segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Superlativo Absoluto Sintético


Alguma velha conversa ao fundo da minha cabeça cantarolante sobre algo escapar de mim, esse algo sobre você, de tempos em tempos. Eu diria de menos tempos em menos tempos ainda. Não se contam nem cinco minutos sem que me escape essa inflamada vontade de te mostrar o que eu vejo. Mas são as coisas que te dedico, algumas delas mais seguras, outras menos, que me encharcam a alma. Algo como amor, ou talvez seja simplesmente erro colocar nome em todos esses sentimentos, mas eu coloco, eu erro também. Eu falo, eu te deixo saber. É um prazer. São as mais variadas formas desse seu ser apaixonante que me formigam os dedos das mãos, despertam as borboletas na barriga, me estampam esse sorriso envergonhado. Não me iludo, ou qualquer coisa do tipo, sei que temos nossos defeitos, e todo o pacote. Mas há tempos eu te chamava...pelos textos, pelos ares, pelos meus mais sinceros desejos, naqueles lugares onde você nunca estava. Você veio, e algumas vezes eu me pergunto se te inventei. Por favor, não seja coisa da minha cabeça, nem desista de mim. Embora o tráfego estivesse um completo inferno, a demora e tudo mais tenham me causado tantas coisas ruins, esse amor chegou ao seu lugar de agora, e eu não quero que você se vá, quero que fique, fique, fique, fique, e continue tirando meu fôlego, apesar do ar. Muito talvez eu apenas seja assim, tenha medo, tenha sentimentos... mas eu estou tão melhor em relação a todas essas coisas, em relação a tudo o que está por trás das palavras e vontades. Quero te escrever cartas de amor, talvez até tricotar um suéter. Não... Tudo o que eu quero mesmo, são as coisas mais simples. Ouvir seu coração batendo, num fim de noite, ao assistir um filme; olhar pra você quando você não estiver olhando pra mim, e pensar como você apareceu do nada, mexendo tanto comigo; Olhar pra você quando estiver escurinho, e ver o brilhinho do seu olhar; Ser surpreendida pela sua capacidade de me fazer sentir esse encantamento por você; Olhar o teu sorriso, daqueles que é a alma quem sorri, daqueles que vem de dentro, de tão lindos...seus sorrisos; conversar com você no meio de tanta gente, e simplesmente esquecer que todos estão ao redor...quero sentir teu beijo macio, teu coração macio, teu tocar macio, teu cheiro inebriante, de VOCÊ. Sabe...eu tenho mania de destruir as coisas que eu sinto, dentro de mim, aos poucos, por duvidar sempre de mim por fazer sentido. Mas você...você me faz ter vontade de rimar romã com travesseiro. Você me dá vontade de não questionar o tempo, a vergonha, tudo o que atrapalha o que de verdadeiramente eu tenho de feliz. Pelo simples fato de te amar, muito, muitíssimo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Mar castanho


Eu e meus olhos
Inclusive os que estão nos outros
Eles são meus, mas eu nunca sou deles.
Eu e minha boca
Inclusive a sua
Algumas vezes a minha é sua, outras, a sua é minha
Geralmente termina tudo assim, no céu delas, no mar deles.
A boca, alguns já me levaram
Mas os olhos, eles são sempre meus, não se atreva.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

No hay banda


Ele disse algo em um espanhol baixo, de conteúdo privado, só da sua boca aos meus ouvidos. Aquele sorriso na face, um assanhamento característico. Lembrei da frase da Ana c. do dia anterior, malditas lembranças que não me deixam saber se sou eu ou se são os outros. Era apenas eu, eu, eu, eu, aquele velho ego a me sufocar, mas eu tento chegar ao outro, mesmo depois de desistir algumas vezes, não diria ser completamente. Você, você, você, você, esse maldito novo mundo a me desesperar. Sentou-se na mesinha ao lado, café preto pelando, imaginei figuras se formando no contraste da espuma, e perguntei a razão daquilo... pude perceber sua busca por Neruda, mas nenhuma resposta vinha. Sabes que eu pergunto coisas das quais já sei as respostas, mas eu não me canso. Imaginar as suas respostas, sendo eu quem as realiza, é meu maior prazer. Vai, responde o que eu penso. Até cogitei ser algo baseado em suas possibilidades, ledo engano. É tudo sobre o ‘você’ que eu invento. A minha invenção me deixa a cada cinco minutos, numa tentativa de proteção dessa tal felicidade e barquinhos a navegar, numa tal de paquetá. Acredito que essa tara de escrever em guardanapos e papéis de pão seja apenas para dominar as situações, colocar essas palavras nessa tua boca, sentindo esse coração de papel. O que você realmente pensa? Fala pra mim, minha cabeça é uma guerra de você. Tenho vontades de desistir, eu te falo. Digo ainda que você mudará essas teses, desistirá de mim, assim como eu quero agora. Esse grito intalado no peito, a minha eterna prostituição de cada espera...me diz algo inútil e totalmente metafórico, do tipo se a vida é uma estrada. Eu te pergunto tudo e sempre, mas você não responde, pelo simples fato de você não ser eu, de você não estar aqui, dentro de mim, essa sou eu. Em alguma língua desconhecida, já dentro de si, ele lambeu algumas palavras ao meu pescoço, acariciou meus braços desnudos e apenas me surpreendeu com algo de conteúdo privado, de sua boca para a minha.