quinta-feira, 3 de março de 2011

Divã


'Nós ainda nos amávamos, apenas não nos queríamos mais...', disse Lilia Cabral, por Martha Medeiros, frase que vim a ouvir de uma amiga e que vim a soltar em uma mesa de bar, anos depois. As amigas presentes se olham e sorriem com o olhar. Mas o que foi que eu acabei de dizer? Até as vozes de dentro da minha cabeça gargalham com a frase, que agora me parece ridícula. Lógico que não nos amávamos mais, ou será que só podemos chamar de amor o que vem junto do desejo de estar junto? Não sei, não me cabe agora qualquer definição de amor. Justo agora. Amar se aprende amando, já dizia o café filosófico.
Eu demorei tempo demais pra perceber que nem eu era mais aquela pessoa. Que eu e você viramos pó, poeira, que o vento levou. Eu tento lembrar da sua voz, mas só escuto a minha, falando pra esquecer de vez de lembrar de lembrar. Deixa que se vá...precisamos ir. O seu rosto ainda me julga, quando eu me vejo fazendo coisas que não deveria. Prefiro não pensar demais, não preciso me perder. Não mais do que já fiz em todos esses meses.
É quase como se eu tivesse inventado um cara, tivesse dito pro vento contar que eu o amava muito, então alguém falasse: 'Tá maluca? isso não existe'... Então, tá certo. Eu só sinto muito por sentir tanto, por ter feito do que sobrou uma coisa tão ruim, por ter afastado de vez, inclusive meu melhor amigo. Sinto muito por me trair. É tudo o que meus dois olhos negros podem dizer, e eles dizem...

3 comentários:

Maria Alguém disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Suzana Dias Gonçalves disse...

"Amar se aprende amando", já dizia Drummond.

Mila disse...

Eu sei como é amar, mas não querer mais estar junto. Atualmente sou a prova ambulante disso.
É esquisito, mas existe mesmo.