sábado, 29 de março de 2008

.O perfume das manhãS.



Do fim do corredor, ela andava. No canto, alguns conversavam. Como num sonho, ou pesadelo, em que não se pode acordar, ao menos ela tentava visualizar as coisas de um lugar mais seguro. No sonho, só pensava em uma coisa: Ligar para a menina da lua. Mas aí seria um interurbano. Dá para ver, mas não pra tocar. Cairia em outro pesadelo. Minha cara amiga, a tarifa não tem graça, pensei. Os últimos dias haviam sido iguais. Mais do mesmo. Sempre de chuva, vontades, meias verdades... Há quem diga que elas não existem, as meias verdades. Seria uma mentira, não?...Talvez elas sejam censo comum. Vai saber.
O feriado acabou e ficaram as fotos daquele mundo paralelo. Ruim era pegar a nave de volta. Cada dia uma certeza de talvez estar se enganando. As frases escritas para se acreditar. Todas prévias. Doía lê-las. Eu tinha vontade de desarmá-la.
Sempre tão cansada, ela descobria que não havia lhe feito tão mal. O tempo era liquid paper.
Foto por Lívia Vasconcelos (Eu)

sábado, 22 de março de 2008

.Perto demais.



"O vento entra sem pedir licença"...

Carregava as cartas. Ela havia rasgado. Eram apenas linhas de um português inventado. Registros que não correspondiam. Falha de comunicação. Entrelaçou os dedos no alto do rosto formando um ângulo entre a mesa e as mãos. Pensava no que não devia e sentia o que não podia. Mais.

Na chuva, a lágrima virava água corrente, juntando alma e sentimento, num último adeus. Muito melhor quando esse adeus é para um oi de próxima vez. Entrou em casa e arrumou a bagunça.

Ligou a Tv. Ligou o som. Ligou o computador. Ligou ainda para alguém, só pra sentir a intimidade, mas a secretária eletrônica atendeu. Do quarto, ouviu um barulho de alerta. Alguém falando na rede. Alguém com letras e desenhos. Não tão perto que eu possa tocar.
De dentro, me olho.










Foto por Bárbara de Miranda Abreu

sexta-feira, 14 de março de 2008

.A garota dançA.





- Ah, quando eu era criança...
-O que tem?
-O mundo cabia nos meus desejos! Tudo dentro de uma sacola!




Reconhecer-se em si é um fato que acontece poucas vezes na realidade escancarada. Como era absurdo o fato das horas correrem sem ao menos uma solução.Ah, não! Vestia-se de angústia no banheiro.Ela não se tira para lavar e de acordo com os dias, o mau cheiro enfestava o quarto.O espelho já não ajudava.
Achava muito feio o jeito como as folhas sempre sujavam o quintal, mas elas ainda estavam lá...o vento carregava. Era a mesma brisa que secava os cabelos de camomila e lhe contava um prenúncio.Ele vinha com um filho.Cheio de fé e abraços. Ainda era tudo muito difícil e tudo tão roda-gigante.Coisa de namorados.Sem o namorado! Ela enfim, parou! Sabe, assim, quando os acontecimentos não te respeitam? Odiava mais que as folhas no quintal, a forma vulgar de tomar partido...e quando ainda assim, mudava de idéia na última hora.
A madrugada chegava e ainda assim, a perseguia; A luz no rosto cegava o pensamento.Ele já não morava ali.Dentro.Carro.Porta.Chave.Ruído.Vão.
-Não dá pra entender...
-Não dá mesmo! Eu só te digo para aproveitar enquanto tem graça...
Fechou seus armários. A sacola no chão esborrava o mundo.









Foto por Liu Moura--> http://www.flickr.com/photos/liumoura/

terça-feira, 11 de março de 2008

- Colunista - Do - QuartO -


Tô com pressa e preguiça. Pode?

Preguiça de arrumar o quarto, acho que vou deitar no meio da bagunça mesmo. Preguiça de entrar na academia, de vigiar o que eu como, preguiça de sair da frente do PC, da TV, do DVD. Preguiça de correr atrás das coisas.
Pressa de estar com o quarto arrumado. De entrar em forma, perder uns quilos. Pressa por equilíbrio. Pressa pra ler uns livros, mas tem as coisas da faculdade. Queria ter minha barba e meu cabelo de volta (eles tão BEM diferentes daquela foto ai do lado). Vontade de fazer as coisas. Mas preguiça.

Pressa de postar.

domingo, 9 de março de 2008

.Para quando coloriR.



A personagem conhecia-se, mais do que imaginava. A ponto de saber o que fazia de errado. A ponto de não mudar. Não era questão de engano, era escolha. Eram caminhos arriscados...ela só não sabia qual deles.Qual devia usar? O suor, escorria pelo rosto e os lenços haviam acabado. A rua, cada vez mais suja, fazia do ar depósito de cinzas. Ela caminhava pela viela de barro com as velhas imagens acústicas.


Vez ou outra a discagem rápida a encarava. Apagou alguns números da agenda e era um primeiro passo para o ponto e vírgula (;). A mulher da banca vendia as revistas e cada vez mais corcunda, a assustou. É chegada a hora.


Da porta da cozinha, alguns cheiros abrangiam a lembrança.O passeio. Lembrar poderia ser ruim.Frases soltas na sopa da noite.Ela sentiu a diferença.Sentiu saudade de si, de novo,como quando se ouve uma música que se escutou muito, ou quando alguém na rua tem uma roupa que você usava. Como quando a sua vida já não te pertence e você vive de pena.


A pena não era de si, mas da mudança de sentido. A roleta russa apontava em sua testa e ela pensava o que era viver. Olhou ao longe as montanhas cada vez menos congeladas. As roupas ainda secavam.



-Entra...olha o sereno!


-Já vou...


Ele falaria algo como quem balbucia...mas preferiu só olhar mais um pouco.

Foto por Liu Moura---> http://www.flickr.com/photos/liumoura/2315735382/

quarta-feira, 5 de março de 2008

- Colunista - Do - QuartO -

Antes de mais nada, algumas explicações: Não postei na ultima semana por culpa da chefinha, que roubou meu dia pra ela! =P mas enfim, vamos lá:

Do latin: Quentus
Acho que Maceió nunca esteve tão quente! 40° na sombra! Entro no onibus pra ir pra faculdade (lívia vei! tamo na Ufal!), mormaço. Entro na sala de aula, sauna de aula. vou derrentendo por onde ando. Quentura.
Tem outro calor também, esse é bom. O calor dentro do peito. 40° na veia. Calor que faz você suportar o mormaço, as saunas do cotidiano, que me completa após eu derreter um tanto por ai. Quentura.








Post por Arthur marley, O colunista que vem pras quartas ;)

domingo, 2 de março de 2008

.Todos os caminhoS.

Perto do coração selvagem estava um outro. A se desalinhar, ela vinha...gloriosa por natureza, cheia de vento. Pra ter coragem, ela caminhava e disputava com o sol , astro menor, um minuto de calor. Ele estava de partida e a ausência lhe trazia o significante. Era novo e não por isso. O gasto e o gosto transbordando pela boca. Não se escreve o que não se diz.

A retina ainda lhe traía e de longe eram olhos no lugar das bocas...ficou com os contornos. Preferia assim, se tudo no fim das contas muda de lugar, que fossem distorcidas desde já. Era um pensamento inútil, ela sabia. Mas de fato, mais fácil!

A brisa lhe contando segredos no fim de tarde e o frio pintando a pele de leve. Ela sentia e fitando os pés na grama, lembrou que o tempo corre macio. Um grito se desenhava num peito fechado. Ela entardecia.




*Foto por Liu Moura --> http://www.flickr.com/photos/liumoura/

sábado, 1 de março de 2008

.FugA.


Da escada verde, os pés se anunciavam. O tinto da blusa combinava com suas intenções. Ela virou-se, intrépida, como quem dança. Ele apenas olhou. Ela parou! Quando você fala com os pensamentos, de uma forma que um entende o outro, de uma forma que as palavras parecem além da conta! Algo que não é ciência...é Fé!
Era tudo uma questão de prática, ela sabia! Ele era uma fotografia que tinha vida, ganhava formas mudas, entrelaçadas ao vento. Que ele levasse tudo, como um furacão.
Ela ainda descobriria que a verdade mente. E sim, ela o faz com graça!
Acredite que de todas as vezes que o vestido caiu, ela o levantou! Dessa vez não...deixou que caísse...mostrando a pele em pálida e fulgor...vergonha e sexo.
Não havia mais nada a esconder. Sabia que era também uma questão de tempo até os olhos conseguirem se entregar um ao outro. Até que a mágoa fosse vista e a vontade certa e nula do enfim.
-O vinho secou!