domingo, 28 de outubro de 2007

.Contra- indicadO.


Sempre quando chovia ela esperava o cheiro de terra invadir a sala. Era lindo e ela morria de medo! Medo de tanta perfeição. Como é possível enxergar um futuro quando nem se tem o presente? Era assim... Cheio de rimas e cheio de fúrias... Mas também eram felizes e até poderia dançar se quisesse... Dançar sobre as mesas e fazer a festa de sempre. Ou fazer diferente e esperar a rosa daquela semana!


Quando viria a vontade de chorar? Quando viria a angústia? Ela tinha medo de si! Não era da mágoa... Também era essa mágoa, mas o que provocava a sensação lancinante era ela! Conhecer-se a si mesmo era um fardo e uma pontuação. Sabia do que era capaz e era como ter uma doença incurável! Esperar algo que vai acontecer sem impedir, ou sem querer!


Algumas vezes na vida de todo mundo as pessoas fazem coisas erradas e talvez se arrependam disso. Talvez tenham orgulho disso. Talvez chorem ao lembrar e até quem sabe façam de novo sempre que podem! Ela se perguntou mais uma vez o que era certo!
A chuva trazia a noite e com ela um filme velho no DVD com um edredom e muita meia. O banho chamava, mas a pressa de chegar trazia o perfume perdido...


Era uma vez...

...Um mundo cheio de bocas e de mãos... Cheio de nomes e de atos vãos... Era dele e dela num abraço fechando os portões!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

.ManivA.


Era noite e era também dia de caça. Os cheiros e os tons eram ainda sedutores. Era festa e era uma trapaça. Elas estavam à sua espera! Para uma novela era uma boa trama. Ele realmente acreditava em cada palavra que dizia? Ficava difícil assimilar tanta coisa, tanta informação se a bagagem dele era maior, se a vontade dela era ainda menor!


Na mesa estavam dispostos os argumentos e os cigarros. Não tão ingênua, não tão safo! Ela procurava nele cada palavra, cada verdade. Era difícil! Era como se ele mentisse a cada suspiro que desse. Entendia que parcelas faziam parte da indução! Óbvio que nem tudo era mentira. Se ele amava alguém? Se ele sentia solidão de noite?Se ele sofria? Isso apenas ELE sabia. De certo, a gente sofre por querer de algumas 99% das vezes, mas ele não parecia iludir. Não criar expectativas, como dizia!
De todos os erros que se comete, esse parece ser sempre o pior! Esperar mais do que se pode ter. Esperar algo que você não pode controlar.


Ele parecia ser um tanto excêntrico para suportar as reações, mas de certo, a noite sempre vem e as fêmeas também, mas desse mesmo jeito elas podem ir embora e algumas não voltam mais. Algumas aprendem que o egoísmo impede tantas coisas! E elas devem mesmo ser impedidas!


A noite sempre vem e com ela o dia ofuscando seus olhos e clareando os dela!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

.21 GramaS.




Algumas vezes a cortina abria pequenos espaços e dava pra ver um lado de fora diferente!Tinha preguiça de levantar e enquanto esperava a coragem chegar ficava ali...olhando os espaços de mundo pela janela! De todas as 24 horas, essas manhãs eram momentos que não dava para fingir. Era um descabelo, uma pouca roupa e muita entrelinha exposta.

Dizem que pode-se enganar o mundo, mas a si próprio , é impossível!! Será? Algumas pessoas mentem pra si uma vida inteira, mas isso não quer dizer que não existam seus lapsos, isso não quer dizer que sejam mentirosas.São apenas infelizes! Ela pouco se importava para o que diziam! Para o que achavam! Apenas um pouco de luz no quarto era suficiente nessas horas. Sozinha? não, ela estava acompanhada de si e algumas vezes isso basta. Quando só você entende a raiva súbita de qualquer coisa. Quando nem você sabe o porquê das coisas.

A dormência ainda permanecia no corpo e ela continuava a fitar o que os olhos alcançavam. Era melhor mesmo que a cama não pudesse falar! os fatos tinham boca e ela cansara de falar, sentia pena de quem havia desistido de pensar e quis que a preguiça fosse pra sempre!Os diálogos eram demasiado antecipados e decidiu deixar cada um acontecer no seu momento, sem criar as falas dos outros.Sem atropelar o que não era seu.

O vento derrubou a cortina e fez do quarto a rua...
ela levantou-se e disse em voz alta:
-21 gramas...

Tirou a roupa e lavou a alma!


21 gramas...Dizem que esse é o peso da alma...às vezes ela achava tão mais pesado!

sábado, 13 de outubro de 2007

.MemoirS.


Aquele parecia ser um daqueles momentos que aparecem nos filmes em que a personagem olha pro nada e parece entender os meios e os fins... ela toma uma decisão e a música entra no meio de tudo pra disparar seu coração!!

É...o vazio estava lá, mas ela esperou que a música tocasse.Ela não veio e pensou que talvez fosse melhor...talvez ela fosse péssima atriz. O que se pode evitar é de bom grado!Talvez a presunção a incomodasse mais. Se ver nas coisas que a constrangiam! Era como se ela fosse o que convinha ser!Fosse o momento de resolvida, fosse o momento de inocente, fosse o de verdade! Se assustava? Talvez esse fosse o seu normal e ela tinha medo apenas do futuro. Apenas das coisas que ela viria a ser.
Deitou-se no sofá e procurou o vento.Abriu a janela e desejou realmente que alguém perguntasse o que ela sempre quis dizer em voz alta...quem sabe para acreditar...não se volta atrás na palavra dita.Não quando realmente se quis dizer isso.
-O que você espera de si?
-Eu quero uma vida que seja minha...talvez eu seja ela...eu poderia ser ela...somos tão diferentes!
Seu coração bateu forte e ela pôde enfim ouvir a música...
ela teve medo...
e era bom!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

.A Inve(r)sãO.

[...] [ela]O que seria um jogo? Ela quis saber e não se pergunta o que não pode ouvir.Pois bem, pergunta-se , porém a dor é de cada um e o peito que se sente também.[ela]E quando vc descobre-se dentro de um?Ela quis saber e pior que tudo era ter a certeza que uma vírgula se punha entre os dois.[ela]Vamos, fale-me!!
Ele era cauto e sabia usar as palavras , mas não há maquiagem para um sofrimento que dure para sempre.[ele]O que desatina um suposto? Ele não entendia porque ela pensava nisso agora...depois de tantas linhas ela queria saber detalhes!
Eles haviam ficado no passado, esqueça!
Ela sabia exatamente onde as coisas encaixavam e mesmo quando se diz que não, cada um sabe o que está fazendo, pra onde está olhando, porque está sofrendo! O jogo era o dele, o dela era dela.
Pensou rápido para desvendá- lo... para não virar o alvo. olhou dentro dos olhos e perguntou outra vez:
-Conte-me...o que vc fez de mim?[ela]
.
.
.
E quando vc disse não cada lágrima de sangue invadiu meu pensamento!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

.A OndA.



Escutou o som do portão se fechando e um vaso pulsou no pescoço.A respiração dele estava ofegante e o coração parecia um tambor.Deduziu que deveria estar correndo.Ela ouvia cada batida e quis equalizar com o seu.Não pôde! O seu quase parava e ela respirou fundo.Sentiu cada partícula que passava pelo nariz e viu o vulto passar pela sua frente. Do banheiro, ele gritava algo que ela não prestava muita atenção.Estava lavando as mãos. Ouviu quando ele falou de germes ou algo do tipo.Tinha mania de limpeza.Seus pensamentos eram altos demais! O jeito que ele agitava o ar ao passar...O cheiro que permanecia...O tom da voz.Como seria o corte de cabelo novo dele?Quis tocá-lo.
E se pintasse o cabelo de roxo e usasse saia?Ainda assim seria a voz que flutuava nela.A voz proibida.Ela queria poder tanger aqueles sentidos, mas eles não eram moscas e ela logo percebeu isso.Como deter o que não se pode tocar...O que não se pode ver?! Ele continuava a falar e eram apenas anagramas que não faziam sentido nenhum.Ela começou a se preocupar.E se ele a fizesse alguma pergunta? O que ela iria responder??Tentou concentrar-se e quando ouviu algo foi:
-"A consulta já está marcada?"
-Sim...claro!
Ela mentiu...Adiou aquilo o quanto pôde, não poderia mais fugir. Ela era puro ceticismo e ele pura aventura. Falou que iria sozinha e sentiu um golpe nas costas...seus olhos agora pareciam com o céu estrelado.Holofotes que deveriam iluminar... uma dor instalou-se no peito e o lugar continuava o vão solitário.Ele disse:
-Você é como uma irmã pra mim...Eu quero estar com você.
Ela ficou muda e pensou se poderia ficar pior...
fosse melhor não falar...fosse melhor enxergar!

terça-feira, 2 de outubro de 2007

.VerticaL.



[...] e os carros passando já não pareciam mais tão distantes.Pra onde eles iam?Ela parou um pouco e resolveu sentar no banco.Da sombra que estava avistava de longe uma fresta de luz que destacava a poeira brilhando como estrelas em plena luz do dia.Era uma cidade grande e de que adiantava tanta coisa pra se ver e olhos tão pequenos pra se esconder?Ainda pensou em se perder mas ela sabia aonde daria cada caminho...eles iam todos pra um mesmo lugar.Ela preferiu não se mexer.Teve medo. Do seu lado sentou-se um homen.Talvez ele fosse conhecido.
Ela não se deu ao trabalho de olhar para o lado.Como instinto, esperou ouvir a voz e reconhecer.Apesar da luz estava frio, mas ela não vestiu o casaco e mesmo com o vento jogando o cabelo sobre o rosto ela simplesmente não se importou.Quis ficar estática.Quis permanecer.
- O que você tanto olha?[Indagou ele tentando entender o que tinha demais naquela rua cheia de carros e suja com gente embrutecida, gente alegre...]
-Pra mim.E voce?[Ela ainda olhava para a rua]
-Pra vc! [Ele estava olhando para ela e esta respirou mais forte!]
-Então porque você não olha pra lá? [Falou a guria apontando a rua]
-Porque eu prefiro esse horizonte. [Disse estático]
Ela escolheu ignorar aquele lapso.Por um momento torturou-se procurando qualquer palavra que fosse pra falar.[Vamos..pense em alguma coisa..qualquer coisa!!! aaaaaahhhhhh!]
-E o que vc faz por aqui?[Enfim algo!]
-Me perdi!
Levantou-se e os lados já não importavam...ela seguiu qualquer rua, olhou para trás e falou:
-Se quiser pode me acompanhar.
Ele sorriu e esperou que aquele caminho levasse a algum lugar.Ambos caminhavam para si!