sexta-feira, 17 de abril de 2009

A espuma.


Era noite e era frio, não era apenas a minha doença que me torturava. O clima único para os habitantes da cidade os torturava por si só. Sabe que se você sente muita dor, chega um momento em que é tudo dor. É como cortar a perna para aliviar uma dor de cabeça. Tudo uma dor só. Eu já nao sabia se era o clima ou se era eu. Não me importava mais se a sua cadeira estava vazia ou se o café estava quente. Tudo uma dor só. Mas quanta culpa idiota, você se permitindo sentir esse vazio que te dou, essa lambuzada amarga de fel. Você gosta. Não gostasse vinha aqui e me estapeava a cara. Eu gostaria. És cavalheiro, isso te dá um cheiro particular. Nada animal, pura colônia de macho exemplar. Música calma e alguém de voz rouca de quem nao consigo recordar, você nao troca de canal...eu espero e meu corpo já atravessa a cama, o pescoço caído pela beira do móvel praticamente te implora que me use, mas eu estou sempre aqui. Você deixa para mais tarde. Tomou chuva lá fora, a camisa te cola o corpo, eu arranco com os dentes, então eu percebo que são minhas mãos apenas, eu não ouso. Apenas me ocorre a dúvida de quem despreza quem. Você é puro defeito, e isso, só eu vejo. Você é puro encantamento e eu, ao som da mesma música por 4 horas, tomo um banho para me livrar do teu cheiro que insiste em não me largar. Somos apenas nós dois, perdidos, nessa noite suja. Então me sujas, com nossas "mentiras adocicadas", para eu me lavar, e assim por diante...