quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A seta e o alvo que me espera

foto retirada do site: http://society6.com/

Então, você leva um homérico pé na bunda. Sabe? Daqueles que você se pergunta, no espaço entre os dias, quando finalmente aquela dor chata vai parar de incomodar. Foram dias difíceis, se você me entende. Dias que viraram semanas, que viraram mais semanas, que se tornaram meses e mais meses. Dez, se você é uma pessoa que gosta de números.

Eu sou o tipo de pessoa impaciente, então imagine você como eu passei dias e dias me perguntando quando eu finalmente me libertaria de tantos fantasmas. Quando nem eu me aguentava mais há algum tempo, percebi que o meu pensamento havia se acalmado. Isso era bom, mas não era tudo. Ao menor sinal de quebra do meu regime romântico, as coisas não ficavam assim tão bem.

Na verdade, eu não tenho muito para falar. Hoje, 31 de agosto, eu derramei uma pequena lágrima que era mais de alívio do que qualquer coisa. Pessoa nada sentimental que sou, escutava uma música de uma linda criatura. O meu ser melancólico percebeu que, enfim, havia deixado aquilo ir. Hoje, percebi que deixei um amor muito importante ir embora, e o melhor de tudo é que eu o quero muito feliz.

Veja que lindo, não desejar nada de ruim pra alguém que não tem culpa de nada. Ainda melhor, perceber que está tudo limpo aqui dentro. Não existem coisas mal resolvidas, não existe mais o desejo de diferença. Existe apenas a lembrança de algo tão necessário, tão edificante e tão querido. Ainda existe um cuidado ao longe, que eu nunca vou abandonar de vez.

Existe em mim uma vontade de escrever que eu não só te deixei ir, eu me permiti te deixar, e isso não foi fácil. Foi tão longo o caminho, mas agora eu pretendo ser feliz, e leve como coisa leve. Se a cada mil lágrimas, sai um milagre, isso acaba de me alcançar, mostrando novas diretrizes e novos sentimentos, que são muito mais do que bem vindos, são de casa. Podem chegar, mas não reparem na bagunça, tudo ainda se ajeita aqui por dentro.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Divã


'Nós ainda nos amávamos, apenas não nos queríamos mais...', disse Lilia Cabral, por Martha Medeiros, frase que vim a ouvir de uma amiga e que vim a soltar em uma mesa de bar, anos depois. As amigas presentes se olham e sorriem com o olhar. Mas o que foi que eu acabei de dizer? Até as vozes de dentro da minha cabeça gargalham com a frase, que agora me parece ridícula. Lógico que não nos amávamos mais, ou será que só podemos chamar de amor o que vem junto do desejo de estar junto? Não sei, não me cabe agora qualquer definição de amor. Justo agora. Amar se aprende amando, já dizia o café filosófico.
Eu demorei tempo demais pra perceber que nem eu era mais aquela pessoa. Que eu e você viramos pó, poeira, que o vento levou. Eu tento lembrar da sua voz, mas só escuto a minha, falando pra esquecer de vez de lembrar de lembrar. Deixa que se vá...precisamos ir. O seu rosto ainda me julga, quando eu me vejo fazendo coisas que não deveria. Prefiro não pensar demais, não preciso me perder. Não mais do que já fiz em todos esses meses.
É quase como se eu tivesse inventado um cara, tivesse dito pro vento contar que eu o amava muito, então alguém falasse: 'Tá maluca? isso não existe'... Então, tá certo. Eu só sinto muito por sentir tanto, por ter feito do que sobrou uma coisa tão ruim, por ter afastado de vez, inclusive meu melhor amigo. Sinto muito por me trair. É tudo o que meus dois olhos negros podem dizer, e eles dizem...