segunda-feira, 2 de novembro de 2009

buh!

Estava escuro e, fosse dia, fosse noite, ainda se fazia breu. Do fundo de mim, pensei junto da voz que fala mais alto que qualquer pensamento: 'Dói'... e então, eu só pude chorar, como no despertar de um sonho ruim.

domingo, 25 de outubro de 2009

Língua e Juízo.

Eu não gostava do gosto do gelo. Ele mordia sem cessar, lambia, se lambuzava com a água lhe escorrendo pelo pescoço, peito, umbigo, virilha, coxa, perna, calcanhar, chão. Era uma delícia, ou pelo menos parecia. A gota era sacanagem pura. Não sei, simplesmente nunca gostei do gosto que o gelo tinha. Mas o jeito que ele lambia o cubo translúcido...hum...me fazia querer gostar de gelo também. Então eu fantasiava. Por noites e noites, imaginei como seria ter o gelo à boca, a sensação gelada, disparando meus nervos, fazendo-me perceber que aquilo era gelo, os dedos já dormentes e molhados, maldita temperatura ambiente. Fantasia não tem gosto, só vontade, isso eu tinha, e muita. Ele lambia o gelo como ninguém, acredite...que vontade me dá, assim, de repente, de lamber todo esse gelo, e me lambuzar na poça transparente e quente que a minha língua vermelho fogo pode fazer.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Comentários sobre John

- John, como tu és idiota. Repara nas cenas da tua vida. Abril se despedaça na tua frente, não farás nada?, disse eu.

Ele tinha certa quantidade de luz cor de barro no canto esquerdo do rosto. Parecia suado, sujo, cara de cachorro moribundo. Cara de quem acha de menos, pra quem o fita, por sua vez, achando demais.


- Você sempre vê bobagem, não acredita nas verdades, e é o perfeito retrato da autodestruição. Tem medo de ter medo, de ter medo, de ter medo; fuma seu cigarro; toma seu café. John, você não sabe amar.


John levantou-se da cadeira, acendeu seu cigarro, bebeu seu café, e arrastou a sandália pelo piso cinza até a janela lateral. A meia lua refletia nos dois olhos negros, e john disparou:


- Espero que você lembre, o mais depressa possível, de quem você é, ou costumava ser. Seu coração costumava ser maior que sua boca.

-John, você não sabe amar.

-Um dia, você ainda morre sem saber. Sem saber que gosto a chuva tem; sem pensar que cheiro a grama tem; sem saber como voar deve dar medo.


-John, você não sabe amar.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Superlativo Absoluto Sintético


Alguma velha conversa ao fundo da minha cabeça cantarolante sobre algo escapar de mim, esse algo sobre você, de tempos em tempos. Eu diria de menos tempos em menos tempos ainda. Não se contam nem cinco minutos sem que me escape essa inflamada vontade de te mostrar o que eu vejo. Mas são as coisas que te dedico, algumas delas mais seguras, outras menos, que me encharcam a alma. Algo como amor, ou talvez seja simplesmente erro colocar nome em todos esses sentimentos, mas eu coloco, eu erro também. Eu falo, eu te deixo saber. É um prazer. São as mais variadas formas desse seu ser apaixonante que me formigam os dedos das mãos, despertam as borboletas na barriga, me estampam esse sorriso envergonhado. Não me iludo, ou qualquer coisa do tipo, sei que temos nossos defeitos, e todo o pacote. Mas há tempos eu te chamava...pelos textos, pelos ares, pelos meus mais sinceros desejos, naqueles lugares onde você nunca estava. Você veio, e algumas vezes eu me pergunto se te inventei. Por favor, não seja coisa da minha cabeça, nem desista de mim. Embora o tráfego estivesse um completo inferno, a demora e tudo mais tenham me causado tantas coisas ruins, esse amor chegou ao seu lugar de agora, e eu não quero que você se vá, quero que fique, fique, fique, fique, e continue tirando meu fôlego, apesar do ar. Muito talvez eu apenas seja assim, tenha medo, tenha sentimentos... mas eu estou tão melhor em relação a todas essas coisas, em relação a tudo o que está por trás das palavras e vontades. Quero te escrever cartas de amor, talvez até tricotar um suéter. Não... Tudo o que eu quero mesmo, são as coisas mais simples. Ouvir seu coração batendo, num fim de noite, ao assistir um filme; olhar pra você quando você não estiver olhando pra mim, e pensar como você apareceu do nada, mexendo tanto comigo; Olhar pra você quando estiver escurinho, e ver o brilhinho do seu olhar; Ser surpreendida pela sua capacidade de me fazer sentir esse encantamento por você; Olhar o teu sorriso, daqueles que é a alma quem sorri, daqueles que vem de dentro, de tão lindos...seus sorrisos; conversar com você no meio de tanta gente, e simplesmente esquecer que todos estão ao redor...quero sentir teu beijo macio, teu coração macio, teu tocar macio, teu cheiro inebriante, de VOCÊ. Sabe...eu tenho mania de destruir as coisas que eu sinto, dentro de mim, aos poucos, por duvidar sempre de mim por fazer sentido. Mas você...você me faz ter vontade de rimar romã com travesseiro. Você me dá vontade de não questionar o tempo, a vergonha, tudo o que atrapalha o que de verdadeiramente eu tenho de feliz. Pelo simples fato de te amar, muito, muitíssimo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mar castanho


Eu e meus olhos
Inclusive os que estão nos outros
Eles são meus, mas eu nunca sou deles.
Eu e minha boca
Inclusive a sua
Algumas vezes a minha é sua, outras, a sua é minha
Geralmente termina tudo assim, no céu delas, no mar deles.
A boca, alguns já me levaram
Mas os olhos, eles são sempre meus, não se atreva.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

No hay banda


Ele disse algo em um espanhol baixo, de conteúdo privado, só da sua boca aos meus ouvidos. Aquele sorriso na face, um assanhamento característico. Lembrei da frase da Ana c. do dia anterior, malditas lembranças que não me deixam saber se sou eu ou se são os outros. Era apenas eu, eu, eu, eu, aquele velho ego a me sufocar, mas eu tento chegar ao outro, mesmo depois de desistir algumas vezes, não diria ser completamente. Você, você, você, você, esse maldito novo mundo a me desesperar. Sentou-se na mesinha ao lado, café preto pelando, imaginei figuras se formando no contraste da espuma, e perguntei a razão daquilo... pude perceber sua busca por Neruda, mas nenhuma resposta vinha. Sabes que eu pergunto coisas das quais já sei as respostas, mas eu não me canso. Imaginar as suas respostas, sendo eu quem as realiza, é meu maior prazer. Vai, responde o que eu penso. Até cogitei ser algo baseado em suas possibilidades, ledo engano. É tudo sobre o ‘você’ que eu invento. A minha invenção me deixa a cada cinco minutos, numa tentativa de proteção dessa tal felicidade e barquinhos a navegar, numa tal de paquetá. Acredito que essa tara de escrever em guardanapos e papéis de pão seja apenas para dominar as situações, colocar essas palavras nessa tua boca, sentindo esse coração de papel. O que você realmente pensa? Fala pra mim, minha cabeça é uma guerra de você. Tenho vontades de desistir, eu te falo. Digo ainda que você mudará essas teses, desistirá de mim, assim como eu quero agora. Esse grito intalado no peito, a minha eterna prostituição de cada espera...me diz algo inútil e totalmente metafórico, do tipo se a vida é uma estrada. Eu te pergunto tudo e sempre, mas você não responde, pelo simples fato de você não ser eu, de você não estar aqui, dentro de mim, essa sou eu. Em alguma língua desconhecida, já dentro de si, ele lambeu algumas palavras ao meu pescoço, acariciou meus braços desnudos e apenas me surpreendeu com algo de conteúdo privado, de sua boca para a minha.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Fura o dedo, faz um pacto comigo.

- Você quer bancar a forte.
- Eu quero, eu banco.
- Você só esquece de todo o resto.
- A única coisa que ninguém pode me acusar é de esquecer coisas. Infelizmente, eu nunca esqueço absolutamente nada, de nenhum detalhe estúpido.
- Eu vou amar você, ou qualquer outro nome que você queira dar a esse sentimento, até o dia em que eu não te amar mais.
- Lembra daquele dia em que o sol refletindo no seu cabelo cegou meus olhos e me fez perceber o quanto sua voz é linda, além de todo o resto?
-huumm, sim.
- Então, são momentos assim que me fazem não pensar no fim. Eu não me importo, meu bem.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Outra vez

Foto de Renata Baracho

Vê só como agora que eu tirei os óculos você parece tão mais bonito?
Os seus olhos parecem meio perdidos e eu quis pegar em você
Mas em qual lugar você realmente está?
Eu fiquei ali, com a minha mão estendida, pro nada.
O cara do filme virou pra mim e disse: Você dormiu com ele?
Eu apenas fiquei imaginando...e se fosse verdade?
Se eu realmente lembrasse de todas essas datas
08,22,03,07,16...
Eu quero dizer que eu sou assim como você.
Como um ratinho pelado, cheio de ar.
Eu tenho vontades, desejos.
Um dia, vou te mostrar.
Amanhã é dia 8, são 23 dias para o fim do mês.
Faz muito tempo, eu não quero nem ver.
É apenas sobre mim, meu amor.
Meu livro, minhas águas e meus sons.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Jump in

Foto de: poly annenberg

Olha aqui, eu quero que você saiba.
Antes disso, olha aqui.
Viu que tem uma lagoa dentro desses olhos?
Saiba que eles são para você nadar.
Eu tenho a mais séria das instruções quando eu digo: 'pule com raiva neles'.
À noite, o sol queima por aqui.
Arde, mas queimar é preciso.
Fique bem sujo, venha se limpar aqui.
Olha, você nunca vê o que está bem na frente do seu nariz.
Você nem gasta a compreensão.
Sabe de uma coisa? Eu já acertei tudo para você.
Olha aqui...
Só veja, você vai gostar, não desvie.
Algo me diz que viver é bem mais que esquecer.




terça-feira, 30 de junho de 2009

Enquanto isso


No seu país, da sua língua, eu me perdi;
Ela já não me guiava pelas tuas pernas e aquelas costas eu já amaciara;
São tantas ruas abissais pelo nosso caminho, eu não ousaria mergulhá-las
Nem em tua cara lisa, nem no teu peito peludo.
Fingindo ser doloroso, eu esperava que chovesse
Em mim, em você, por alguns minutos.
São pretas e brancas as nossas listras
São pesadas as nossas pedras, esses nossos ombros
É o que temos de nosso.
Serpentinas e saias, pelando seu corpo.
Você lambe cada passo, pesa cada acento.
Não adianta, eu não aprendo...eu bem que tento.
Eu até juro, perjuro, e, então, realizo.
É tanta falta do que eu esqueço, você sabe.
Vem cá, me desenha as bordas, me deixa te amar.
Eu gosto do seu traço. Só dessa vez.
Me exagera.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A língua, a saliva, os dentes

Foto de Luiza Padilha - http://www.flickr.com/photos/luly_fun/

- Eu não lembro o nosso último beijo.
-[...]
-[...]
- Últimos beijos não se avisam, não se pedem, são apenas beijos que de alguma forma, significam tanto e tão pouco. O seu cabelo não parecia ter destino, evitando alguma visão certa
à frente,pelo menos era o que parecia. Depois de ajeitá-lo incontáveis vezes, você desistiu. Fez aquela velha cara de abuso completamente linda e aceitou o que ele trouxesse. Aquele vento nunca nos perdoava. A sua blusa era azul e combinava com seus sapatos. O anel rodopiava entre seus dedos, mania. Você cheirava tão bem. Por esses dias, andando na praia, senti aquele aroma. Olhei ao redor, talvez você estivesse pensando em mim. As pessoas alimentam essas teorias de que se você olha no relógio e os números são iguais, alguém pensa em você naquele exato momento, coisa e tal. Talvez, você pensasse em mim e eu em você nos mesmo momentos. Talvez não. O seu pescoço guardava uma mordida da noite anterior, eu era guloso. Esperei você dormir e fotografei você na minha mente. Eu não sei, pra todas as coisas na minha vida, eu sempre tive sensações. Não digo que eu sabia que aquele seria o último. Eu lhe digo que o meu sentir vai além...
-Sabe de uma coisa...você beija com olhos, isso eu nunca vi.
-Eu sei que não.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Por todo o whisky que eu tomei

De May Leao - http://www.flickr.com/photos/mayleao/
A primeira vez que eu te vi, eu pensei: "não!". Não era mais uma questão de raciocínio, eu já formava mil frases bregas e impronunciáveis, até mesmo para mim. A segunda vez que eu te vi, tentava fugir de qualquer forma. Eu tinha medo de acordar pela manhã pensando em você, mas eu nunca consegui controlar o desejo de te ver. Às vezes, o que você me falava me fazia optar sempre pelo outro caminho. Na terceira vez que te vi você estava segurando aquela vodka, eu quis parecer melhor. Pensei se meu perfume chegava em você e fui dormir pensando em como rir de você na segunda com meu jeito descolado falso e aquele sorriso idiota que é impossível não soltar quando eu estou no seu raio de visão. Queria não ter olhado fundo nos seus olhos. A quarta vez em que te vi foi como morrer um pouco. Eu era tão cheia de besteiras e achava que ficar chateada com você iria resolver as coisas. Eu digo morrer porque, vez ou outra, você me dói. Na quinta vez em que eu te vi, você tinha outra garota, e ela me parecia tão bonita...tão mais que eu algum dia possa ter me achado. Parecia ser natural para ela ser tão linda. Imediatamente, imaginei o que você falaria pra ela, numa noite, passeando pela praia. Algo como "eu te amo". Talvez soasse sincero. Doeu respirar nesse momento. Você estava mudando e eu me sentia tão só, com meus discos. Na sexta vez que eu te vi, eu ainda pensava tantas idiotices, como quando eu quis casar com você no meio do avião e como eu queria ter escrito aquela música pra você. Você me parecia tão abatido, mas eu não me sentia mais a vontade para perguntar. Na sétima vez em que te vi, eu não soube o que fazer...então lembrei que era sempre assim. Perguntei pela sua namorada e você deu de ombros. Não era o que eu queria ouvir. O fato dela não mais assegurar o extravasar dos meus sentimentos me perturbou. Na oitava vez que eu te vi, quis te chamar de idiota. Eu fiz parecer que você não era nada pra mim, até imaginei vários diálogos destruindo sua auto-estima, que diga-se de passagem, é bem alta. Eu entrei pra aula de violão e quis te falar, mas eu me calei e esperei ficar cega com a sua presença. Se você tivesse ficado comigo, o atum nunca teria entrado em extinção; aquela guerra nunca teria acontecido; aquele presidente seria diferente. Eu lembro de cada beijo que eu te dei. A última vez em que te vi...você me avistou passando na rua, puxou forte pelo meu braço, segurou meus cabelos assanhando o penteado que eu demorei horas pra fazer, me beijou, e eu nem me importei com aqueles fios no meu rosto. Foi como eu tinha imaginado algumas vezes atrás. Então eu pensei que viver dói, continuei meu caminho enquanto você esperava alguma reação, e eu simplesmente achei que eu e você não nos pertencíamos mais.


*Texto inspirado na música do vanguart: the last time i saw you.
o texto não é inspirado também em nenhum ex namorado meu, antes que alguém ache isso.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Ninguém morre de amor...



O título do texto foi o que minha mãe me disse no fim do meu primeiro namoro e a vida tratou de me ensinar a duras penas. Antes morresse. Dor de amor chega a ser física. Um amigo disse que a dor é psicológica e nós a colocamos onde queremos, e nesses momentos, nós queremos que doa no peito, até o que nos entala sair. Eis que não é tão fácil assim. Ela pode até ensaiar sair, mas a princípio, ela faz você se arrepender, nem que seja por algum tempo. Talvez seja um castigo por achar que pode tudo ao amar. Deve ser um castigo.
Ouvindo a conversa de algumas amigas no dia do fim do meu último namoro, uma delas falou algo que me fez pensar bastante. Ela disse que tinha grande carinho pelo ex e ele por ela e que ao acabarem, eles ainda se amavam, mas apenas não se queriam mais. Eu acho essa minha amiga tão forte e apesar dela não ser propriamente minha amiga íntima, é alguém por quem eu tenho carinho. Ela me faz ter vergonha de falar mal do amor. Só quem sabe dizer adeus ao bendito, mesmo que seja difícil, na hora certa, e está aberto a dizer um "Olá" quando ele resolve voltar, entende o que é isso de verdade, sente e percebe o que é amar. A verdade, por mais piegas e tediosa que seja, é que nós aprendemos com tudo. Eu, rumo aos meus vinte anos, carrego dois ex namoros na minha memória afetiva.
Da primeira vez, eu achei que fosse morrer, com toda certeza. Inclusive, parecia que eu iria morrer, por isso a frase da minha mãe. Eu me esgoelei na madrugada, perturbei amigos, estourei a conta de telefone, tudo em busca de conforto. Tudo porque eu não sabia dizer adeus ao amor. Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece e eu tenho vários motivos pra nunca esquecer o meu. Ele foi meu céu e meu inferno. Me fez amar e me sentir amada. Me deu o primeiro prazer de palavras lindas e todas as outras coisas lindas que o sentimento traz. Tudo bem que depois me deu bastante dor de cabeça, me ensinou a não abrir a boca para quem diz ser seu amigo e me ajudou a entender que num ex namoro, menos é mais. Um ano depois de muitos acontecimentos e desentendimentos nunca resolvidos, esse relacionamento veio me mostrar que tudo passa, de verdade, e um dia, a gente quer, com mais verdade ainda, que pare de doer. Eu, amargurada, achando que a partir daí, seria dona do meu coração, caí novamente nessa conversa de amor. Eu me apaixonei de novo e, de certa forma, pude ver que há recomeço em tudo. No meu segundo namoro, eu aprendi que eu não posso nunca ter medo de ficar só. Aprendi que namoro é paciência, mas é tão bom olhar pro outro com carinho, sem que ele esteja olhando, apenas para contemplar. Aprendi que amor é só uma palavra, e mesmo que ela nunca tenha sido falada, não quer dizer que ela não tenha sido sentida. Esse é o importante, certo? sentir as coisas. A prendi que é preciso reconhecer o fim, que tudo resume-se ao gostar e a sua insustentável leveza foi demais pra mim. Aprendi que eu estou pronta para um amor lindo e já nem me importo que ele venha a terminar. Aprendi que tudo o que eu faço é na vontade de ter um amor de verdade, pois é, daqueles recíprocos. Pra ser bem sincera, com esse segundo, ainda estou aprendendo.
Sabe, foram namoros curtos, e por algum tempo, vão me fazer querer ficar só, pela problemática vir-a-ser, mas eu espero que eu não consiga. Semana passada, li numa coluna uma citação de Neruda: "Para que nada nos separe, que nada nos una" Ahhh...mas o melhor de tudo é ficar unidinho, mesmo que acabe, mesmo que mude.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A espuma.


Era noite e era frio, não era apenas a minha doença que me torturava. O clima único para os habitantes da cidade os torturava por si só. Sabe que se você sente muita dor, chega um momento em que é tudo dor. É como cortar a perna para aliviar uma dor de cabeça. Tudo uma dor só. Eu já nao sabia se era o clima ou se era eu. Não me importava mais se a sua cadeira estava vazia ou se o café estava quente. Tudo uma dor só. Mas quanta culpa idiota, você se permitindo sentir esse vazio que te dou, essa lambuzada amarga de fel. Você gosta. Não gostasse vinha aqui e me estapeava a cara. Eu gostaria. És cavalheiro, isso te dá um cheiro particular. Nada animal, pura colônia de macho exemplar. Música calma e alguém de voz rouca de quem nao consigo recordar, você nao troca de canal...eu espero e meu corpo já atravessa a cama, o pescoço caído pela beira do móvel praticamente te implora que me use, mas eu estou sempre aqui. Você deixa para mais tarde. Tomou chuva lá fora, a camisa te cola o corpo, eu arranco com os dentes, então eu percebo que são minhas mãos apenas, eu não ouso. Apenas me ocorre a dúvida de quem despreza quem. Você é puro defeito, e isso, só eu vejo. Você é puro encantamento e eu, ao som da mesma música por 4 horas, tomo um banho para me livrar do teu cheiro que insiste em não me largar. Somos apenas nós dois, perdidos, nessa noite suja. Então me sujas, com nossas "mentiras adocicadas", para eu me lavar, e assim por diante...



segunda-feira, 30 de março de 2009

Diga uma cor...

[LEIA OUVINDO A MÚSICA DO VÍDEO ABAIXO]
-Eu quero que você me diga: O que é amor? O que é amar? Você sabe?
-Eu acredito que o sentimento é sempre certo, sempre. 
-Mas como? Como saber que ele é o que se acha? 
-Eu mudo tanto de idéia, o tempo todo. Se você achar, é porque ele é.
-Não é tão simples assim. Eu já mudei antes, você nao veio comigo, ou talvez tenha vindo. Existe um pouco de você em mim, um pedaço podre, um pedaço doce. Um meio inteiro que eu nao gosto quando provo. Eu tenho medo e, às vezes, eu nao quero mais ter você. Eu fico pensando que amanhã você acorda e nao quer mais isso. Eu não suportaria. Todos os dias eu acabo e volto, sem você suspeitar. Todos os dias eu abro mão de você.
-Absurdo isso, você sabe! Abrir mão de mim pelos 50% de chance do que existe em mim acabar.
-Não é um absurdo! Eu costumo sofrer, sou eu. Eu acho que é meu jeito de nao voar. Meu jeito disso nao ser amor. Meu jeito. OK, é um absurdo.
- Teu jeito é injusto com a gente.
-Meu jeito me faz perder você em mim a cada dia. O "você" dentro de mim me dói.
-É o que você quer? criar um novo "eu" que te faz mal, me tendo aqui, ao teu lado?
-Não, eu nao quero. Eu não me encontro apaixonada por alguém. Eu preciso disso, mas eu me sinto idiota falando algo idiota como "eu te amo". 
-Meu bem, eu estou aqui. Eu gostaria que vc me visse. Eu gostaria que você me sentisse. Me veja, eu não sou uma criação sua. Me aceite.
- É que eu percebo que pensar em nao dizer já é pensar e é só um jeito de você não saber, porque eu não quero que você diga. Eu não quero que você minta e isso vire uma mentira. É o que a gente faz, nao é? Quando acaba, a gente finge que nunca existiu.
-Não coloque nomes, se não quiser. 

O meu coração doeu, eu achei que fosse morrer, mas dores no peito nao se relacionam ao coração, não fisicamente. A minha dor era diferente. Era...era uma resposta. Uma resposta pro que ele disse segundos depois...

-É que você fica linda nua, mas seus olhos negros brilhando nessa meia luz me engolem o mundo. Se isso for amar...

Um dia isso acaba, mas palavras certas em momentos certos são o tipo de coisa que fazem dos sentimentos certezas nas dúvidas. Eu precisava entender...mais que isso, eu queria.

domingo, 15 de março de 2009

Interlúdio.


Há coisas que não se explicam, saiba que eu tenho medo delas. Eu não quero ser assim, nunca quis. Eu poderia usar aquelas frases do tipo: "se você soubesse...", mas na verdade, se você soubesse a quantidade de absurdos que eu penso. Se...Eu guardo as coisas em mim e eu alimento qualquer tipo de coisa ruim. Eu sou um jardim de improdutividade. Nunca vou achar que elogios são verdadeiros e, mesmo que eu queira que sejam por alguns segundos, vai sempre soar como se fossem para outra pessoa. Eu estaria ao lado, ouvindo...se você soubesse. Eu preciso te falar que eu nao sei lidar com certas situações e dizem que isso me qualifica como humana, acontece que meus olhos me traem. Eles são uma ponte direta com meu coração. Essa respiração me toma qualquer fluxo de normalidade e eu fico assim...com isso, chamado amor. Essa coisa que toma as melhores partes de mim. Eu nao sei fingir e tudo me traz. Eu vou. 
Dizem que amor dura certo tempo, coisa e tal. Dizem que amor muda uma vida. Eu nao sei...eu tenho mania de dizer, se as coisas acabam, que elas nao foram verdadeiras e eu preciso parar com isso. Eu preciso aceitar melhor os fins, nao só nos textos. Eu sinto saudade das coisas, mas eu nunca sei o momento exato em que elas deixaram de ser. O momento exato em que a minha vida mudou. Ela já mudou tanto e eu sou tão jovem, mas em inglês, essas palavras soam mais bonitas. Eu queria ser mais segura e aceitar o que for para ser aceito nos momentos certos e viver normalmente. Eu gostaria de uma perfeita simetria. Sabe que as conveniências sempre me assustaram e mesmo que eu minta para mim, eu sempre reconheço essa verdade. Eu só queria poder dizer, nessas linhas, esse meu sentimento que dias como esse causam em mim. Eu esqueço e lembro...esqueço e lembro...esqueço...lembro. Se apenas você soubesse...
o que eu acho que sinto. O que eu tenho certeza. Diga que quer saber. Queira saber.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Agora vem...


Era apenas aquela mão que te descia o controle. Sobe e passeia nas esquinas escuras que eu não permiti. Eu não falei nada, nem que sim, nem que não. Você sabe que eu não resisto. O meu rosto ia esquentando, e parecia ser a última coisa a acompanhar essa leva. Sussurra alguma coisa ao meu ouvido, beija a minha boxexa, e se alguém nos vê? Não importa, agora. Segura meu tronco e me puxa devagar, expira na minha boca o hálito quente, lambe o lábio dormente e faminto. Sabe que ele te come. Já chega. Já chega? nao...no meio do beijo eu pensava como era absurdo alguém conseguir pensar em mais alguma coisa além do movimento daquela língua e se eu fazia aquilo bem. Eu não perguntaria, talvez fosse tão bom pra você quanto era pra mim. E se vira a cabeça de um lado, te beijo o pescoço e subo até a orelha...mordo. Faz um nó com as minhas pernas e divide esse suor, eu arrisco te dizer que é até doce; se você não prova, eu não perderei meu tempo com o suco quando eu tenho a carne. Sobe esse banco e pesa em mim. Movimenta e exercita esses músculos nesse reflexo, permanece hermético, suspira, linger. Que cheiro bom você tem, e que coração grande, chega a doer o bater do teu junto ao meu. Sabe que eu fico com vergonha desses momentos, mas é bonito se eu te olho e te sinto como o prazer do prazer que é ter você.




foto: http://www.flickr.com/liviavasconcelos/

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Me and You are we


Eu imaginava  mil coisas que podem dar errado para cada nenhuma que poderia dar certo. Sabe como é, a carência me leva a achar que morrendo, eu jogaria dor nos outros. Não dá pra viver e morrer ao mesmo tempo e é tanto desperdício morrer podendo viver a ouvir essa música do cara dos olhos claros. Essa que me faz ter vontade de querer. Olha só, quanta beleza que você tinha, aquela voz no meu ouvido dizendo aquelas coisas que te arrepiam, mas eu sou idiota e tenho vergonha. Lambida de orelha em praça pública. para. Eu gosto de ver essa cara no seu rosto vermelho. Eu nunca mais a vi em rosto nenhum de corpo certo. Eu pensei em tantas coisas, ninguém pode imaginar. Eu gritei e escorri tanta coisa de mim, ninguém pode imaginar. Eu ando vivendo mesmo, encarando outras vezes traços meus, que me perseguem e me forçam a ser isso. Essa coisa que sente, e eu digo mais, não quero mais que você exista e quero sim que você diga sempre, mesmo que não fale. Escuta, eu quero que você diga o que eu quero ouvir e quero que você diga o que quer dizer. Uma perfeita simetria onde, depois, essas coisas não terminem e a minha certeza bata na minha cara lavada. Eu acordo descabelada. Eu sinto cheiro de cada dia, eu gosto de ser assim. Eu gosto de ser quando eu estou assim. Eu só não consigo acreditar, acredita em mim? Eu só quero me poupar, mas escuta... eu sou diferente.