quarta-feira, 28 de novembro de 2007

.The enD.



O dia nascia de uma forma plena pelos cílios penetrantes.Colados de todo líquido ela passou a mão pelo rosto e apenas isso não bastava, não era sujeira.Era tatuagem!Camada por camada, zumbido após zumbido ela sabia que o pior estava por vir. A futilidade bastarda dentro de si e a angústia paralisante bifurcando o coração perdido. Quando o tapa na cara foi dado ela respirou...respirou fundo até sentir cada folículo de impureza entrar pelo seu corpo.Quando a vergonha abateu, ela sentou e esperou o ar chegar.

Ruim quando se respira o ar mais sujo que já fora respirado.Assim como quando você quer acordar e não consegue.Quando a piada não se segue e quando ainda mais fria é a água no seu corpo. Ela olhou a cena de cinema e quis adiantar o play.Nessa hora em que os créditos aparecem e tudo passou como uma fita presa ao aparelho projetor.


Você quer esperar,talvez seja um sonho ruim e o músculo acelera. Os olhos fecham e o grito preso na garganta corre entre as cordas vocais.Ele tem vida própria.Invade cada tímpano e estimula cada glândula sensível.Nada mais a obedecia.Turvo era o muro de lamúrias ao qual ninguém parecia sair.Não relutar é o primeiro passo.
-Você viu?
-Vi!
Dor fundindo cada lasca de si e pior que isso só a mente humana buscar o que não pode ser encontrado.Consequência atrelada à vida,sofrimento inesquecível embolado de impotência, entre tantos nomes:Morte.No fim de tudo as palavras são apenas palavras e os atos não se justificam como deveriam.Se para toda ação há uma reação, aqui está a dela:
-Enxugo as lágrimas desse luto que me cerca e vejo que a vida lá fora ainda corre.Eu caminho passos largos.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

.GrãO.


Eu serei a pessoa que irá partir meu coração.Ela pensou e achou ridículo o pretérito imperfeito.Soltou os cabelos e achou que eles ficariam melhor assim.Ajeitou os pronomes e deixou que a vida corresse do jeito dela.Algumas vezes apenas cansa correr atrás da escada.Se ela nunca chega, você espera que um dia ela role até você.Vida urbana? Talvez, mas de fato ela queria sentar um pouco.

Pensar errado,pensar certo,pensar! Ela achou que era difícil chegar a uma conclusão perto de tanto porém e quis realmente falar, mas nesse momento ficou paralisada.Há um limite para o seu amor.Ela sabia, não era inocente mas as entrelinhas são para serem lidas e exatamente por isso ela o olhou com os olhos quase fechados.Não era cinismo, ela apenas o enxergava direito!

Quando a testa começou a doer ela parou.Lamentou haver tanto passado nesse presente e lamentou ainda mais estar ali.Não há porque arrepender-se do que viveu e mesmo assim ela quis controlar o guidom arrasador.

Esperou as reações para ver como seu coração se comportava e o tom oblíquo e pertinente ainda latejava suas artérias! Uma mão encosta seu braço e os outros aparecem...Passou uma borracha no conceito e firmou: Eu serei a pessoa que irá NOS magoar!
Em pele pálida sua língua é barreira.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

.Assassina de fisheS.


As cartas de setembro ficavam expostas...Ainda!

Depois de tanto julho as coisas ainda pareciam pouco sólidas!Ela esperou,esperou,esperou e sentou.

Era um parto, era um esforço, era amor.

De tanto que se faz pra que tudo permaneça exatamente como está...quando se liga a seta pra esquerda e vai direto, quando se espera do outro o que não se faz!
As pedras do aquário pareciam mais adaptadas e era como se estivessem ali sempre.Não tinha almoço, não tinha mesa, não tinha fome. A tv ligada, o computador ligado, o celular esperando...uma sucessão de gastos pelo medo do não ruído.
A bagunça espelho, o descaso condenado e a cama sobrando espaço lembravam o som do ventilador.

Secou o cabelo e pensou porque fazia isso.

-"Não podia dormir com o cabelo molhado!!"
-"Quem falou??"
-"Aaaaaaahhh, sei láá...eles falaram!"
-"Eles quem????"
-"Cala a boca e seca o cabelo"
¬¬
Qual o motivo de continuar fazendo as coisas? Ela se deu conta de quem estava se tornado dia após dia, conta após conta,lágrima após lágrima!
Lavar os pratos, passar as roupas, secar o cabelo, lavar bem atrás das orelhas...pensou que faltava o jantar sempre pronto e a camisa engomada...faltava quem quisesse comer, faltava quem quisesse amassar a roupa.
A comida do peixe, a comida do peixe, a comida do peixe, a comida do peixe...
...depois...
Em algum lugar da sua imaginação ela levantou, colocou a comida e deitou novamente.Os olhos foram pesando e se virar para o lado acabou sendo o maior prazer do dia...a dor nas costas, o vento no rosto, o mosquito nas pernas.
A música estava diferente e a hora parecia a mesma, depois de tanto embolar e cogitar levantou-se e o peixe estava morto...

-"Ahhh, que meeeeerda! eu botei a comida ontem??? botei...acho que botei...deve ter sido essa porcaria dessa água...amanhã eu compro outro peixe!"


Ela não era tão pefeita assim...alguém caçava por ela

.

.

.

diga isso ao juiz!


quarta-feira, 7 de novembro de 2007

.CherrY. .Gosto dE. .It taste likE.


[...]

-Mais uma dose?

Ela sorriu de lado e não falou nada...

-Vai escrever hoje? [Disse ele fitando o copo que agora estava da cor da bebida.Virou a garrafa inteira e ao terminar enfim deu atenção à sua resposta!]

-Ainda não sei...inspiração!...nunca se sabe quando ela vem! [encarou-o bem no fundo com um olhar cético de quem sabe que mente de um jeito suspeito!]

-Escrever sobre você? [Disse ele provocando e perguntando sabendo a resposta e sabendo que ela não seria a verdadeira.]
-NÃO! Eu nunca escrevo sobre mim... [Ela imaginou que mais cínica, impossível!]
...{São todos sobre você!}...
-Tudo bem, vou fingir que acredito, senhorita imparcial!! [Perguntar tudo bem , mas exigir sempre a verdade já é demais. Algumas vezes é importante saber que a verdade está suspensa no ar!]
-Não, eu não sou imparcial!
...{Sou mentirosa!}...
Ele trocou duas palavras com o amigo sentado ao lado e ela se deu conta de que haviam olhos demais naquela mesa...mais do que ela esperava, ou pelo menos, mais do que ela queria!Começou a reparar na toalha da mesa e as vozes foram ficando em outras frequências...eram menos importantes e de um jeito inesperado não se importou com isso. Quis se levantar, ser mais bonita ou mais inteligente, quis apenas atenção e devoção, mas dentre todas as coisas possíveis, ela foi apenas ao banheiro...
Ao virar as costas, ele sentiu uma vontade imensa de olhar de relance, mas não olhou.Virou o copo e apertou o play.
O espelho era côncavo ou era convexo? a imagem era dela ou era da outra? Da bolsa, vestiu o batom e montou no poder.Não iria mais esperar o aleatório...caminhou por entre as cadeiras e chegou até a porta. Ele estava do lado do bar, sozinho.Ela cuspiu cada sílaba:
-Não escrevo sobre mim, eles são todos sobre você!
Empurrou a porta e levou a mão à boca para parar a chuva!

domingo, 4 de novembro de 2007

.CinzA.


Não era couro, talvez fosse...a pele precisava de algo mais!A resistência do abraço deveria deixá-la segura.[Que capacidade é essa?!] O pensamento falava alto demais...certas coisas são difíceis de entender e simplesmente não fazem sentido e se fizessem,apenas não fariam! A questão de tudo é como alguém pode sentir e sentir e sentir...


A rua estava indecifrável.A neblina tomava conta dela.Era a primeira vez que isso acontecia pelo menos ela não lembrava de ter visto todo aquele branco antes.Fechou o portão e entrou, estava cansada de tanta cegueira.talvez aquele fosse um ensaio e ela pensou estar ensaiada demais.Era hora da estréia!
Dentro de casa havia tanto a fazer, mas ela apenas trocou a água dos peixes, colocou as cadeiras em seus lugares e desligou a tv.Pensou em outro animal e sorriu depois de uma certa amargura!Pra esse mal não haveria antídoto, era um suicidio de dois tiros.

Cada palavra era um martelo no músculo...mas em algum momento ela sabia que iria mudar...não se pode ter o gosto de flor na boca para sempre, as palavras começam a cortar e o sangue a jorrar pinta o luto da memória.Ela encostou-se na pia e lavou as mãos.


No fundo tudo o que ela sempre quis dizer:

- [...]e a gente sempre pode ser feliz.