sexta-feira, 28 de setembro de 2007

.BoatoS.

Ela quis mudar,ser diferente! Não sabia ela que as coisas se encarregam de mudarem por si só!Todo aquele desespero era no fim, só desespero. Gostava de calma, de noite e de gente. Gostava até demais. Sentou-se na escrivaninha do quarto e pegou papel e caneta... Escreveu como estavam as coisas e de seus sentimentos mais ferozes. Contou da saudade, das risadas que gostava de dar sozinha depois de tanto tempo quando lembrava de algo bom. Quis que visse o quanto havia se transformado. Lembrou uma última vez do que já não era e despediu-se.


Fechou-a num envelope branco e abriu uma gaveta do lado. Despejou o envelope em cima de várias outras cartas. Olhou os papéis amontoados na gaveta e se perguntou se o conteúdo era o mesmo. Fechou a gaveta e pensou que talvez nunca as enviasse ao destinatário. Eram todas para a mesma pessoa, eram todas de pessoas diferentes sobre o mesmo assunto. Era tudo sobre ela!
Foi até a cozinha e fez um café. Queria sair, conhecer gente nova! Falar com quem não falava, rir de quem merecia. Sentiu pena do entregador dos correios e colocou um CD conhecido. Dançou sozinha e esperou a noite passar.
Ela olhou para o redemoinho de idéias diante de si e quis se atirar... Mas era cedo demais, ou tarde. Nem ela sabia! Eram apenas boatos!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

.Castelo de cartaS.


Estava cansada demais para perceber que os segundos passavam e as chances iam ficando para trás.Deitou e resolveu que não sentiria culpa por não estar fazendo o que deveria, recolheu a fronha madrigal e não recorda o momento em que adormeceu.Onde ficava o início do sonho, onde ficava o desejo daquilo.Também sonhava acordada,mas dormindo parecia escancarado.Dormindo não era escolha.Acordou subitamente pensando que estava na hora da aula de manhã.Pensou estar atrasada e correu pra ver o relógio da cozinha.Era de tarde.Sentiu um alívio por estar enganada e voltou a dormir.A cena iria se repetir por mais três vezes quando o calor a despertou de vez.Tomou um banho para se refrescar e caminhando pela sala, viu pela brecha da porta o preto azulado e foi até a área.Acendeu um cigarro e pensou sobre o sonho!Sentada numa cadeira sob o sereno, se confundiu! Afinal, qual era o real ensejo?O subconsciente despertava algo que a mente fugia há meses. Ela desistiu de si e resolveu não intervir em nada.Quis ligar o piloto automático e deixar tudo tomar seu devido lugar.O cigarro acabou e ela entrou! Na TV, escândalos "renando" seus sentidos e no peito a certeza que dias melhores virão.

domingo, 23 de setembro de 2007

.TraçãO.


Os olhos queriam permanecer fechados. Ela começou a pensar e desejou esperar que tudo se acalmasse, mas o peito era um turbilhão que não parecia ter jeito. Quis ligar, mas teve medo da voz. O tom da chamada era como um tambor aos ouvidos. Desligou!A angústia permaneceria. Não havia nada a fazer, ela continuava a vagar entre as soluções e quanto mais pensava não conseguia concluir nenhum raciocínio. Eles intervinham uns no meio dos outros e não havia nada mais irritante do que tentar concentrar-se e não conseguir. Era como ler alguma coisa e ter que refazê-lo 11 vezes pra pensar que havia entendido. Mas na verdade perceber depois que era só pra não ter que ler 12 vezes.
Ela tomou um banho e deu tempo ao tempo. Teve algum consolo e ele bem sabia como ela era. Muita gente não conseguia entender, mas ele conhecia cada ligação dentro daquela mente. Olhou pra ela e estava tudo escrito lá. Não eram lágrimas, não era nada disso. Era algo mais... Era sintonia!
Ele quis tirar o peso de suas costas e perguntou:
-Você sempre se tortura assim?
-Sempre e você? [Assim que fechou a boca,ela arrependeu-se da pergunta e temeu a resposta!]
-Eu penso em ti!
Ela cogitou sorrir, mas apertou sua mão num gesto de carinho e levantou-se... Ela tinha medo, mas estava dando um tempo... Tempo pra si... Tempo pro mundo se resolver. De longe sabia estar sendo observada e aquilo lhe dava segurança. Olhou pra trás e ele havia se levantado. Quando se virou novamente ele estava em sua frente. Aqueles olhos mexeram com ela e ela pôde apenas dizer:
-Não se torture assim!

sábado, 22 de setembro de 2007

.ShhhhhhhhH.


Ele perguntou e ela disse que não!Teve medo mas era isso que a fazia continuar.Não pensou duas vezes.Não contaria a verdade.Ele não compreenderia!Não havia espaços para descobertas e ela não pensou em consequência nenhuma.Estava tão cheia de mentiras que já acreditava em si.Pra ela todas realmente aconteceram.Talvez sonhasse com elas.Fosse dormindo, fosse acordada, ela só queria melhorar as coisas.Talvez não fizesse por mal, era a saída mais fácil.Em casa, sozinha com as verdades, sentia pena de si.Não tinha certeza se era tarde demais para voltar atrás e desejou que nunca tivesse começado aquilo.O telefone que não tocava e ela agradeceu.Não queria continuar e falar era um começo perigoso!Todos os dias dizia que não faria mais e a campainha tocou...
-Você jura que fala a verdade?
-Juro!
abraçaram-se e nele o alívio! Nela a vantagem!
Era tão convincente que decidiu continuar mais um pouco.Ninguém descobriria, ela era boa demais.Talvez isso também fosse mentira, mas ela sempre acreditava primeiro!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

.InstituiçãO.


Ainda estava tudo escuro e o edredon a cobria.Sentiu uma mão roçar pela perna e amolecida, retorceu-se e abriu os olhos...estava ao seu colo um café da manhã.Ele tinha o hábito de fazer isso...sentiu um apontada no coração e pensou como ele podia ser tão perfeito!O frio do quarto estava glacial e enquanto tomava coragem para se levantar fitou-o. Ele fazia tudo sozinho e mesmo depois de alguns anos parecia não dar trabalho.Foi tomar banho e ela o seguiu...Eles conversaram um pouco sobre os afazeres diários e ele prometeu chegar mais cedo para passar mais tempo com ela...sentia falta dos tempos mais calmos, mesmo que fossem mais econômicos!Ela fez que sim com a cabeça e disse que prepararia algo para os dois!Despediram-se e ele foi trabalhar como em todos os dias.Ela estava de folga, mas já tinha compromisso para aquele dia.Ele não sabia!
Passou o dia pensando em quando chegasse em casa e em como apreciava o cheiro, a beleza, até as piores coisas naquela mulher.Ela tirou o carro da garagem e seguiu seu destino. O perfume e o vestido eram novos. Ela bateu em um apartamento longe do centro e um homem de barba discreta a recepcionou.Olhou-a de cima a baixo e no segundo seguinte ela pulou em seus braços e num vulto estavam deitados na cama envoltos num lençol branco de seda.Ela gostava daquele cheiro...ele era errado, na hora certa!pensou que era loucura e mesmo assim desejou estar ali sempre...sempre que quisesse!Ele perguntou do marido e ela disse que estava trabalhando! odiava quando ele perguntava coisas do mundo lá fora...coisas que não pertenciam aqueles momentos.Aquelas quatro paredes eram doses de alívio pra ela...era profano e ainda assim,sagrado!
No caminho de volta ela chorou...por não entender nem a si!Tomou um banho como se aquilo a livrasse de todos os pensamentos e sentiu-se nova e limpa! Preparou o jantar e perfumou-se.Quando ele chegou,como prometido mais cedo,ela estava esperando por ele.Um beijo a sua espera e uma rosa na mão...ela perguntou-se outra vez qual era o seu problema e uma voz em sua cabeça não parava de repetir "SAFADA!"
Colocou o avental e perguntou como tinha sido seu dia no trabalho...ele disse que triste sem ela...serviu o jantar e comentou sobre seu dia sem ele! Apenas desejou que os pratos não quebrassem!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

.2+2=5.




Ela procurava uma pasta no velho guarda-roupa e um movimento errado fez tudo cair sobre si. Vários lençóis, caixas velhas... Coisas que ela nem lembrava que existiam! Seus olhos petrificaram ao encarar uma caixa antiga e cheia de poeira largada no fundo... As coisas no chão de repente pareciam não existir e ela fitava sem acreditar a caixa púrpura.
Era como se um turbilhão invadisse sua cabeça e ela não conseguia fazer mais nada além de erguer os braços em direção ao objeto e de fato ele tinha um ímã chamado lembrança. Pegou a caixa e a levou para cima da cama... Ficou olhando para tal esperando que algo como uma bomba-relógio fosse explodir em suas mãos, mas nada aconteceu e ela pensou que não poderia ser mais perigoso que isso... Ela sabia que isso era mentira, mas seguiu em frente mesmo assim e jogou tudo em cima da cama.
Fotos, cartas, folhetos, ingressos, uma vida de memórias permaneciam ali, Intactas depois de anos! Era como assistir a um filme... Ver a vida de outrem!Leu as cartas que recebeu e perguntou-se pra onde todas aquelas pessoas tinham ido!Pra onde ela havia ido! No fundo da caixa achou um velho diário e não pôde conter-se... Começou a ler e riu bastante ao se deparar consigo tão boba e ingênua... Por quantas coisas ela havia passado depois de escrever aquelas linhas... Se os amores deram certo, se os filmes foram bons,se os anos foram serenos... Ela sabia de algumas respostas e sentiu uma dor que só se sente quando se depara com verdades... Perguntou-se se faria tudo igual, mas quem sabe dessas coisas? Provavelmente sim e mesmo que quisesse fugir antes do final alguma coisa a impedia. Se era a propensão pro desespero ou o que quer que seja, ela não sabia! Apenas guardava o passado numa caixa ao seu alcance, sempre num lugar diferente. Surpreendia-se com tanta mudança e sabia que sempre voltaria ao ponto de partida.

domingo, 16 de setembro de 2007

...




A chave rodou mais uma vez em ambos os apartamentos.As maletas ficaram pelo caminho no sofá da sala e numa baforada, a cadeira serviu de consolo! Quando a coragem deu brecha levantou-se e foi na cozinha, ela abriu a geladeira e achou que seria melhor pedir uma pizza!Ele continuava na cadeira e quando levantou-se abriu uma cerveja e os dois estavam olhando para a porta como se alguém fosse abrir e entrar reclamando que o sindico reclama demais e que foi fechado no estacionamento de novo por algum motorista idiota e que não aguentava o clima daquela cidade e estava pensando numa viagem pro feriado que se aproximava!!O vento bateu no mobile em frente a porta e ele olhou pela janela os prédios cheios de gente...gente que ele não conhecia! Ela foi para a sua janela e pensou o mesmo! Ninguém entraria em seus apartamentos. Depois do banho ela ligou o computador e feitas algumas correções, um pop-up apareceu na janela do pc e ela achou que não faria mal pelo menos entrar numa sala de bate-papo! Sentiu-se
ridícula por estar fazendo isso e era como se estivesse sendo vigiada , cobriu a tela com o corpo, escolheu um nome qualquer e disse pra si que seria bem rápido, só por curiosidade! Ele pensou que seria engraçado fazer isso aquela noite, pelo menos não pensou em nada melhor pra fazer e estava determinado a não mentir...não dessa vez!
E o que era para matar a curiosidade rendeu uma boa parte da noite e num dado momento depois de algumas risadas que fariam diferença no dia seguinte a pergunta veio:
Ele:-"Vc está fazendo o que?"
Ela:-"Eu to comendo pizza e vc?"
Ele:-"Tomando uma cerveja!"
Nos rostos sorrisos que não podiam ser vistos e a certeza que o barulho da chave estava perto!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

.SiM.


Ele entrou como uma furacão arrastando tudo o que podia pela frente! Passou pela porta do quarto e num giro de raiva bateu a porta na falta de um grito!! Olhou pra porta e sentiu uma vontade avassaladora de quebra-la em mil pedaços com murros mas o que fez foi encostar a cabeça e segurou os cabelos e os puxou com tanta força que quase pôde sentir o couro cabeludo deslocar-se.

Deu pra sentir uma gota quente escorrer pelo rosto e quando ele virou-se viu tudo cinza e uma onda de ódio varreu tudo em sua frente...não era mais cinza...era nada!

ele quis gritar , mas quem iria ouvir??...pensou :"foda-se!! eu vou ouvir e eu vou sentir"

E gritou...até deixar de ouvir! A garganta agora estava rouca, mas ele não precisava falar....ouvia os pensamentos e já não sabia se era o certo!Ele pensou em parar de pensar! Daria menos trabalho, mas pelo visto, o plano não era esse!

Ele fitou a parede e antes que pudesse abortar o movimento, acertou em cheio os azulejos que eram brancos...e agora eles tinham um pouco de vermelho e tinham um pouco de dor também...

Olhou pra mão quebrada e para o sangue escorrendo.Lavou-a e pensou que estava muito cansado...quis dormir...e no fundo, um bom conselho latejava...mas apagou a luz e as estrelas de neon no teto pareciam reais demais para se acreditar nos outros!! Fechou os olhos e desejou que o amanha fosse realmente um outro dia!!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

.RotinA.




Enxugou a última gota de água que escorria pelo seu corpo e desejou que a sensação persistisse! ela olhou pra mesa onde ficava o computador e realmente desejou que ele fizesse tudo sozinho..queria um piloto automático para acordar com todos os relatórios prontos! [Será que isso é possível?? Se alguém inventar, eu compro!!!!] Tirou os nós dos cabelos e apesar de ser uma tarefa chata, ela gostava daquele tempo pra ela depois de um dia de cão! Cada ritual era como se fosse sagrado e mesmo não tendo ninguém pra sentir o novo óleo de maracujá que ela comprara, gostava mesmo assim....estava sempre preparada!! Decidiu que então se daria um presente!! [Nada de trabalhos por hoje!! só por hoje!] Como ela quis uma massagem naquele momento...olhou pra cama e estava uma bagunça! Ela realmente gostava de dormir no meio daquilo tudo quando estava muito cansada!! gostava de dormir já quando estava desmaiando.... da dor nas costas quando finalmente se esticava na cama!
Ela arrumou tudo e deitou-se e quando sua cabeça encostou o travesseiro, sentiu o alívio e pensou ter acabado! Foi quando ela começou a pensar em tudo, menos no sono!Já estava ficando perturbada quando pensou [E se eu visse algo agora??! E se eu abrisse o olho e tivesse alguém olhando pra mim agora??] Abriu só um olho e fechou-o como que instantaneamente! [Eu vou fingir que durmo!! será que isso engana as almas??!] Pensou que não! Mas a última coisa que queria era abrir os olhos! Então continuou a farsa!
Quando não aguentava mais, quando tudo o que queria era dormir, ela sentiu um grande medo! Medo de dormir e não acordar mais! Apertou ainda mais os olhos e sentiu-se num encruzilhada! Pelo menos se morresse seria dormindo..mas pensou ser nova demais pra morrer dormindo..isso é coisa de velho!! Num impulso ela levantou, ligou a tv e voltou pra cama...[Mas que saco! Amanhã mesmo eu vou comprar um cachorro..ele deve ser o melhor amigo da mulher também!!]


segunda-feira, 10 de setembro de 2007

.ConstruçãO.


Ao descer do carro viu um grande portão e aquilo parecia de alguma forma imponente..talvez não para ela, mas agora que estava entre eles era como uma lei de sobrevivência! [Você precisa agir como eles]- pensou ela! - [ou pelo menos não atrapalhar os rituais!]. Eles tinham suas próprias cores e o barulho ensurdecedor de tudo a deixava aterrorizada, mas mesmo assim ela quis demonstrar serenidade!

De onde ela estava sentada via um mar de gente gritando, vibrando, distraindo-se! Ali não havia fome, escândalos na política...ali era um problema particular de tabelas! Nada tão grave...nada que concentração e trabalho em equipe não resolvesse.Ela viu vendedores ambulantes por toda a parte! As câmeras e as figuras bizarras faziam parte do show e com todo orgulho [o assassinato à gramática pelo- FILMA EU- chegaram a parecer engraçado e isso começou a preocupa-la!

Ele quis tomar todo o cuidado....estava levando ela pra um mundo que nem ele sabia direito o que era...a diferença era que fazia parte dele desde sempre e para ela era uma dessas coisas que mulher faz pra agradar que nem ela sabe porque tá fazendo...isso quando ela não tem certeza absoluta que vai dar o maior trabalho depois. Continuava tudo meio sem sentido, depois de vários tiros de meta e algumas cobranças de falta até que o propósito de tudo finalmente se cumpriu...A bola estava na rede e uma onda invadiu seu corpo como um choque que não se sente...eu sei, mas eu não sei! Aquilo era um gol e ela só conseguia pensar se ele havia tirado a toalha molhada de cima da cama.
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Melhor nem perguntar!! [pensou ela e num pulo abriu os braços e o abraçou...]
AAAHHHH! deixa a toalha pra mais tarde!!

.colorações.


Ela abriu os olhos novamente e as luzes se fundiram...eram tons de vermelho verde e azul e ao fecha-los ainda podia vê-las. Dançavam e a chamavam como em um sonho e pareciam saber o caminho [seria o certo? pensou ela com cautela!] Um vento quente vindo do sul a fez lembrar que o mundo estava em câmera lenta e mesmo com todos os sons do universo, ela ainda preferia sentir! Fechou-os novamente e tudo o que via eram os vultos se movendo o quanto podiam.Pensou que as coisas ficavam melhores desse jeito e quis nunca mais abri-los mas lembrou do mar e achou que algumas coisas valem a pena serem vistas!Uma voz familiar e uma mão mais ainda contornaram sua aura.Ele perguntou tão proximo que ela se confundiu se estava imaginando: -"O que você vê quando apaga as luzes??" e ela sem exprimir ruído algum respondeu: -"Eu não posso te dizer , mas eu sei que é meu!"

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

.Jingle Bells.


Era uma manhã como tantas outras a não ser pelo caos instalado nos cômodos da casa e aquelas canções vagavam pela sua cabeça bem como tantas outras de outros anos!
Ela estava estatelada na cama e ainda esperava a coragem para se mover!Era o único dia perfeito do ano não importava o que acontecesse! E ela sempre esperava... E sempre lembrava de tudo com saudade!
O café estava pronto e ela podia sentir o cheiro de manhã! Olhou para o que não fazia parte dela havia tempo! Como era bom ouvir todas aquelas vozes em uníssono! O som do fogão a todo vapor e das facas cortando e sentir o vento frio no pescoço!Chovia e era como se cada gota caída fosse um pensamento perdido! Ela adorava dias iguais e por incrível que pareça esses dias eram todos assim... Talvez ela esquecesse do último e achasse isso ou simplesmente as tradições falem por si só.
Ela gostava e era como voltar no tempo! Sentia-se criança de novo e aquele era o único lugar pra isso... Sempre que estava sozinha [quando era possível!] sentia uma dor no peito... Talvez seu coração estivesse demasiado encharcado... Encharcado de passado!
Se ele diminuía, isso ela sempre esquece, mas assim como esquece sempre lembra depois! Afinal, sua única certeza era que a árvore seria enfeitada e ela lembraria de tudo outra vez!


quarta-feira, 5 de setembro de 2007

.Eu sei o que você fez noite passada.




Ela acordou e olhou ao seu redor com certo espanto! Tentava reconhecer o lugar... Parecia-lhe familiar, então ela esfregou os olhos e tentou fazer tudo parar de girar! Talvez seja essa a familiaridade [Pensou ela com certo deboche!] – “Mas o que é isso?! Isso lá é hora pra ironia?” falou agora em alto e bom som, como se estivesse reprimindo outra pessoa.
Perto da cama tinha uma bandeja com o café da manha mais lindo que ela já tinha visto![Eu odeio café da manhã, mas esse eu vou ter que comer!]. Morangos, torradas, patês, suco de laranja, bolos... -“Definitivamente, essa não é a minha casa! E se eu puder escolher eu vou ficar por aqui mesmo!”.
Ela estava tão distraída com a nova cena que desistiu de tentar lembrar como ela chegou até aquele lugar, ela não lembraria mesmo! –”Sei lá, vai ver eu fui abduzida por seres mais evoluídos! Com esse tratamento, só pode mesmo!”. As paredes eram de uma cor púrpura e abrigavam quadros que ela desejou ter pintado. Ela sempre quis ter uma habilidade! Saber fazer pelo menos uma coisa muito bem.
Olhou os retratos e eles denunciavam demasiada felicidade... Quem exporia as brigas, as tristezas? Ninguém quer esses momentos atirados na retina em plena manhã! O problema seria apagá-los junto com a inexistência dessas fotos... O problema é que algumas pessoas só lembram desses momentos.
Ela mergulhou numa mágoa que a conduziu até a noite passada e isso a fez lembrar do que quis esquecer! A porta fez um barulho e uma mão apareceu na maçaneta dourada! Seu coração parecia pulsar na laringe e a fresta era suficientemente grande para revelar o tal segredo...
Um homem alto e de cabelos negros olhou-a com um sorriso de canto e parecia que ele tinha muitas respostas! Ele apertou os olhos num sorriso sedutor e falou:
-”Você vem sempre aqui”?
Ela riu e respondeu:
-“Só quando eu me perco!”.



terça-feira, 4 de setembro de 2007

.7+7=14+7=21.




Junto ao crepúsculo a vontade de se perder na noite estrelada tomava conta dela!E aquele velho personagem já desabrochava...[agora ela era segura e pronta de sua situação! faço o que quero! não devo nada a ninguém! e não me importo se você pensa errado de mim!] A canastrice algumas vezes a denunciava mas ela até que enganava bem.



Com o vento frio no rosto ela caminhou com a segurança usual e com graça destruindo toda e qualquer barreira. Perto da banca encontrou um grupo de amigos e prontamente preparada para a noite sabia e reconhecia os jogos!


Fria e calculista, olhou para o lado e uma gota de suor escorreu pelo seu corpo! Isso ela não poderia controlar..nem a cavalaria dentro do peito! [tun-tun Tun-Tun TUn-TUn TUN-TUN]

Na mira de seu olhar estava ele...com o pé atrás, olhando pra ela e achando tudo menos o que ela realmente pensava!


O barulho foi interrompido e era como se o mundo tivesse parado pra aquele momento acontecer...os bebês pararam de nascer, os aviões pararam de voar...a única coisa que se ouvia era a simetria dos dois corações! Os passos foram se aproximando até que a única coisa que pudessem ver fosse um ao outro!


-"OI!" [meu Deus , eu amo ele]

-"OI!" [eu acho que eu amo ela]


Cada um foi para um lado da noite e parece que as estrelas não foram suficientemente claras para o medo do escuro!




segunda-feira, 3 de setembro de 2007

.enfim.











Foi como um redemoinho que chega sem avisar e devasta tudo dentro de si. Como uma vida muda em menos de 1 segundo?! Ou melhor, como a morte muda uma vida tão devastadoramente?Ela caminhou pelo saguão branco de listras azuis e pensava em tudo! e pensava em nada!.Talvez nem se desse conta ainda de tudo o que lhe assolava! As palavras pareciam flutuar dentro de sua mente...dançavam, sambavam e tão afoitas não conseguiam se organizar!Ela pensou que deveria parar um pouco com tudo aquilo...eram tantas coisas para resolver, tanto pra conversar...tanto pra chorar!




Quando cansada de tanto alvoroço, resolveu procurar um quarto que estivesse desocupado para poder enfim escutar nada além de sua respiração! Depois de algum tempo procurando ela finalmente o achou e certificou-se que estava trancado...queria um momento pra si...pareceu egoísta naquele momento , mas ela não se importou. talvez fosse mesmo!






Quando ao redor e as coisas ainda pareciam as mesmas...a cadeira em seu lugar para sentar-se...a cama com cabeceira que abrigava o telefone e uma bíblia. Ela pensou estar sozinha como nunca e reparou que sua respiração estava cada vez mais dolorosa...respirar ficava difícil e pensar era um exercício penoso! Ela ligou o ventilador e sentou-se na cama...enquanto seus cabelos eram afagados pelo vento, seu rosto doce sentiu o calor da lágrima e com isso o alívio da voz de uma dor!...Enfim, ela pode descansar!

.suspenção.




[...]Foi como mudar de faixa...simples...um click e estava tudo fora do lugar...ela se perguntou quando não havia percebido! e por que havia perdido o controle de si e das coisas!era ruim imaginar o acaso...talvez ele seja amigo...talvez não...respirou e sentiu uma dor no coração...as vezes isso assustava!mostrava pra ela que o ponto final poderia tomar o lugar da vírgula.tentou concentrar-se comprimindo toda a angústia...Agora me acorda que eu não quero sonhar errado- MAS NADA ACONTECEU-.[...]

.Vermelho cinza.




[...]Sentiu uma domência repentina nas extremidades dos dedos das mãos, as cores foram ficando cada vez mais confusas, sentiu-se leve como uma folha e uma súbida vontade de acordar tomou conta dela...mas ela não conseguia. Tudo bem sonhar..mas tentar acordar e não conseguir causou um certo desconforto nela...ela começou a achar que aquilo não era um sonho e sim um pesadelo!Um pesadelo do qual ela ainda não conseguia temer! "É...talvez ele ainda tenha jeito"[pensou ela] - andou bastante, mas pelo seu caminho não encontrava alguém que lhe respondesse nada! nesse lugar haviam apenas pessoas com corpos de gente, mas no lugar das cabeças estavam indefinidos, como se alguém houvesse apagado suas fisionomias =[ ...quando de repente uma mulher de boca escarlate aproximou-se dela e chamou...."-VENHA...por aqui!"Ela andou...aquelas cores chamaram sua atenção, e ela foi acompanhando sem conseguir definir o que estava acontecendo..sem conseguir dizer pelo menos um "-Quem é vc?"mas aquilo não importava pra ela...pelo menos não daquela vez...era um outro lugar...era um novo lugar. [...]

.Signo.




[...] Ela andou mais uma vez pela sala.estava tudo como não deveria estar.passou a mão pelos cabelos - como era de costume - tentou achar uma solução...o coração saltava-lhe pela boca! ela precisava resolver tudo aquilo..mas como?Na cabeça dela era como se tudo fosse se resolver a qualquer momento...sozinho...mas isso dificultava ainda mais as coisas...Sua mãe colocou a cabeça no vão da porta e percebeu seu semblante perturbado.Perguntou o que estava havendo e ela respondeu com um:


- "NADA!"


melhor assim, ela só iria piorar as coisas[...]

.multidão.






Era um lugar de muita gente.Uns que não se conheciam, outros que se viam sempre, gente que pensava que se conhecia...Aquilo despertou a curiosidade dela.Como será a vida de cada i,a daquelas pessoas? Adorava imaginar o que não podia confirmar...supor!
Do outro lado da rua estavam duas mulheres conversando.Uma tinha o cabelo curto e negro, caindo sobre o rosto magro e um pouco nebuloso. A outra era de cabelos longos e tingidos, ancaracolados e que reluziam o sol balançando sobre as costas.A 2ª mulher tinha uma maquiagem carregada, o que chamou a atenção dela...plena luz do dia!
Essas mulheres conversavam bastante e a de cabelos negros estava fazendo muitos gestos e parecia ficar sem palavras algumas vezes...já a outra não! Era muito mais decidida e parecia tomar rédias das coisas sempre! Mas de alguma forma ela parecia ter problemas! Ela ficou analisando a cena e quis supor o que estava acontecendo...
[A de cabelos negros está muito preocupada pq ela acha que ela é um problema...coitada!Num sabe ela que essa aí que se diz amiga dela é uma onça! pronta pra dar o bote nela! aposto que ela trama todos os dias como ter tudo o que é dela. e a pobre chora todos os dias achando que ela está errada, mas isso tudo pela influência da ¹amiga¹. Mas não pode ficar assim não! Eu vou lá e vou dizer tudo o que eu "sei"!]
Ela começou a se mover em direção às mulheres e quando pôs os pés na rua um carro passou a toda velocidade e por um milésimo de segundo ela não virou montagem de criança. [NOSSA!! o que foi isso??]
Continou andando e quando estava chegando perto ouviu um abraço apertado e uma delas dizer:-"Mãe...eu volto logo, prometo!Eu preciso dessa experiência!...e esta enchugou as lágrimas da outra.
Ela recuou com um pouco de vergonha pelo seu desvairio e pensou que iria parar de ler aqueles livros de auto ajuda!Eles não poderiam mesmo fazer bem à sanidade alguma!