demais pra morrer dormindo..isso é coisa de velho!! Num impulso ela levantou, ligou a tv e voltou pra cama...[Mas que saco! Amanhã mesmo eu vou comprar um cachorro..ele deve ser o melhor amigo da mulher também!!]


segunda-feira, 10 de setembro de 2007

.ConstruçãO.


Ao descer do carro viu um grande portão e aquilo parecia de alguma forma imponente..talvez não para ela, mas agora que estava entre eles era como uma lei de sobrevivência! [Você precisa agir como eles]- pensou ela! - [ou pelo menos não atrapalhar os rituais!]. Eles tinham suas próprias cores e o barulho ensurdecedor de tudo a deixava aterrorizada, mas mesmo assim ela quis demonstrar serenidade!

De onde ela estava sentada via um mar de gente gritando, vibrando, distraindo-se! Ali não havia fome, escândalos na política...ali era um problema particular de tabelas! Nada tão grave...nada que concentração e trabalho em equipe não resolvesse.Ela viu vendedores ambulantes por toda a parte! As câmeras e as figuras bizarras faziam parte do show e com todo orgulho [o assassinato à gramática pelo- FILMA EU- chegaram a parecer engraçado e isso começou a preocupa-la!

Ele quis tomar todo o cuidado....estava levando ela pra um mundo que nem ele sabia direito o que era...a diferença era que fazia parte dele desde sempre e para ela era uma dessas coisas que mulher faz pra agradar que nem ela sabe porque tá fazendo...isso quando ela não tem certeza absoluta que vai dar o maior trabalho depois. Continuava tudo meio sem sentido, depois de vários tiros de meta e algumas cobranças de falta até que o propósito de tudo finalmente se cumpriu...A bola estava na rede e uma onda invadiu seu corpo como um choque que não se sente...eu sei, mas eu não sei! Aquilo era um gol e ela só conseguia pensar se ele havia tirado a toalha molhada de cima da cama.
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Melhor nem perguntar!! [pensou ela e num pulo abriu os braços e o abraçou...]
AAAHHHH! deixa a toalha pra mais tarde!!

.colorações.


Ela abriu os olhos novamente e as luzes se fundiram...eram tons de vermelho verde e azul e ao fecha-los ainda podia vê-las. Dançavam e a chamavam como em um sonho e pareciam saber o caminho [seria o certo? pensou ela com cautela!] Um vento quente vindo do sul a fez lembrar que o mundo estava em câmera lenta e mesmo com todos os sons do universo, ela ainda preferia sentir! Fechou-os novamente e tudo o que via eram os vultos se movendo o quanto podiam.Pensou que as coisas ficavam melhores desse jeito e quis nunca mais abri-los mas lembrou do mar e achou que algumas coisas valem a pena serem vistas!Uma voz familiar e uma mão mais ainda contornaram sua aura.Ele perguntou tão proximo que ela se confundiu se estava imaginando: -"O que você vê quando apaga as luzes??" e ela sem exprimir ruído algum respondeu: -"Eu não posso te dizer , mas eu sei que é meu!"

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

.Jingle Bells.


Era uma manhã como tantas outras a não ser pelo caos instalado nos cômodos da casa e aquelas canções vagavam pela sua cabeça bem como tantas outras de outros anos!
Ela estava estatelada na cama e ainda esperava a coragem para se mover!Era o único dia perfeito do ano não importava o que acontecesse! E ela sempre esperava... E sempre lembrava de tudo com saudade!
O café estava pronto e ela podia sentir o cheiro de manhã! Olhou para o que não fazia parte dela havia tempo! Como era bom ouvir todas aquelas vozes em uníssono! O som do fogão a todo vapor e das facas cortando e sentir o vento frio no pescoço!Chovia e era como se cada gota caída fosse um pensamento perdido! Ela adorava dias iguais e por incrível que pareça esses dias eram todos assim... Talvez ela esquecesse do último e achasse isso ou simplesmente as tradições falem por si só.
Ela gostava e era como voltar no tempo! Sentia-se criança de novo e aquele era o único lugar pra isso... Sempre que estava sozinha [quando era possível!] sentia uma dor no peito... Talvez seu coração estivesse demasiado encharcado... Encharcado de passado!
Se ele diminuía, isso ela sempre esquece, mas assim como esquece sempre lembra depois! Afinal, sua única certeza era que a árvore seria enfeitada e ela lembraria de tudo outra vez!


quarta-feira, 5 de setembro de 2007

.Eu sei o que você fez noite passada.




Ela acordou e olhou ao seu redor com certo espanto! Tentava reconhecer o lugar... Parecia-lhe familiar, então ela esfregou os olhos e tentou fazer tudo parar de girar! Talvez seja essa a familiaridade [Pensou ela com certo deboche!] – “Mas o que é isso?! Isso lá é hora pra ironia?” falou agora em alto e bom som, como se estivesse reprimindo outra pessoa.
Perto da cama tinha uma bandeja com o café da manha mais lindo que ela já tinha visto![Eu odeio café da manhã, mas esse eu vou ter que comer!]. Morangos, torradas, patês, suco de laranja, bolos... -“Definitivamente, essa não é a minha casa! E se eu puder escolher eu vou ficar por aqui mesmo!”.
Ela estava tão distraída com a nova cena que desistiu de tentar lembrar como ela chegou até aquele lugar, ela não lembraria mesmo! –”Sei lá, vai ver eu fui abduzida por seres mais evoluídos! Com esse tratamento, só pode mesmo!”. As paredes eram de uma cor púrpura e abrigavam quadros que ela desejou ter pintado. Ela sempre quis ter uma habilidade! Saber fazer pelo menos uma coisa muito bem.
Olhou os retratos e eles denunciavam demasiada felicidade... Quem exporia as brigas, as tristezas? Ninguém quer esses momentos atirados na retina em plena manhã! O problema seria apagá-los junto com a inexistência dessas fotos... O problema é que algumas pessoas só lembram desses momentos.
Ela mergulhou numa mágoa que a conduziu até a noite passada e isso a fez lembrar do que quis esquecer! A porta fez um barulho e uma mão apareceu na maçaneta dourada! Seu coração parecia pulsar na laringe e a fresta era suficientemente grande para revelar o tal segredo...
Um homem alto e de cabelos negros olhou-a com um sorriso de canto e parecia que ele tinha muitas respostas! Ele apertou os olhos num sorriso sedutor e falou:
-”Você vem sempre aqui”?
Ela riu e respondeu:
-“Só quando eu me perco!”.



terça-feira, 4 de setembro de 2007

.7+7=14+7=21.




Junto ao crepúsculo a vontade de se perder na noite estrelada tomava conta dela!E aquele velho personagem já desabrochava...[agora ela era segura e pronta de sua situação! faço o que quero! não devo nada a ninguém! e não me importo se você pensa errado de mim!] A canastrice algumas vezes a denunciava mas ela até que enganava bem.



Com o vento frio no rosto ela caminhou com a segurança usual e com graça destruindo toda e qualquer barreira. Perto da banca encontrou um grupo de amigos e prontamente preparada para a noite sabia e reconhecia os jogos!


Fria e calculista, olhou para o lado e uma gota de suor escorreu pelo seu corpo! Isso ela não poderia controlar..nem a cavalaria dentro do peito! [tun-tun Tun-Tun TUn-TUn TUN-TUN]

Na mira de seu olhar estava ele...com o pé atrás, olhando pra ela e achando tudo menos o que ela realmente pensava!


O barulho foi interrompido e era como se o mundo tivesse parado pra aquele momento acontecer...os bebês pararam de nascer, os aviões pararam de voar...a única coisa que se ouvia era a simetria dos dois corações! Os passos foram se aproximando até que a única coisa que pudessem ver fosse um ao outro!


-"OI!" [meu Deus , eu amo ele]

-"OI!" [eu acho que eu amo ela]


Cada um foi para um lado da noite e parece que as estrelas não foram suficientemente claras para o medo do escuro!




segunda-feira, 3 de setembro de 2007

.enfim.











Foi como um redemoinho que chega sem avisar e devasta tudo dentro de si. Como uma vida muda em menos de 1 segundo?! Ou melhor, como a morte muda uma vida tão devastadoramente?Ela caminhou pelo saguão branco de listras azuis e pensava em tudo! e pensava em nada!.Talvez nem se desse conta ainda de tudo o que lhe assolava! As palavras pareciam flutuar dentro de sua mente...dançavam, sambavam e tão afoitas não conseguiam se organizar!Ela pensou que deveria parar um pouco com tudo aquilo...eram tantas coisas para resolver, tanto pra conversar...tanto pra chorar!




Quando cansada de tanto alvoroço, resolveu procurar um quarto que estivesse desocupado para poder enfim escutar nada além de sua respiração! Depois de algum tempo procurando ela finalmente o achou e certificou-se que estava trancado...queria um momento pra si...pareceu egoísta naquele momento , mas ela não se importou. talvez fosse mesmo!






Quando ao redor e as coisas ainda pareciam as mesmas...a cadeira em seu lugar para sentar-se...a cama com cabeceira que abrigava o telefone e uma bíblia. Ela pensou estar sozinha como nunca e reparou que sua respiração estava cada vez mais dolorosa...respirar ficava difícil e pensar era um exercício penoso! Ela ligou o ventilador e sentou-se na cama...enquanto seus cabelos eram afagados pelo vento, seu rosto doce sentiu o calor da lágrima e com isso o alívio da voz de uma dor!...Enfim, ela pode descansar!

.suspenção.




[...]Foi como mudar de faixa...simples...um click e estava tudo fora do lugar...ela se perguntou quando não havia percebido! e por que havia perdido o controle de si e das coisas!era ruim imaginar o acaso...talvez ele seja amigo...talvez não...respirou e sentiu uma dor no coração...as vezes isso assustava!mostrava pra ela que o ponto final poderia tomar o lugar da vírgula.tentou concentrar-se comprimindo toda a angústia...Agora me acorda que eu não quero sonhar errado- MAS NADA ACONTECEU-.[...]

.Vermelho cinza.




[...]Sentiu uma domência repentina nas extremidades dos dedos das mãos, as cores foram ficando cada vez mais confusas, sentiu-se leve como uma folha e uma súbida vontade de acordar tomou conta dela...mas ela não conseguia. Tudo bem sonhar..mas tentar acordar e não conseguir causou um certo desconforto nela...ela começou a achar que aquilo não era um sonho e sim um pesadelo!Um pesadelo do qual ela ainda não conseguia temer! "É...talvez ele ainda tenha jeito"[pensou ela] - andou bastante, mas pelo seu caminho não encontrava alguém que lhe respondesse nada! nesse lugar haviam apenas pessoas com corpos de gente, mas no lugar das cabeças estavam indefinidos, como se alguém houvesse apagado suas fisionomias =[ ...quando de repente uma mulher de boca escarlate aproximou-se dela e chamou...."-VENHA...por aqui!"Ela andou...aquelas cores chamaram sua atenção, e ela foi acompanhando sem conseguir definir o que estava acontecendo..sem conseguir dizer pelo menos um "-Quem é vc?"mas aquilo não importava pra ela...pelo menos não daquela vez...era um outro lugar...era um novo lugar. [...]

.Signo.




[...] Ela andou mais uma vez pela sala.estava tudo como não deveria estar.passou a mão pelos cabelos - como era de costume - tentou achar uma solução...o coração saltava-lhe pela boca! ela precisava resolver tudo aquilo..mas como?Na cabeça dela era como se tudo fosse se resolver a qualquer momento...sozinho...mas isso dificultava ainda mais as coisas...Sua mãe colocou a cabeça no vão da porta e percebeu seu semblante perturbado.Perguntou o que estava havendo e ela respondeu com um:


- "NADA!"


melhor assim, ela só iria piorar as coisas[...]

.multidão.






Era um lugar de muita gente.Uns que não se conheciam, outros que se viam sempre, gente que pensava que se conhecia...Aquilo despertou a curiosidade dela.Como será a vida de cada i,a daquelas pessoas? Adorava imaginar o que não podia confirmar...supor!
Do outro lado da rua estavam duas mulheres conversando.Uma tinha o cabelo curto e negro, caindo sobre o rosto magro e um pouco nebuloso. A outra era de cabelos longos e tingidos, ancaracolados e que reluziam o sol balançando sobre as costas.A 2ª mulher tinha uma maquiagem carregada, o que chamou a atenção dela...plena luz do dia!
Essas mulheres conversavam bastante e a de cabelos negros estava fazendo muitos gestos e parecia ficar sem palavras algumas vezes...já a outra não! Era muito mais decidida e parecia tomar rédias das coisas sempre! Mas de alguma forma ela parecia ter problemas! Ela ficou analisando a cena e quis supor o que estava acontecendo...
[A de cabelos negros está muito preocupada pq ela acha que ela é um problema...coitada!Num sabe ela que essa aí que se diz amiga dela é uma onça! pronta pra dar o bote nela! aposto que ela trama todos os dias como ter tudo o que é dela. e a pobre chora todos os dias achando que ela está errada, mas isso tudo pela influência da ¹amiga¹. Mas não pode ficar assim não! Eu vou lá e vou dizer tudo o que eu "sei"!]
Ela começou a se mover em direção às mulheres e quando pôs os pés na rua um carro passou a toda velocidade e por um milésimo de segundo ela não virou montagem de criança. [NOSSA!! o que foi isso??]
Continou andando e quando estava chegando perto ouviu um abraço apertado e uma delas dizer:-"Mãe...eu volto logo, prometo!Eu preciso dessa experiência!...e esta enchugou as lágrimas da outra.
Ela recuou com um pouco de vergonha pelo seu desvairio e pensou que iria parar de ler aqueles livros de auto ajuda!Eles não poderiam mesmo fazer bem à sanidade alguma!