segunda-feira, 21 de abril de 2008

RemotO ControlE


Olá leitores,

Quem acompanha minhas postagens percebeu que eu dei um intervalo muito grande de uma pra outra. De fato, tem mais de duas semanas que não há nada novo aqui. Eu deveria ter colocado esse aviso antes. Eu não estou num momento muito inspirador, eu diria. Até que estou, mas eu cansei de certas coisas e eu quero novo. ou melhor, "tudo novo de novo". Eu não quero me repetir nessa causa milhares e milhares de vezes. Eu voltarei a escrever aqui em breve. Espero que fiquem aguardando meu descanso...É só para aliviar a mente e voltar com todo o gás.


"A minha paixão de hoje é o que eu faço hoje"...Letras, minha paixão de hoje e de sempre!

I'll be back :)
Foto por lívia . Vasconcelos ---> http://www.flickr.com/photos/liviavasconcelos/

terça-feira, 8 de abril de 2008

. O inverno é sempre iguaL .


Assim, quase glacial. Ele enxugou a testa de suor e fixava a parede, como quem procura alguma sujeira. Olhos de peixe, olhos de peixe na rede. Em cima da mesa, o copo de vinho enfeitava-se gota a gota, sem cor. Ele agora o fitava. O silêncio não ousava falar, cada palavra em seu descanso o perturbava cabeça a dentro. O suor agora descia formando partículas de gelo que se misturavam ao cabelo claro, escorrendo na pele branca. O calor esvaia-se de seu corpo. Junto com ele, a intimidade. Caía pelo ralo da pia e rasgava a garganta numa tentativa desesperada de compreensão.
Do escritório, a dona das louças finas chorava ao telefone. Com uma das mãos, ajeitava o gorro enrolado ao pescoço macio e terno. Um córrego desenhava-se em sua face. Um rastro negro escorria dos olhos. Ela não limpou, como se fosse um zumbi, nem ao menos percebeu. Encaixotava agora cada livro lido nas noites de insônia. Essas em que a companheira tinha nome e só existia nessa língua de gente alegre, mas quem sabe, infeliz. Antes de chegar até a porta, se viu no reflexo da vidraça de um móvel. Já não tinha um raciocínio lógico. De canto, em cima da mesa, um lenço estendido. Enxugou o rosto num só movimento. Límpido e simples. Retrato de família.
O carro na garagem ainda estava quente, pegou o casaco e parou na porta da cozinha. Olhava para o chão. Nada a se dizer..."Até nunca mais por enquanto".
Calafrios e o medo de tudo novo de novo... ruim perder algo assim, que se pensava ser perfeito para talvez um tema de livro.
Só a literatura salva, frases perdidas dentro de caixas. 100 homens e mulheres de sua vida. Todos, de fato, loucuras que irá cometer e "recometer". Todas prévias de todos os dias em que foi mais feliz.
Foto por Lívia Vasconcelos