segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Do mesmo jeito.

Insuspeitadamente. Ela me perguntou algumas vezes o que eu tinha com aquilo. Calei-me. A ponta do cigarro quase me queimando a mão, virei o rosto e disse apenas o que queria ouvir. Mesmo que cada palavra fosse me cortando uma corda vocal, ao fim da frase eu já não conseguia falar, era melhor assim. Ouvir o que eu não queria dizer naquele tom de voz, oras, já me bastava. Eu ficava imaginando dias e noites, principalmente quando ia pra cama, ela vindo e a conversa se desenrolando. Era tão mais fácil. Horrível quando a boca do outro fala sem a sua permissão. Eu arquitetei cada palavra. Ela diria casa coisa do jeito que eu imaginei e eu responderia do jeito que eu também tinha imaginado. Mas ela veio com um por que que eu não estava contando. Eu sou o tipo de pessoa que não sabe lidar muito bem com imprevistos, ela veio com um por que. Eu acho que eu inventei alguma coisa, sabe lá o que eu disse. Eu já nem me ouvia. Sei que isso desabou todo o resto e eu fiquei esperando os comerciais. O que veio foi uma vontade acelerada de ser julieta, de ser história, de ser mentira, de ser verdade. Enfim, eu queria mesmo era ter uma borracha. Se era ela, se era eu, se era ele se eu era ela. O sonho nem tem mais fim. A música ainda toca ee u ainda me desespero.
Eu estava com uma impressão de que precisaria doer, doer muito e doer tudo. Sangrar, até não se sentir mais nada. Doer até você querer morrer. Só aí, eu poderia mudar de nome, mudar de cor. Eu ainda.

5 comentários:

M.Henrique Leite disse...

Legal o texto =)

Tem conversas que são péssimas mesmo. Tanto pra falar, quanto pra ouvir...

"(...)virei o rosto e disse apenas o que queria ouvir. Mesmo que cada palavra fosse me cortando uma corda vocal, ao fim da frase eu já não conseguia falar, era melhor assim"

Como diria Clarice Lispector: "Eu me exponho melhor no silêncio"

Muito bom o texto

darsh. disse...

A dor é feia. Eu a odeio.
Mas ela rende boas e belas histórias.

Natália Souza disse...

Queria saber o que há por trás desse post ;x ;)

:***

Sarinha disse...

"Horrível quando a boca do outro fala sem a sua permissão."

POOOXA! vc escreve muuito, amiga! te amo taanto! (L)
;*

Ben-Hur Bernard, B. Bernard, Ben-Hur Bernard Pereira Costa (oficial), Biú (para as minhas crianças), Ben (para os amigos) disse...

"certas verdades saltam da boca, certas maldades ñ tem fim..."

o ruim é ficar com a voz na lembrança!

gostei do texto, como sempre

bjão