terça-feira, 30 de setembro de 2008

O outono é aqui .




- Você não se importa com tantos sonhos impossíveis?
- Você não se importa de ser tão amarga?
- Eu perguntei primeiro!
-Isso não é um jogo.
-Você sempre foge.
-Assim como você. A diferença é que eu sonho, e não, não me importo com impossibilidades.
- Eu me importo.
- Eu sei, você se importa com tudo.
- Isso não é verdade. Eu não me importo com você.
-Você é quem pensa.
-Eu acho que você acha demais
-Vê?  
-Eu só queria saber porque diabos isso significa tanto pra você
- É por isso que eu não me importo com o fato de sonhar impossibilidades.

Lado a lado, o  ar sujo da cidade percorreu o interior dos dois corpos distintos. E se libertou.





terça-feira, 23 de setembro de 2008

FrenéticaS

Lado a lado em cada cavidade, o coração resolvia que passear agora era sua nova onda, uma dessas de sangue, pelo sistema cheio de nervos, resolveu que assim iria passear e, sem mais, me para pelo pescoço, antes que pela boca.
Antes que eu pudesse assimilar, eu só ouvia o tun-tun me impedindo de falar. Um puro egoísmo onde eu sentia o meu, só o meu total despudor diante daquele novo. Daí em diante, me veio o medo, característico, de quem teme nunca mais voltar ao normal.
Quando eu me dei conta, o coração me invadia a traquéia sempre que podia; aliás, minto, ele se atrevia dessa forma quando um ser de patas duplas e ereto passava no mínimo a um raio de alguns metros. Eu sentia sempre o cheiro. Eu já não era a mesma.
Mas isso não ficaria assim de jeito nenhum...pela décima invasão coracional, eu resolvi vingar-me; o ser que me causa isso também precisa sentir todas essas pertinentes intervenções, eu sentei e planejei.



foto por mim : http://flickr.com/liviavasconcelos

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

. Amar, verbo intransitivo .




Ouvindo só mais uma música depressiva, num estado não muito agradável, eu pensei no caminho pra casa sobre todas as coisas que se pode sentir de uma vez. Assim, somos, então, essa bolha cheia de sentimentos, tão frágeis e tão cheias, outras nem tanto. Tirando tudo isso por mim, eu hoje, essa pesoa tão mais livre de besteiras que me afligiam antes, tenho medo de que as besteiras apenas nos abandonem para voltarem renomeadas. Existe coisa mais complicada que relacionamentos?
Eu não me refiro apenas à "homem e mulher", refiro-me a todos os tipos. Até mesmo do relacionamento que temos com nós mesmos. Já se pegou com aquelas dores que ninguém vai entender a não ser você naquele exato momento? Elas sempre voltam, eu sei, ou melhor, você sabe. O que eu digo é que esses momentos são impossíveis de se descrever e só eu sei as esquinas que atravessei, já diz a música.
O que eu venho tentando falar é de todas essas coisas que chegam sem pedir licença, nos arrasam tudo por dentro e nos tiram o sono; eu me pergunto se tem como evitar que elas entrem, mas a resposta que vem à minha cabeça é que as coisas simplesmente são assim. Talvez se eu lembrasse dos meus sonhos durante a "noite"; talvez eu soubesse o que me aflige hoje; talvez eu não queira dizer nem em voz alta, muito menos em comic sans negrito, e nem mesmo sentir.
O que sobra desse liquidificador de mim geralmente são coisas ruins e eu continuo com aquela abominável mania de não conseguir olhar nos olhos dos outros; mas eu respiro, os radicais livres rasgam uma nova ruga de 1 segundo a mais de vida bem no meio da testa e eu repito, na voz alta do meu pensamento, com a esperança que ninguém ouça:
Amar, verbo intransitivo!
...nunca fui muito boa em portugês, vai entender!