domingo, 14 de dezembro de 2008

Cartas a você


Maceió, 14 de Dezembro de 2008

Querido Você,
diferente das outras vezes, resolvi te mostrar as linhas destinadas a ti. Eu gasto muito mais tempo tentando começar as coisas do que de fato, desenvolvendo-as. Acho que quando se começa, vai mais fácil, não? Você não anda respondendo meus chamados, por onde andas? Algumas vezes me abate uma tristeza por só conseguir escrever cartas, as narrações não me vem muito à mente. Acho mesmo que temos fases, mas me alcança o medo de ser uma fase permanente. Minhas pretenções literárias não poderão se resumir à cartas. Quem as lê tirando eu, não? Cartas servem para nos remeter ao passado, quando estamos muito avançados. Causam certa dor de ter uma saudade do que já não se é. Terça eu li algumas cartas nossas. Sempre, sempre as leio. Mas antes, espero esquecer de alguns detalhes, para me surpreender, sabe? Hoje eu peguei um ônibus e pra passar o tempo da viagem, eu me imaginei conversando com os estranhos. Eles me parecem interessantes. Vi uma criança perto de mim e seus pés estavam sujos de areia. Era o ônibus vindo da praia e, sabe de uma coisa, crianças são as únicas criaturas a quem tolero o cheiro de protetor solar. Acho particular esse cheiro nos pequenos. Uma delas estava a dormir e me deu até vontade de ter filhos quando eu vi aqueles olhos pequenos fechados  e aquela boca miúda, mas são apenas vontades que passam e voltam no outro dia. Acho que filhos, mais que de sexo, deveriam ser feitos de amor, e eu não consigo acreditar em amor que dure; talvez seja por isso que eu não tenho tanta vontade de ter filhos quanto deveria. Esse tipo de coisa faz arrepender quando se está velho e sem ter de que se orgulhar ou reclamar. É triste achar que as pessoas tem filhos para não ficarem sozinhas. Mas não são todos, só alguns. 
Como vai a sua mãe, teus irmãos e a operação da tua tia? lembro que tinha ficado pro mês passado, mas não me dá notícias tem tanto tempo. Talvez eu me mude e semana passada eu até fiz umas malas, numa daquelas vontades de sumir como fogem os pais que vão comprar cigarro, mas eu nem fumo. Queria ir embora e ficar até longe dos amigos e não avisar de mim never more; seria como se eu tivesse morrido. Daí eu nasceria em outro lugar e eu seria meu Deus. Seria tudo tão diferente, mas eu fiquei. Tá tudo igual, mas eu tô aguentando. Eu ando cansada e aquela foto que eu mandei da última vez eu pareço cansada de verdade, não é? Como diz o cara de barba: quando acho que estou quase chegando, tenho que dobrar mais uma esquina. Ando mesmo de saco cheio de esquinas. Tava aqui pensando e eu começei a escrever essa carta tem umas 3 horas, eu faço mil coisas ao mesmo tempo, você sabe, enfim...hoje no almoço, percebi que ano novo tem gosto de uva passa. Ei, talvez eu coloque em prática meus planos que eu disse antes. Tenho que ir, porque ninguém gosta de cartas enormes, é bom saber a hora de parar. Eu vou continuar escrevendo, responde logo, porque talvez eu me mude e quando a gente demora muito a perceber os outros, a gente se magoa e nunca é a mesma coisa. Mesmo que eu mude, não esqueça que eu não quero que você esqueça, e se for seguro, te mando algo lá do fim do mundo.

Com carinho grande de quem se perde.
Lívia.


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

meu.


                          Olha, o que acontece é que às vezes eu tenho saudade. Eu fiquei pensando ontem em como eu queria que você me conhecesse, mas ninguém me conhece, sabe? Acho que eu prefiro manter segredo. Anda tudo tão frio, não se trata nem do morno. A temperatura pré-aquecida anda me causando sensações indesejadas. Falando desse jeito parece até que eu sou meio louca, mas talvez eu seja ou esteja ficando. A gente morre a cada dia, né? Tem gente que nasce morta, morre no meio do caminho, mas eu não quero falar sobre isso. Queria ser mais específica. Dia desses eu tomei um susto que me fez lembrar que aquela sensação de medo e alívio ainda existe. Sabe quando você abraça uma pessoa e isso dói? Porque parece que se você soltar e dexar ela se afastar dois centímetros, ela vai acabar se afastando 5 e mais 10, até que você nem consegue mais vê-la? E quando você não consegue mais vê-la, parece que o amor acaba, cada segundo longe é um segundo sem o amor, é desperdício. Eu não sei porque eu comecei a falar de amor, deve ser por causa do filme que eu vi hoje a tarde. Eu fico abaladíssima com os filmes logo depois que os assisto; dia desses eu quis até me mudar pra um. Eu gosto de pensar que eu escrevo como se você não soubesse disso. Acima de todas as coisas agora eu fico pensando no fim de ano, porque eu adoro fim de ano. Aquelas festas com um monte de gente e roupa nova e bebida e comida.Parece que no fim de ano todo mundo é feliz, mas eu não sei porque, eu fico triste. Negócio mais chato fim de ano. O que eu mais gosto em você é sentir essa dor e saber que me olharás igual e certamente entendes o porque de eu querer morrer às vezes sem motivo aparente. Gosto também de saber que você vai entender o que de fato foi verdade em tudo o que eu escrevi. Queria só lembrar que eu não gosto de mentiras sinceras, nunca as entendi bem e devo dizer que se eu morrer amanhã, indo à praia, pensei em coisas novas pro ano novo. Se nada disso acontecer, pensei em realizá-las, mas isso vai ser trabalhoso. cumprir minhas promessas. Amanhã eu começo a pensar num jeito de você viver mais. Sabe de uma coisa? Eu gosto de ver filme velho sozinha. Talvez, realmente, isso esteja me afetando além do momento seguinte. Sabe, eu tive um gato uma vez...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Isso é uma música



Trilha(1)

De vez em quando aqueles lapsos acontecem mesmo e gente que tem coração batendo no peito faz a conexão muito perigosa entre músculo que pulsa e sente, e massa que faz pensar. Daquele momento em diante, eu juro que nem me importava mais. Já fazia a seleção naturalmente, entre os idiotas de festa e os ex.

-O que eu gosto na gente é não precisar começar uma conversa idiota com papo idiota. Nós vamos logo pra idiotice que interessa.
-Que lindo isso!
-hahahahaha
Eu deitada no colo dele, agora sentava no sofá e colocava o cotovelo apoiado nas coxas e pressionava um dos meus olhos com a mão direita. Eu gostava disso.
- O que foi? tá pensando em que?
-Em como eu acho você doida mesmo. Louca de pedra. E em como a gente viveu tanta coisa.
-Ihhh...
-Eu não tô querendo ter nenhum discussão de relação com você, relaxe. Mas eu te conheço hoje como a mim mesmo, eu sei exatamente aonde você vai complicar as coisas. Meio suicida, né?
-Esse momento ex casal? ahaha acho muito. Inclusive eu fico sim pensando, não acho que você me conheça tanto assim, até porque eu mudei tanto, você mudou tanto.
- Mesmo assim, as tuas mudanças são previsíveis pra mim e eu não acho que isso seja uma coisa ruim. Acho a coisa mais linda da amizade, quando você sabe , ou pelo menos acha que sabe tudo.
- Eu acho perigoso. Saber tudo é perigoso, ser amigo é perigoso.
- Ih, eu vou voltar a falar de coisas idiotas pra complementar conversas, faculdade e namorados, então...
- Não...vamos falar mal de você, então...muito melhor ahaha

- Isso é injusto, nós passamos metade dos nossos anos juntos falando mal de mim.
- E porque você acha que eu fiquei tanto tempo com você? Você é o meu boato confirmado preferido. Eu sempre inventei todos difamadores.ahaha

- Acontece que um boato confirmado deixa de ser boato.
- Só se eu quiser. No meu mundo, os boatos são sempre boatos, mesmo os confirmados.
- Me conta...
-Contar o que?
- Porque tantas coisas ruins com a gente?
- Ah, eu não sei, você sabe como eu sou. Você sempre foi tão tudo e eu sempre a metade das coisas. Eu não queria ser metade, eu queria ser tudo. Mas a minha visão de amor sempre foi errada. Eu ficava querendo que você fosse minha música preferida, mas às vezes você era meu sertanejo. Eu odiava isso. Não conseguir criar um você pra mim, e quando a gente se separava, eu ficava esperando que você fosse minha canção preferida de novo, e você até conseguia por uns tempos, mas você sabe como eu sou. Eu vicio numa música e depois eu não aguento mais ouvi-la.
- Eu odiava quando você sumia
- E eu odiava estar ao seu lado às vezes. Precisava de uma música nova. Mas eu tinha saudades, passado um tempo, a música velha preferida me doía o coração e eu voltava.
- Eu passei o nosso tempo todo juntos querendo ser razão.
- E você nunca conseguiria, nem eu era razão, eu sempre voltava. É que também teve uma época em que eu te via menos como amor, você ainda era o meu amor, aquilo com sexo, sabe? momentos em que você era só o sexo, eu me sentia confusa às vezes.
- Complicada você. Eu não vou  mentir que eu adorava isso, continuo adorando, mas o nosso nós agora é um nós diferente. Eu sei que você precisa do mundo. 
- Eu adorava andar de ônibus à noite com um fone no ouvido, escutando uma música que falasse de amor e alternasse ritmos tristes aos alegres sem meus óculos, olhando as lâmpadas que minha retina podre transformava em grandes bolas de fogo. É sério, é tão lindo. Eu me sentia num filme, mas normalmente as músicas são curtas, né?...


Ele ficou me olhando e eu fiquei pensando. Nós nunca seríamos o meu filme preferido, com minhas bolas de fogo ao som de uma música que eu estava viciada. Era tão injusto com ele. Já estávamos diferentes, mas as nossas mudanças nos levavam um ao outro. Eu sentia. Isso era tão injusto comigo.

domingo, 19 de outubro de 2008

. A mesma palavra .




O produto da chuva ontem veio me dizer umas coisas. Ela falava em línguas que eu não conhecia, pelo menos não até ontem. Eu ouvi do peito de alguns que eram apenas sonhos, mas eu acho que o sonho por si só já se basta, como paixões que dão certo. Voltando às gotas de chuva, cada gota que caía, me falava uma verdade e no fim da chuva, eu me despia de mim, quase sem querer. Cheia de verdades que agora eram minhas e mentiras completamente prontas para desmenti-las. Eu ficava esperta ao meu redor e já me dizia para continuar me despindo, me vestindo, sonhando e me molhando...Imaginava agora se caísse uma tempestade, do que eu seria capaz...
Isso já me bastava, assim como ser criança.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O outono é aqui .




- Você não se importa com tantos sonhos impossíveis?
- Você não se importa de ser tão amarga?
- Eu perguntei primeiro!
-Isso não é um jogo.
-Você sempre foge.
-Assim como você. A diferença é que eu sonho, e não, não me importo com impossibilidades.
- Eu me importo.
- Eu sei, você se importa com tudo.
- Isso não é verdade. Eu não me importo com você.
-Você é quem pensa.
-Eu acho que você acha demais
-Vê?  
-Eu só queria saber porque diabos isso significa tanto pra você
- É por isso que eu não me importo com o fato de sonhar impossibilidades.

Lado a lado, o  ar sujo da cidade percorreu o interior dos dois corpos distintos. E se libertou.





terça-feira, 23 de setembro de 2008

FrenéticaS

Lado a lado em cada cavidade, o coração resolvia que passear agora era sua nova onda, uma dessas de sangue, pelo sistema cheio de nervos, resolveu que assim iria passear e, sem mais, me para pelo pescoço, antes que pela boca.
Antes que eu pudesse assimilar, eu só ouvia o tun-tun me impedindo de falar. Um puro egoísmo onde eu sentia o meu, só o meu total despudor diante daquele novo. Daí em diante, me veio o medo, característico, de quem teme nunca mais voltar ao normal.
Quando eu me dei conta, o coração me invadia a traquéia sempre que podia; aliás, minto, ele se atrevia dessa forma quando um ser de patas duplas e ereto passava no mínimo a um raio de alguns metros. Eu sentia sempre o cheiro. Eu já não era a mesma.
Mas isso não ficaria assim de jeito nenhum...pela décima invasão coracional, eu resolvi vingar-me; o ser que me causa isso também precisa sentir todas essas pertinentes intervenções, eu sentei e planejei.



foto por mim : http://flickr.com/liviavasconcelos

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

. Amar, verbo intransitivo .




Ouvindo só mais uma música depressiva, num estado não muito agradável, eu pensei no caminho pra casa sobre todas as coisas que se pode sentir de uma vez. Assim, somos, então, essa bolha cheia de sentimentos, tão frágeis e tão cheias, outras nem tanto. Tirando tudo isso por mim, eu hoje, essa pesoa tão mais livre de besteiras que me afligiam antes, tenho medo de que as besteiras apenas nos abandonem para voltarem renomeadas. Existe coisa mais complicada que relacionamentos?
Eu não me refiro apenas à "homem e mulher", refiro-me a todos os tipos. Até mesmo do relacionamento que temos com nós mesmos. Já se pegou com aquelas dores que ninguém vai entender a não ser você naquele exato momento? Elas sempre voltam, eu sei, ou melhor, você sabe. O que eu digo é que esses momentos são impossíveis de se descrever e só eu sei as esquinas que atravessei, já diz a música.
O que eu venho tentando falar é de todas essas coisas que chegam sem pedir licença, nos arrasam tudo por dentro e nos tiram o sono; eu me pergunto se tem como evitar que elas entrem, mas a resposta que vem à minha cabeça é que as coisas simplesmente são assim. Talvez se eu lembrasse dos meus sonhos durante a "noite"; talvez eu soubesse o que me aflige hoje; talvez eu não queira dizer nem em voz alta, muito menos em comic sans negrito, e nem mesmo sentir.
O que sobra desse liquidificador de mim geralmente são coisas ruins e eu continuo com aquela abominável mania de não conseguir olhar nos olhos dos outros; mas eu respiro, os radicais livres rasgam uma nova ruga de 1 segundo a mais de vida bem no meio da testa e eu repito, na voz alta do meu pensamento, com a esperança que ninguém ouça:
Amar, verbo intransitivo!
...nunca fui muito boa em portugês, vai entender!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O alvo e a seta


De todos os livros que eu li e que me fizeram ler, nenhum me preparou para aquele momento. Estranho que ela falava e eu estava aqui, nessa poltrona, pensando essas coisas. Por esse tempo eu já perdia meu senso de sobrevivência, o do ridículo me abandonara no primeiro gole de vodka, quando aquela frase foi pronunciada. Aquela que resume todos os problemas em uma relação. Uma discussão. Não, não era nenhuma briga, era só um jeito que o seu parceiro encontra de jogar em cima de você o que o atormenta. Eu que sempre corri de conversas, odeio médicos homeopátas e evito terapia, coisa mais descabida ter que pagar a um desconhecido pra que ele te ajude a resolver sua vida. Onde foram parar os amigos? Eles costumavam fazer isso de graça, mas depois que te jogam no ringue, o patrocínio é fundamental, outros chamam isso de trabalho e eu levava um soco atrás do outro, mas eu estava crescido; já nem tinha medo de sangue, mas aquela conversa...

A porta da sala bateu com o vento. Agosto trazia chuva, quem dera agosto fosse agosto só pelo nome, agosto sem agosto. Ele parecia nervoso com a minha proposta e se irritava com o meu cinismo, mas eu não conseguia evitar, era maior que eu. E o pior é que eu gostava do meu poder naquele desespero todo. Ele não aguentou e acendeu um cigarro, ficou trocando ele entre os dedos, tragando aquele câncer de pulmão, pra disfarçar as gotas de suor que escorriam pela nuca em pleno 12º. Algumas vezes esse nosso jogo me irritava. Às vezes era ele, às vezes era eu. Enquanto ele falava, eu olhei pro quadro preferido dele na parede e imaginei 347 formas diferentes de destruí-lo...aquilo me fez um bem!

De cima, olhei-o ainda sentado na poltrona, joguei o resto de licor no tapete novo e deixei o quarto com o casaco pendurado em um dos ombros...o mais cínica que eu pude ser.



segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Bossa nova




No 96º passo, uma folha caiu no meio do caminho, ao lado dos pés, ainda vermelha; a cabeça foi acompanhando o movimento da percepção do objeto até a onomatopéia suave do encontrar o chão. Era o outono, deixando marcas desde já.
Eu fui olhar o horóscopo. Deveria haver algo a mais para se saber, talvez os astros dissessem; virgem, câncer, sargitário, libra...nascestes em que mês? Eu não lembro, sabe? Recorri à memória, fui tentar achar traços. Se é de casa, se é de rua, se vende a mãe... Cheguei à conclusão que esperava. Não és nada, pois és tu e tu só não se parece com ninguém. Mas aquela paixão me foi embora no quinto dia, sem nem uma carta.
Eu relevei, afinal, foi no sexto que eu tive uma vontade de mudar; no sétimo, mudei e, pelo fim da semana, meus olhos de gato já procuravam aquele cheiro novo, de leite no prato, de amor novo. Eu ia me acostumando com esses rompantes. Eu te amava e já não te amava mais, tu eras tu e já não eras mais. Os corpos foram vários, o teu no meio do tapete nu de peitos e umbigos, mas eu te reconheceria no meio do Japão.
Um sol que nasce e uma brisa que arrepia dentro da orelha. Não tinha nada de brisa, aquilo tinha outro nome e eu quase tardo. Nesse tardo, uma estrela saltou de minha boca, por volta das cinco horas da tarde; por volta das cinco, ela foi pro céu e eu... deixei.



segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Do mesmo jeito.

Insuspeitadamente. Ela me perguntou algumas vezes o que eu tinha com aquilo. Calei-me. A ponta do cigarro quase me queimando a mão, virei o rosto e disse apenas o que queria ouvir. Mesmo que cada palavra fosse me cortando uma corda vocal, ao fim da frase eu já não conseguia falar, era melhor assim. Ouvir o que eu não queria dizer naquele tom de voz, oras, já me bastava. Eu ficava imaginando dias e noites, principalmente quando ia pra cama, ela vindo e a conversa se desenrolando. Era tão mais fácil. Horrível quando a boca do outro fala sem a sua permissão. Eu arquitetei cada palavra. Ela diria casa coisa do jeito que eu imaginei e eu responderia do jeito que eu também tinha imaginado. Mas ela veio com um por que que eu não estava contando. Eu sou o tipo de pessoa que não sabe lidar muito bem com imprevistos, ela veio com um por que. Eu acho que eu inventei alguma coisa, sabe lá o que eu disse. Eu já nem me ouvia. Sei que isso desabou todo o resto e eu fiquei esperando os comerciais. O que veio foi uma vontade acelerada de ser julieta, de ser história, de ser mentira, de ser verdade. Enfim, eu queria mesmo era ter uma borracha. Se era ela, se era eu, se era ele se eu era ela. O sonho nem tem mais fim. A música ainda toca ee u ainda me desespero.
Eu estava com uma impressão de que precisaria doer, doer muito e doer tudo. Sangrar, até não se sentir mais nada. Doer até você querer morrer. Só aí, eu poderia mudar de nome, mudar de cor. Eu ainda.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Empurre!




Ai!
Começava uma onomatopéia assim, pra expressar exatamente o que ela quer dizer, afinal, um "Ai" é um "Ai" e ninguém pode negar! Nada de conhecimentos psicológicos, eram muito fracos, por sinal. Eles ficavam à mingua quando sem mais, não havia nenhuma sílaba para se dizer nem de si. Desespera quando alguém precisa ouvir e você pode apenas calar-se, mas só as coisas da vida podem ensinar. Quem sofre mais, sabe mais, quem ama mais, sabe mais, quem vive mais, vive! Isso é o que importa. De todas essas viagens para dentro e fora de si, algumas delas perdidas pelo caminho, havia algo que incomodava, sabe? Algo assim...como eu posso dizer; Algo que te é. Não se controla. Nada de comandos, plays, stops, resets. Ihhh, pode-se dizer a si mesma quais são os controles, mas o espaço entre o pôr do sol e o nascer da lua causa estragos. Mas quando coisas que andam te controlando começam a mudar de lugar de um lado de dentro, como se muda uma cadeira de lugar, ou mesa, isso te agonia. Te causa horror. Você ainda não sabe, mas a sensação de expulsão não é um mal-estar. Comer um peixe estragado não é um amor que não te dá certo. Assim, você coloca o dedo na garganta e como uma bulimia anunciada, você quer colocar aquilo para fora de si. Te incomoda. Sabe o que você faz? Você sente. Sinta,não há nada melhor que sentir. Viva, a vida expulsa isso de você. Como um vômito, com estragos maiores, mas com um alívio parecido, porém, melhor, não esqueço da descarga, deixo tudo o que não for passar!


Foto do meu flickr: http://flickr.com/liviavasconcelos

domingo, 27 de julho de 2008

Idiotas!

Sabe?...egoísmo, mas era assim, com as pessoas erradas. Como num bar que vc recebe a cerveja errada. Mas a diferença é que pra trocar é bem mais difícil. Saber se a música é boa ou não, o livro é bom ou não, a pessoa é boa ou ruim. Se importar com coisas que para você não são para os outros. O que acontece é que num mundo grande, o egoísmo é visto muito errado. É uma coisa ruim. Ela sabia, não? Egoísta...sabia ela desde sempre o que significava aquilo. Ensinam-te a ter culpa. É feio. Oras, eu sou caridosa, eu tenho mesmo é compaixão. Comigo. Uuuufa...mais um que vai pro lixo sem nem ter terminado de ler o rótulo da embalagem. Não se trata apenas disso. Trata-se apenas de querer viver num mundo simples, onde todos se importam com os outros, mas acima de tudo, consigo. E nessa merdinha de mundo, um dia, você se depara com alguém que entende egoísmo erroneamente. Uiii, cuidado. Eles são os piores dos idiotas. Seja egoísta com as pessoas certas. Não te digo para avaliar quem é contigo. Não falo de valores. Digo-te apenas: Ama-te primeiro, queira o de melhor pra você. Eles são egoístas de outro jeito. Eles são...

Próximo!


[Desabafo...eu escrevi isso bêbada...deve-se então ao fato da minha liberdade de palavras. Fome...tchau!]

sábado, 26 de julho de 2008

Um todo num tudo




No sonho, ele falava e eu lembro de uma boca de se beijar movendo-se, formando vogais, sílabas, palavras, monólogos intermináveis, os quais não me lembro uma palavra. Era como uma ressaca sem dor de cabeça, eu não lembrava de nada. O vento no cabelo, a boca rosada, o sexo pulsante me interessavam mais. Ah, mas se ele soubesse que eu não estava nem um pouco interessada na fome da África, eu sabia que ia direto pro inferno pensando desse jeito, mas eu não me preocupava com nada mais que não fosse o agora, andava até com frio nesse julho, e isso me dizia pra desejar. Era interessante me perder em tanto egoísmo, fazendo cara de paisagem. Mas veja bem, eu dava o que ele queria, ou pelo menos o que ele achava que fosse. No fim de tudo, ele me perguntou o que eu achava...eu respondi: -Eu ando achando só o que me interessa.
Um vento abriu a janela. Que calor esse agosto!



Foto por mim no : http://www.flickr.com/photos/liviavasconcelos/2614739165/
numsei

quarta-feira, 23 de julho de 2008

1+1= 1

Ai que te levanta o cabelo. Assim, centímetros calculados. Uma mão só segurando a penca de cabelos. Cheiro bom. Quentura no pescoço que te desce o corpo e te entorta alma. Entorta, mas não quebra. Ihh, bem que te tentam, mas, mas, mas...deixa pra depois.

boca, distância, medo, coragem, vontade, reta, dentes, saliva, língua, língua, saliva, dentes, reta, vontade, coragem, medo, distância, boca.

Boca, mão, braço, perna, tronco, pés...Beijo. Dois. Um.

Álgebra seria mais fácil, mas não seria tão bom.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Sem mais.

Um mantra.
Pela cabeça.
Dia e noite.
Um mantra.

Os pés frios mas a cabeça quente, a lágrima descia queimando, deixando cicatriz. Se quer um lenço? Na verdade ela quer mesmo é saber onde foi que resposta se perdeu e onde a sanidade abandonou o barco. Debaixo das cobertas, num universo paralelo, o mantra comandava a noite. Quando ele se repetia, ela tremia. Não era de frio. Serei breve. Essa noite, eu me deixo.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Então vá se perder...



, OK!

Já passava das 3 da manhã e o drink virou água. Não suportava aquele desperdício. De noite, de álcool, de vida. Cansa viver num jogo, mas ela não sabia caminhar sem olhar para trás. Um sentimento desesperado de que as coisas sempre se resolveriam rondavam aquela cabeça prestes a ser degolada. Um corpo, uma alma vendida e por um preço tão injusto.
O problema acordava e virava pó, logo em seguida a própria acordava, tomava o problema como quem bebe água, comia no almoço...ia levando. Uma paixão segundo os livros que mora quase perto do coração, dessas que esquentam as noites de frio mas que são insuportáveis demais nas noites de calor. É preciso de outros ventos nessas noites. A noite fria sempre volta, o cobertor, quem sabe?, mas aprendia a conviver com isso. Com as pernas de fora, com as praias e com as meias.
E de que adianta, então, ser o cobertor ou o aquecido? Ela parou em frente ao bar. Eram copos suficientes para desligar o celular e desejar parar de pensar. Bonitinho o garçom, mas ele era ele, quando ela era ela. Não bastava. Abanou a cabeça, já no carro, acendeu o farol num rosto agora desconhecido. Ele tinha dias a mais, praticamente outra pessoa. Pensou em perguntar - Quem é você?, mas aquele sorriso de canto no rosto de passado a fez desistir. Fez que não viu o escancaro de vida à sua frente.
Foi embora.
A noite ficava perigosa para copos demais e tantos desejos.


http://www.flickr.com/photos/liviavasconcelos ---> Foto retirada demeu flickr

quarta-feira, 25 de junho de 2008

- Colunista - Do - QuartO -

Nostalgia... mas de que?


Voltar a escrever? quem sabe, acho que deixei faz tempo de ser colunista, volto ao quarto para algo que ainda não sei, como quem abre a geladeira e esquece o que ia pegar. A merda desse esquecimento é que você continua com fome, ou pelo menos com gula, toma um copo d'agua e volta pro pc. Escrevendo pra não cair no esquecimento, pra Dona Lívia não tirar minha foto dali do canto, pra não virar nostalgia. Prometo tentar voltar.


"O espelho e as verdades/ O objeto das vontades// O espelho e as vontades/O objeto da verdade" O objeto - Nina Becker pro 3na massa (www.myspace.com/3namassa).

Fica essa indicação.


Ps: Volto aqui também porque recebi meu primeiro salário, a proprietária do Blog é bem displicente em relação a isso, mas é assim mesmo, vida de brasileiro é foda.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Místico

O nariz, a boca, a perna, o chão. Tudo se voltava a um minuto perdido. Quando por instantes nem você se acha, ou não quer. Segura uma folha, amassa, joga...achar que quando você tiver vontade de fazer as coisas, simplesmente deve fazê-las. Sem mais. De certa forma as coisas não pareciam assim. Lapsos, momentos que nos invadem e nos contradizem. Nos coloca em teste. Fecha a janela, fecha a porta, se enfia embaixo da cama, mas as pernas ficam do lado de fora. O nariz, a boca, o braço, um passo. Um atrás do outro. O número, o artigo, tudo em frente. Um semblante se fecha, junto a ele, a visão periférica e num momento desses, ninguém pode saber o que se passa em si, o mundo fica pra trás. A respiração te falta e os dedos formigam. Aquele nervoso, aquela confusão. A velha intimidade. Uma certeza de ter achado algo em quem não está procurando. O nariz , a boca, a coxa e o querer. Uma fumaça tomando forma na mente dispersa. Pura pretensão achar que o pensamento é maior. Total despudor. Sigilo entre as quatros paredes de um corpo. A parte que lhe cabe em um sentimento ateu, e você é Deus. O nariz, a boca, o braço, a coxa...retalhos espalhados pelo chão. Uma colcha, um colchão, dois. Um sentimento ateu.











Voltei :)

sábado, 3 de maio de 2008

Carta ao Medo


(Querido medo)...[Querido não, que eu não quero mais intimidades com esse ser...]
Medo...

Eu preciso te falar tantas coisas. Uma delas é que eu sou covarde. É isso mesmo...tem gente que eu não consigo olhar nos olhos e por vezes eu não consigo falar com palavras, mas se nem o roberto carlos conseguia, eu me perdoo nessa falha. Enfim, voltando para a nossa DR* eu te escrevo porque sinto que assim posso te explicar melhor. Eu estou muito puta com você medo. Você sabia que eu ultimamente ando MUITO OCUPADA*?? Poxa, trabalhos para a faculdade*, coisas para ler, textos para grifar, vidas para resolver e mesmo assim você resolve me chegar nas horas mais incovenientes. Eu sei, a culpa é toda minha, juro! Eu te dei um espaço maior do que você merecia tempos atrás e vc está apenas ocupando um lugar que eu te dei, mas retomando, isso faz tanto tempo. De lá pra cá o lula perdeu um dedo, as torres gêmeas viraram pó, o michael moore fez outro filme falando mal do bush (não que eu ache isso ruim, eu adoro ele! Não o bush e sim o moore), a malu mader e o tony belotto se separaram ( essa foi &%#@, não acredito mais no amor), eu cortei o cabelo e recortei mil vezes, tantas coisas aconteceram...as pessoas mudam e as prioridades na nossa vida mudam sim também e por que não?

Olha, eu estou aqui rodeando, rodeando, mas agora eu vou falar...sinto muito medo meu, desculpa o meu palavriado, mas vá pra puta que te pariu. Não existe mais lugar pra você por aqui. Não insista. Aquele feriado em que meus pais viajam, aquela saída de fim de semana, aquela viagem ao sítio, aquele novo amor...você não ouse atrapalhar mais MEUS momentos. Não atenderei mais seus telefonemas, te excluirei (E BLOQUEAREI) da minha lista de contados e vou te apagar do meu orkut(nada de scraps). Leve as suas borboletas com vc...elas são as borboletas do mal que me causam náuseas quando não deveriam.

Tivemos muitos momentos ruins, é verdade, e agora, eu quero deixá-los para trás. Até nunca mais.

Decididamente decidida,

Lívia vasconcelos.Oras!


segunda-feira, 21 de abril de 2008

RemotO ControlE


Olá leitores,

Quem acompanha minhas postagens percebeu que eu dei um intervalo muito grande de uma pra outra. De fato, tem mais de duas semanas que não há nada novo aqui. Eu deveria ter colocado esse aviso antes. Eu não estou num momento muito inspirador, eu diria. Até que estou, mas eu cansei de certas coisas e eu quero novo. ou melhor, "tudo novo de novo". Eu não quero me repetir nessa causa milhares e milhares de vezes. Eu voltarei a escrever aqui em breve. Espero que fiquem aguardando meu descanso...É só para aliviar a mente e voltar com todo o gás.


"A minha paixão de hoje é o que eu faço hoje"...Letras, minha paixão de hoje e de sempre!

I'll be back :)
Foto por lívia . Vasconcelos ---> http://www.flickr.com/photos/liviavasconcelos/

terça-feira, 8 de abril de 2008

. O inverno é sempre iguaL .


Assim, quase glacial. Ele enxugou a testa de suor e fixava a parede, como quem procura alguma sujeira. Olhos de peixe, olhos de peixe na rede. Em cima da mesa, o copo de vinho enfeitava-se gota a gota, sem cor. Ele agora o fitava. O silêncio não ousava falar, cada palavra em seu descanso o perturbava cabeça a dentro. O suor agora descia formando partículas de gelo que se misturavam ao cabelo claro, escorrendo na pele branca. O calor esvaia-se de seu corpo. Junto com ele, a intimidade. Caía pelo ralo da pia e rasgava a garganta numa tentativa desesperada de compreensão.
Do escritório, a dona das louças finas chorava ao telefone. Com uma das mãos, ajeitava o gorro enrolado ao pescoço macio e terno. Um córrego desenhava-se em sua face. Um rastro negro escorria dos olhos. Ela não limpou, como se fosse um zumbi, nem ao menos percebeu. Encaixotava agora cada livro lido nas noites de insônia. Essas em que a companheira tinha nome e só existia nessa língua de gente alegre, mas quem sabe, infeliz. Antes de chegar até a porta, se viu no reflexo da vidraça de um móvel. Já não tinha um raciocínio lógico. De canto, em cima da mesa, um lenço estendido. Enxugou o rosto num só movimento. Límpido e simples. Retrato de família.
O carro na garagem ainda estava quente, pegou o casaco e parou na porta da cozinha. Olhava para o chão. Nada a se dizer..."Até nunca mais por enquanto".
Calafrios e o medo de tudo novo de novo... ruim perder algo assim, que se pensava ser perfeito para talvez um tema de livro.
Só a literatura salva, frases perdidas dentro de caixas. 100 homens e mulheres de sua vida. Todos, de fato, loucuras que irá cometer e "recometer". Todas prévias de todos os dias em que foi mais feliz.
Foto por Lívia Vasconcelos

sábado, 29 de março de 2008

.O perfume das manhãS.



Do fim do corredor, ela andava. No canto, alguns conversavam. Como num sonho, ou pesadelo, em que não se pode acordar, ao menos ela tentava visualizar as coisas de um lugar mais seguro. No sonho, só pensava em uma coisa: Ligar para a menina da lua. Mas aí seria um interurbano. Dá para ver, mas não pra tocar. Cairia em outro pesadelo. Minha cara amiga, a tarifa não tem graça, pensei. Os últimos dias haviam sido iguais. Mais do mesmo. Sempre de chuva, vontades, meias verdades... Há quem diga que elas não existem, as meias verdades. Seria uma mentira, não?...Talvez elas sejam censo comum. Vai saber.
O feriado acabou e ficaram as fotos daquele mundo paralelo. Ruim era pegar a nave de volta. Cada dia uma certeza de talvez estar se enganando. As frases escritas para se acreditar. Todas prévias. Doía lê-las. Eu tinha vontade de desarmá-la.
Sempre tão cansada, ela descobria que não havia lhe feito tão mal. O tempo era liquid paper.
Foto por Lívia Vasconcelos (Eu)

sábado, 22 de março de 2008

.Perto demais.



"O vento entra sem pedir licença"...

Carregava as cartas. Ela havia rasgado. Eram apenas linhas de um português inventado. Registros que não correspondiam. Falha de comunicação. Entrelaçou os dedos no alto do rosto formando um ângulo entre a mesa e as mãos. Pensava no que não devia e sentia o que não podia. Mais.

Na chuva, a lágrima virava água corrente, juntando alma e sentimento, num último adeus. Muito melhor quando esse adeus é para um oi de próxima vez. Entrou em casa e arrumou a bagunça.

Ligou a Tv. Ligou o som. Ligou o computador. Ligou ainda para alguém, só pra sentir a intimidade, mas a secretária eletrônica atendeu. Do quarto, ouviu um barulho de alerta. Alguém falando na rede. Alguém com letras e desenhos. Não tão perto que eu possa tocar.
De dentro, me olho.










Foto por Bárbara de Miranda Abreu

sexta-feira, 14 de março de 2008

.A garota dançA.





- Ah, quando eu era criança...
-O que tem?
-O mundo cabia nos meus desejos! Tudo dentro de uma sacola!




Reconhecer-se em si é um fato que acontece poucas vezes na realidade escancarada. Como era absurdo o fato das horas correrem sem ao menos uma solução.Ah, não! Vestia-se de angústia no banheiro.Ela não se tira para lavar e de acordo com os dias, o mau cheiro enfestava o quarto.O espelho já não ajudava.
Achava muito feio o jeito como as folhas sempre sujavam o quintal, mas elas ainda estavam lá...o vento carregava. Era a mesma brisa que secava os cabelos de camomila e lhe contava um prenúncio.Ele vinha com um filho.Cheio de fé e abraços. Ainda era tudo muito difícil e tudo tão roda-gigante.Coisa de namorados.Sem o namorado! Ela enfim, parou! Sabe, assim, quando os acontecimentos não te respeitam? Odiava mais que as folhas no quintal, a forma vulgar de tomar partido...e quando ainda assim, mudava de idéia na última hora.
A madrugada chegava e ainda assim, a perseguia; A luz no rosto cegava o pensamento.Ele já não morava ali.Dentro.Carro.Porta.Chave.Ruído.Vão.
-Não dá pra entender...
-Não dá mesmo! Eu só te digo para aproveitar enquanto tem graça...
Fechou seus armários. A sacola no chão esborrava o mundo.









Foto por Liu Moura--> http://www.flickr.com/photos/liumoura/

terça-feira, 11 de março de 2008

- Colunista - Do - QuartO -


Tô com pressa e preguiça. Pode?

Preguiça de arrumar o quarto, acho que vou deitar no meio da bagunça mesmo. Preguiça de entrar na academia, de vigiar o que eu como, preguiça de sair da frente do PC, da TV, do DVD. Preguiça de correr atrás das coisas.
Pressa de estar com o quarto arrumado. De entrar em forma, perder uns quilos. Pressa por equilíbrio. Pressa pra ler uns livros, mas tem as coisas da faculdade. Queria ter minha barba e meu cabelo de volta (eles tão BEM diferentes daquela foto ai do lado). Vontade de fazer as coisas. Mas preguiça.

Pressa de postar.

domingo, 9 de março de 2008

.Para quando coloriR.



A personagem conhecia-se, mais do que imaginava. A ponto de saber o que fazia de errado. A ponto de não mudar. Não era questão de engano, era escolha. Eram caminhos arriscados...ela só não sabia qual deles.Qual devia usar? O suor, escorria pelo rosto e os lenços haviam acabado. A rua, cada vez mais suja, fazia do ar depósito de cinzas. Ela caminhava pela viela de barro com as velhas imagens acústicas.


Vez ou outra a discagem rápida a encarava. Apagou alguns números da agenda e era um primeiro passo para o ponto e vírgula (;). A mulher da banca vendia as revistas e cada vez mais corcunda, a assustou. É chegada a hora.


Da porta da cozinha, alguns cheiros abrangiam a lembrança.O passeio. Lembrar poderia ser ruim.Frases soltas na sopa da noite.Ela sentiu a diferença.Sentiu saudade de si, de novo,como quando se ouve uma música que se escutou muito, ou quando alguém na rua tem uma roupa que você usava. Como quando a sua vida já não te pertence e você vive de pena.


A pena não era de si, mas da mudança de sentido. A roleta russa apontava em sua testa e ela pensava o que era viver. Olhou ao longe as montanhas cada vez menos congeladas. As roupas ainda secavam.



-Entra...olha o sereno!


-Já vou...


Ele falaria algo como quem balbucia...mas preferiu só olhar mais um pouco.

Foto por Liu Moura---> http://www.flickr.com/photos/liumoura/2315735382/

quarta-feira, 5 de março de 2008

- Colunista - Do - QuartO -

Antes de mais nada, algumas explicações: Não postei na ultima semana por culpa da chefinha, que roubou meu dia pra ela! =P mas enfim, vamos lá:

Do latin: Quentus
Acho que Maceió nunca esteve tão quente! 40° na sombra! Entro no onibus pra ir pra faculdade (lívia vei! tamo na Ufal!), mormaço. Entro na sala de aula, sauna de aula. vou derrentendo por onde ando. Quentura.
Tem outro calor também, esse é bom. O calor dentro do peito. 40° na veia. Calor que faz você suportar o mormaço, as saunas do cotidiano, que me completa após eu derreter um tanto por ai. Quentura.








Post por Arthur marley, O colunista que vem pras quartas ;)

domingo, 2 de março de 2008

.Todos os caminhoS.

Perto do coração selvagem estava um outro. A se desalinhar, ela vinha...gloriosa por natureza, cheia de vento. Pra ter coragem, ela caminhava e disputava com o sol , astro menor, um minuto de calor. Ele estava de partida e a ausência lhe trazia o significante. Era novo e não por isso. O gasto e o gosto transbordando pela boca. Não se escreve o que não se diz.

A retina ainda lhe traía e de longe eram olhos no lugar das bocas...ficou com os contornos. Preferia assim, se tudo no fim das contas muda de lugar, que fossem distorcidas desde já. Era um pensamento inútil, ela sabia. Mas de fato, mais fácil!

A brisa lhe contando segredos no fim de tarde e o frio pintando a pele de leve. Ela sentia e fitando os pés na grama, lembrou que o tempo corre macio. Um grito se desenhava num peito fechado. Ela entardecia.




*Foto por Liu Moura --> http://www.flickr.com/photos/liumoura/

sábado, 1 de março de 2008

.FugA.


Da escada verde, os pés se anunciavam. O tinto da blusa combinava com suas intenções. Ela virou-se, intrépida, como quem dança. Ele apenas olhou. Ela parou! Quando você fala com os pensamentos, de uma forma que um entende o outro, de uma forma que as palavras parecem além da conta! Algo que não é ciência...é Fé!
Era tudo uma questão de prática, ela sabia! Ele era uma fotografia que tinha vida, ganhava formas mudas, entrelaçadas ao vento. Que ele levasse tudo, como um furacão.
Ela ainda descobriria que a verdade mente. E sim, ela o faz com graça!
Acredite que de todas as vezes que o vestido caiu, ela o levantou! Dessa vez não...deixou que caísse...mostrando a pele em pálida e fulgor...vergonha e sexo.
Não havia mais nada a esconder. Sabia que era também uma questão de tempo até os olhos conseguirem se entregar um ao outro. Até que a mágoa fosse vista e a vontade certa e nula do enfim.
-O vinho secou!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

. Do latim venēnuM .

"O dia amanhece mais cedo que nunca..."
Era claro que de certa forma, ele amanheceria e os olhos continuariam ali.Pregados à face, ele corrigia cada gesto. Quando se tem a vontade de fazer o que não pode. Quando quem não pode é você e o mundo não gira em torno disso. Pior quando você sabe!
Perto de algum coração, a lâmina duvidosa ainda cortava.Acredite,era venenoso! Alguns efeitos colaterais de batimentos acelerados argumentavam com certa parte do cérebro. Tomava-se partido então! É como explicar o que não tem explicação.Seria como definir algo indefinível. A cabeça tomava rumos que ela não entendia e cada vez mais o pescoço pulsava, a testa encurtava, a tv saia por um ouvido. A incontestável alegria do permanecer. A vertigem do saber.
Ela já pensava com a veia que tecia por dentro alguma certeza. Era novo e era lindo. Algo que nasce de si quando menos espera e derruba o seu mês. O veneno e o antídoto.Parecia nome de conto...parecia uma fábula infantil de tão inocente. Pensou em campos e em cabelos ao vento e quando tudo isso incomodou, olhou-se no espelho e pensou que não era autobiográfico...era a vida falando por si só!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

- Colunista - Do - QuartO -

Boa quarta leitores! Fiquei muito contente de ver os comentários no ultimo post!
Infelizmente não tenho nenhum post fuderoso (não que o ultimo o seja e que os próximos vão ser). Mas simplesmente andei sem cabeça essa semana. Alguém ai já passou uma semana sem cabeça pra coisas? Aéreo, perdido, perdendo o chão, catando cacos, dando com a cabeça na parede (apesar de estar sem ela).
ô textinho metafórico. Mas pois é, andei sem cabeça, com um rio de saudade correndo na veia. A pessoa sem cabeça tenta parar e colocar os pensamentos em ordem, mas a cabeça na metáfora é a razão, sem ela os pensamentos vem vindo assim aleatoriamente, daí BUM! já era. O vento não lembra vento e as coisas não fazem muito sentido.
Engraçado que passei uma semana pensando na coluna e só agora, 30 minutos antes de ir pra faculdade e entregar o texto pra chefa que consegui! Próxima semana um texto sem pressa.


"To fumando o cigarro da saudade
e saudade escrevendo o nome dela."
[Cordel do fogo encantado - Quando o sono não chegar]

Espero que cabeças não rolem na redação depois desse post. =)


Post por: Arthur Gomes, o colunista que vem pras quartas! ;)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

.Do latim, meduS.






Uma palavra e um coração. Um só. Uma só. Um surto. Uma crise. Um sinônimo.


Medo: É um sentimento que é um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente.




Fazia calor, como sempre, e o suor era maior que a preguiça. Duas, três vezes a caixa torácica contraindo o diafragma...e relaxaaando. Um pé atrás do outro. Olhou as unhas das mãos sujas e cortou-as novamente. Uma certa vez pensou na discrepância e em como de certa forma ela move o mundo. Filosofar sozinha era fácil, como quem rouba às custas de uma mão. Alguém havia levado a razão do porque e a personagem perguntava a si qual a reprodução das borboletas. Seriam elas assexuadas?
"Bem possível!", pensou, depois dos pés gelados!

Boca seca e no instante seguinte ela quis ir ao banheiro...Nada a fazer. Era apenas o dejá vù.A estranheza transpirando em cada poro, a insegurança escrita a batom no rosto e o fato de só ter a si mesmo. Quando a ternura não se canta, quando há um poço sem fundo.


-Eu senti que algo poderia acontecer e sempre que isso acontece, há alguma coisa errada, acredite!


-Falando desse jeito, parece que algo vai acontecer.


-É...alguma coisa acontece sempre...Isso,por exemplo, acabou de acontecer!


-Você precisa dormir!


-Eu já não durmo!




Uma dor que a afligia sempre que pensava em anos atrás...Uma vontade que tudo não tivesse passado por ela e que de certa forma os erros tivessem reparado as coisas.Alguma coisa parecida com...medo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

.E por pensar demaiS...





O vento que bate, a brisa que toca.Havia uma diferença. O despertador tocava e ele já não servia de muita coisa.Desligava-o. Percebia o quarto e suas nuances.O dia nascendo lá fora e não havia nenhuma janela dentro.Mas ela sabia o que havia em cada metro quadrado, onde estava cada olhar perdido. Quanta desculpa se desenhava, quanta vontade lhe faltava. Algumas vezes, desejos súbitos a cercavam. Coisas que ela não queria e sabia que não faria, mas sempre imaginava. A "SEologia" voltava e ela já se pegava vivendo cenas que nunca existiriam. Diálogos respondidos por ela mesma. O mundo não era um personagem seu. Isso não poderia ser bom. A sensação era de intervalos, preferia chamar de interlúdios apaixonados. Era como viver em espaços de tempo e aturar o azedume do resto. Quando o travesseiro é uma válvula e você simplesmente não quer.

- Hoje eu tive um sonho!
-Você sonha muito?
-Antes sim, sonhava sempre, mas agora sonho algumas vezes enquanto durmo.
-Guria, você se pergunta muito?
-Não! Basicamente só o que não deveria.
-Então por que o faz?
- Porque eu sofro por querer.
-Eu não entendo! Por que alguém que tem escolha faria justamente a pior para si?
-Eu também sempre me fazia essa pergunta, mas eu só posso te responder é que um dia vc vai saber...


É um mês que viram dois, que viram três, que viram quatro, até você se tornar um amontoado de dias...passados!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

- Colunista - dO - quartO -



Olá pessoas, desculpem a intromissão no Blog, sei que vocês gostam da Lívia mas vim pra isso mesmo, ser um chato, uma fenda, uma mancha e bem no meio da semana, pra movimentar as coisas. =p
Colunista do quarto, canto melhor pra escrever? Um refúgio, quase um bukker, na minha infância era o único lugar que eu estava a salvo dos monstros, ets e equivalentes. Um confessionário, quase um templo, a bagunça sagrada, nosso caos organizado. Um palco pra ninguém, clausura necessária. Onde fica metade de mim, meu violão, meus discos,livros,lugar dos segredos, onde rolam as lágrimas, travesseiro é ombro amigo. Onde escuta-se só o que quer, anda-se do jeito que quiser, lê- se o que quiser.
Colunista do quarto, um quarto é 15 minutos. será que ela queria que eu fosse breve? será que pra primeiro post estou me excedendo? será que vão gostar? Ahhhh.... vou pro meu quarto. té quarta.

Ps: Comentem!! Se não a chefa me demite!








Post por: Arthur Gomes - O colunista que vem pras quartas ;)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

.O interesse amor, é enigmáticO.



-Quando vc arranca uma raiz, a terra fica toda errada,destroçada, ela fica diferente.Não como era!Eu diria que ela nunca mais seria a mesma.De verdade!

-A terra?

-A terra e ela.




Cansou de arrumar o jardim. Sempre que se distraia, vinha alguém e ela era tão boba.Sempre deixava que mesmo sem saber manipular, mesmo sem o manual, se intrometessem.Sempre estava lá o resultado:Terra modificada.

Suava frio por dentro e cada momento eternizado de dor atormentava o futuro.A palpitação de seu osso cobria a vergonha e o medo.Medo do olho!


-Quando eles se encontram, falam demais.Mostram demais...uns atrevidos esses olhares incertos!

-Os olhos?

-O que há por trás deles...


Ela ficaria feliz. Na verdade muita coisa se desenhava pelos corredores e o quarto ainda falava alto demais.A cama chamava e ela ainda se trancava dentro de setembro. Era fevereiro.O mês havia acabado. Ela sabia!Uma letra na tela... falava o que também já sabia. Falava o que ela esquecia. Tudo passava e ela ainda esquecia de esquecer. Era um jogo de palavras, era paciência. Ela repetiu: Nada fora do script. Tudo já estava escrito!
Quando já não se alimenta da alma e já não mata a sede da boca, algo transformava desejo e fé em razão. Alguma coisa estapeava sua face contra a parede numa tentativa talvez inesperada de fazê-la sentir, enfim, uma certa paz no não te quero mais.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

.A falta que a falta faZ.



Muita coisa incomodava.Mais ainda que o suportável. Aquele calor e a gota passageira sambando pelo corpo.Banho? Deixa ele pra mais tarde. Ela secaria.
Caminhando os olhos por si ela percebia suas diferenças. Nada de anormal quando se perde um pouco o controle de si.

Quando o corpo volta a ser só seu e o coração é de mais ninguém. Total egoísmo. Ela não se jogaria mais. Ela sabia mentir e essa era apenas mais uma delas. Eram dias de busca por algo que nem existia. Eram dias perdidos até que ela fosse encontrada talvez por si. Cada sentimento prevalecendo em si, cada monumento desenhado eram guardados por ali, em algum lugar.
Ela teve pena dos putos porque de alguma forma ela sabia que eles seriam sempre tristes.Mesmo que parecessem alegres. Eram assim, tristes, porque queriam e de certo, achavam um charme na dor. Não se arranca de alguém o que ele não quer. Alimenta-se o bicho sempre por querer. Ela sabia que acabaria esquecendo que ele tinha fome, estava perto disso. Estava.
Na vitrola, é melhor ser alegre que ser triste e uma vontade imensa de crer na dor. Mais tarde,cada gota de água englobava a mágoa corrente de um ciclo recente.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

.Você.

Quando você esteve aqui e fez o que você veio fazer eu não esperava de forma alguma. Por essa razão eu agi da forma que agi, sem palavras. Quando você falou aquilo eu não conseguia pensar em nada a não ser que você terminasse logo o que tinha de fazer e fosse embora. Ao chegar ao portão, você pediu desculpa por tudo. Desculpa por eu te amar. toda a intimidade que existia se esvaiu de nós e você já me parecia um estranho. Talvez ela tenha ido completamente junto com as minhas lágrimas ao desmoronar assim que rodei a chave. Não quis fazê-lo na sua frente para que não pensasse nada ou achasse que quisesse manipular a situação. Errei muito sim em me jogar assim sem pensar. Muitos dirão que se tivesse dado certo não o pensaria e até aconselharia. Pois bem, talvez o amor não valha a pena. Mais uma aberração que eu espero que seja perdoada, bloggueiros. Não falo por mal, falo por desamor. Esse blog nunca foi em primeira pessoa e nunca serviu de desabafos,mas agora às 4:22 da manha sem conseguir dormir e de olhos entre abertos de inchaço, eu falo. Meu coração sangra e não há ninguém mais a quem possa perturbar. Já incomodei milhares de amigos com minhas lamúrias e agora estou eu e o galo. Companhia quase matinal. Já te escrevi depoimentos quase desaforados. O que há para fazer? Você não me ama mais. É o fim. Se eu tivesse sido mais legal. Se eu tivesse sido mais compreensiva. Se eu não te cobrasse tanto. Se eu fosse mais assim como você quer. Toda essa seologia não me habita mais. Foi-se embora lá pelas 3 da manha. Agora eu fico só com a angústia e perda. Não é como perder um braço ou uma perna [Não que tenha perdido tais membros]. É como perder algo que nunca foi seu. Isso é o que dói mais. Eu não te amo mais. Não foram essas as palavras que você usou,mas eu sei que não. Nada mais doloroso do que o: "Alguém vai ter dar o que você merece".
Me lembre de nunca falar isso para alguém. São facas com veneno. Diga que não me ama. Diga que não liga mais pra mim. Diga que eu até beijo mal. E que você pensava em outra enquanto estava comigo. Mas não me trate como se eu fosse a branca de neve. Isso machuca mais. Nesse bosque o cavalo do meu príncipe ainda fala inglês e até o tradutor chegar eu vou esquecer você de uma vez por todas. Esse é o meu ponto final(.)

>Peço perdão para quem lê e isso não mais se repetirá!

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

.A verdade mentE.

Terceira vez só aquele dia, ela contou! A textura seca e colante escorria seu rosto e molhava seu coração. Foi alguma coisa que ele disse? Não, foi alguma coisa que ele não disse. Ela se arrependeria por pensar assim, ela sabia. Mas era estranho que por mais que ela soubesse que não deveria fazer aquilo e que por fim estragaria tudo, ela o fazia. Não por querer, mas por ser assim. Então ela começou a se culpar...Por ser tão criança,por ser tão como ela era.Quis então ser completamene diferente e jurou que nunca mais faria as coisas que fazia.Ma ela sabia que não conseguiria...talvez ela simplesmente não quisesse.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

.EspelhoS.



De todos os ruídos, seus passos assustavam mais. O seu desengano pairava no ar e ela ainda cintilava a fotografia. Fitava cada traço e cada vão disposto. O sorriso era lindo, como era de se esperar e ela achou que foi tudo perfeito numa época distante e que nada melhor que um retrato pra fazer esquecer de tudo ruim.

Da porta, pássaros e sinos anunciavam que o coração cavalgava atento.Alguma coisa dizia que aquele cheiro voltara.Os cabelos cerrados, dentes brancos e olhar penetrante.Lá estava ele caminhando passos tétricos a falar com alguém.

Disposto e atlético, ainda era bonito! Pensava que agora a mentira que contara para si todos aqueles dias se desmanchava pouco a pouco.De onde vinha aquela música?-De dentro dela- Já imaginava diálogos e ela sendo superior em todo eles.Talvez ele diria que foi um engano e que a amava acima de tudo! Talvez ele estivesse incluso nesse todo.

Que engano! Ela sabia disso,mas queria acreditar que era o certo! Lembrou de quando ele acordava de manhã e de como ela estava sempre errada!Mas lembrou que ele acertava tudo depois.Ele era a borracha.Ela o lápis.

Olhou para seu copo e quis se afogar nele.O que tinha lá dentro?Se ao menos fosse veneno,ou algo que a curasse desse fim.Não iria mais olhar e seria forte!Contava os segundos e quando chegou ao minuto, levantou a cabeça e olhou para cada centímetro do que nunca fora seu.Do que o desejo destruiu e do que alimentava cada segundo de luz e escuridão.Todo aquele descabelo desconcertante e instantâneo que só acontecia quando cada poro ilustrava sua pele.Quando aquela voz chamava seu nome e quando ela sabia o que estava por vir
-Quanto tempo!
-529
-Como?
-O tempo que você se refere! Dias...
-Você continua a mesma!
-E você mudou desde a última vez, eu lembrava de alguém parecido!
-Muita coisa aconteceu...
-Eu sei, ou pelo menos passei por elas!
-Lembrei de você ontem...
-529
-O que foi agora?
-Os meus dias,ou seriam seus?
Ele se perguntava, ela se perguntava.
Não,eles não dariam certo.Ela arrancou as vírgulas e cuspiu a gramática.Agora, um ponto final.